quinta-feira, 13 de março de 2014

Torcida contraria

Cesar Vanucci *

“Na economia, como na Copa, não vale torcer contra o Brasil”
(Fernando Pimentel, até recentemente Ministro do
Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior).

Como é que é mesmo? O PIB brasileiro cresceu 2.3 por cento em 2013, índice inferior apenas aos resultados de dois entre 14 países da lista dos detentores de economias pujantes, a China (7.7%) e a Coreia do Sul (2.8%)? Nosso índice de expansão econômica no exercício passado foi, então, superior aos da Grã-Bretanha, Estados Unidos, África do Sul, todos com 1.9%, Japão (1.6%), Alemanha (0.4%), França (0.3%), México (1.17%), Itália e Espanha (com registros de retração acima de 1%)?

Uai! Mas nada disso constava, até indoutrodia, dos vaticínios de doutos analistas econômicos com presença realçante nos espaços midiáticos. O que eles anunciavam, estardalhantemente, a ponto de semear desassossego, com inequívoco intuito crítico, de modo politicamente tendencioso, era que a situação estava mal, muito mal. O caos se aproximava a galope. O mundo inteiro mostrava-se confuso com os “indicadores declinantes”, da “fragilizada” economia brasileira. Nada parecia suficiente o bastante para desfazer as profecias catastróficas. Nem mesmo os expressivos números e dados das políticas sociais de moradia, de inclusão educacional, de ocupação da mão-de-obra, de ampliação da assistência médica, ao lado dos investimentos de grande porte em obras de infraestrutura, contrapondo-se flagrantemente a tão agourentas previsões.

Falar mal do Brasil, negar categoricamente suas virtualidades e potencialidades, apontar nossa permanente e total “incapacidade” para executar projetos de magnitude parece constituir exercício rotineiro em certos redutos despojados de sentimento nacional. Dessa prática desagregadora não se furtam, deleitando-se com as besteiras assacadas, numerosos sabichões que se dizem especialistas em avaliações da conjuntura politica e econômica. Esse pessoal de mal com a vida finge desconhecer que o Brasil continua despertando o mesmo grau de interesse por parte dos investidores desde muitos anos pra cá. Em 2013, o assim denominado Investimento Estrangeiro Direto (IED) foi de 63 bilhões de dólares. Já tinha sido em 2012 de 65 bilhões de dólares.

O ex-Ministro Fernando Pimentel chama a atenção para dados extremamente positivos. De um ano para outro a demanda em recursos de investimentos por setores de máquinas e equipamentos foi de 10.2 por cento. Ano passado, o BNDEs liberou, via Programa de Sustentação dos Investimentos, a soma de 82.1 bilhões para aquisição e exportação de máquinas e projetos de inovação, com juros anuais de 3.5 por cento e prazo para pagamento em até 12 anos.

Enquanto isso, a arrecadação federal bateu novo recorde histórico agora em janeiro. Paralelamente a isso, uma banca de consultores econômicos internacionais reconhecia ser o real a moeda mais valorizada da América Latina ante o dólar. Mais: no começo deste ano de 2014, a abertura de empresas acusava recorde na história empresarial brasileira, segundo registros do Indicador Serasa Experian.

Resumo da ópera: o que boa parte dos analistas econômicos propala, em sua obsedante verrina pessimista, está em estridente dissonância com a realidade.


Esses racistas de carteirinha...

“No Galo, o preto e o branco sempre andaram juntos.”
(Faixa de repudio ao racismo exposta nas
arquibancadas do Independência pela torcida atleticana)

Numa mesma semana duas demonstrações estridentes de nauseabundo racismo ocuparam o noticiário nosso de cada dia. Num campo de futebol em cidade peruana, o atleta Tinga, do Cruzeiro, foi alvejado com refrãos ofensivos a cor todas as vezes em que tocou a bola. A insana agressão motivou uma onda compreensível de desagravos, envolvendo até mesmo manifestação da Presidenta Dilma Rousseff.

Na Capital da República, uma australiana de maus bofes, em flagrante desarmonia com a vida, aprontou baita confusão num salão de beleza, ao recusar-se ser atendida por uma profissional negra. Não satisfeita com a violência praticada, apelou também para ofensas, na base de descabido preconceito, ao ser abordada por policiais de epiderme escura incumbidos do boletim de ocorrência.

Gestos bestiais desse teor não podem permanecer nunca sem resposta à altura. O enquadramento nas conformidades da lei de grupos e indivíduos emaranhados nessas repulsivas manifestações de intolerância tem sempre pedagógicos efeitos. No caso de não poder ser feita, para fins de punição, a identificação individual dos racistas no meio de uma multidão, como sói ocorrer num estádio de futebol, as autoridades competentes nem por isso deverão se omitir na aplicação dos corretivos legais cabíveis. A interdição de jogos no local da ocorrência é capaz de dissuadir torcedores tendentes a repetir atos desse gênero de virem a fazê-lo.

O incidente registrado no Peru enseja outra observação intrigante. Quem conhece a realidade peruana sabe bem que a população desse belo país-irmão, berço de soberbas civilizações em períodos bastante distanciados da história, é constituída na maior parte de descendentes dos povos indígenas colonizados pelos espanhóis. E não ignora também a existência, a prevalecer até dias de hoje, de um execrável ranço racista atingindo esses povos, procedente ainda da opressiva era colonial. A constatação causa amargura aos setores mais lúcidos e socialmente comprometidos da dinâmica comunidade peruana. No incidente envolvendo o atleta brasileiro chamou a atenção a circunstância de a plateia nas arquibancadas, exprimindo com fidelidade o quadro demográfico étnico do país, comportar em bem mais elevada quantidade descendentes da orgulhosa população nativa andina. Entre os que se compraziam em alvejar com refrãos racistas o atleta negro brasileiro encontravam-se, por certo, cidadãos que nalgum momento da vida experimentaram, na convivência mundana, o fel da discriminação.


Seja adicionado também que não é nada difícil desenhar o perfil padrão do racista. Trata-se, geralmente, alguém de mal com a vida. Por mais que procure disfarçar, nutre pelo fascismo em suas variegadas modalidades um forte pendor. Hitler e Stalin e outros tiranos menos votados representam para ele, racista de carteirinha, personagens exponenciais da história. O racista aprova com entusiasmo a violência para externar desagrado ou inconformismo com relação à politica. Considera “esse tal negócio de direitos humanos” uma bobajada, externando sempre o ponto de vista de que as reivindicações sociais devam ser resolvidas preferencialmente na base do cassetete.

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