sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Instantes mágicos da História

Cesar Vanucci *


“Pela decisão soberana do povo hoje será a primeira vez
 que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher.”
(Presidente Dilma Roussef, na posse)

Instantes mágicos, de emoção sem par. Evocativos de fatos extraordinários, de conteúdo histórico refulgente, vividos pela nação brasileira nesta última década. Incorporados para sempre na memória das ruas.

A posse da Presidente Dilma Roussef, em seus aspectos litúrgicos solenes e lances de feerica participação popular, estremeceu de júbilo cívico o país inteiro. Fortaleceu na autoestima da gente do povo a certeza de que o Brasil vem percorrendo, de tempos a esta parte, com passadas vibrantes, itinerário correto na realização plena de sua vocação de grandeza. Preparou-se política e psicologicamente, técnica e administrativamente, nos planos social e econômico, para enfrentar com infinitas possibilidades de êxito os desafios dos tempos atuais e transformar-se de vez numa potência de primeira linha. A pavimentação desse itinerário com vistas à invasão do futuro, fruto de poderosa conjugação de vontades do governo e da sociedade, ganhou notável incremento neste período de governança recém-findo. Lula transferiu para a sucessora um respeitável legado. As mudanças operadas na fisionomia social e econômica do país foram amplas e profundas. Ocorreram num período também marcado por pujança democrática invejável.

O processo de estagnação da economia foi revertido. O comportamento brasileiro diante da crise que ameaçou o mundo com o fantasma da recessão provocou nos outros países surpresa e admiração incontida. A inclusão social, sempre crescente, de enormes contingentes populacionais, projetada entre outros indicadores expressivos na sugestiva circunstância de que os brasileiros recém incorporados à chamada classe “C” já são os maiores consumidores de eletrodomésticos e maiores adquirentes de imóveis, processou-se com celeridade vertiginosa.

Tem-se aí claramente configurada a base de sustentação bastante sólida para os avanços e conquistas que carecem ser alcançados. Entre eles, como o mais relevante de todos, aquele que a “Presidenta” empossada define como sendo a “luta mais obstinada do governo”: a erradicação da pobreza extrema e criação de oportunidades para todos.

Como dito linhas acima, muitos foram os acontecimentos extraordinários recordados, em clima de euforia cívica, à hora festiva da transmissão do poder. Há 25 anos, o Brasil libertou-se das amarras trevosas da ditadura. Há 21 anos voltou a eleger, pelo voto direto, os seus governantes. Há 20 anos foi promulgada a Constituição que hoje rege nossos destinos políticos e administrativos.

A caminhada de aprimoramento democrático, que todos almejamos fecunda para todo o sempre, registrou adiante, em 2002, algo formidável, de indiscutível transcendência. Naquele ano, nas eleições, quebrando paradigmas seculares, o povo brasileiro resolveu colocar na direção suprema da nação um operário. E, ao lado dele, como colaborador influente, um empresário. Ambos os dois, nas respectivas categorias, vitoriosamente testados em fainas sindicais e classistas. Uma junção de forças - envolvendo líderes providos de irradiante simpatia e arrebatador carisma, sincronizados na visão social arejada e espírito desenvolvimentista - a tempo algum jamais cogitada na vida pública brasileira. Os dois, Lula e Alencar, de origem humilde, formação educacional assemelhada, sem títulos universitários a ostentar nos currículos, colocaram seus préstimos, sabedoria, experiência, capacidade de comando e muita disposição de luta a serviço dos compatriotas. Apoderados da benfazeja obsessão de promover um punhado de mudanças essenciais, prometeram agir em nome da imensa “família Silva” brasileira, da qual são legítimos representantes, a começar pelo sobrenome. O que adveio dessa eletrizante aliança vem traduzido nos frutos copiosos que a nação tem condições agora de colher. São frutos que irão permanecer. Compõem a valiosa herança assumida, neste começo de 2011, pela Presidente Dilma. Uma Presidente que se mostra consciente, conforme demonstra em lúcidos pronunciamentos, dos desafios singulares que a espreitam.

Essa eletrizante caminhada brasileira de ascensão social e política, de consistente expansão econômica e de plena consolidação democrática, alcança um novo e cintilante patamar com os atos históricos vividos no dia 1º de janeiro em Brasília. Um ex-operário desceu a rampa do Planalto, para que pela mesma rampa subisse, investida da missão de dar continuidade ao seu fecundo trabalho, a primeira mulher brasileira a envergar a faixa presidencial.

Temos razões de sobra, os brasileiros destes tempos carregados de esperança, em regozijarmo-nos com a oportunidade de estar podendo acompanhar, como testemunhas oculares da história, todos esses lances memoráveis de autêntica construção humana.

* Jornalista (cantonius@click21.com.br)



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