sexta-feira, 12 de março de 2021

 

Nazca, uma charada

 

Cesar Vanucci


“Nazca e seus extraordinários enigmas.”

(Simone Waisbard, escritora)

Amigos que estiveram no Peru e se encantaram com Nazca pedem-me uma palavra sobre o extraordinário enigma das linhas geométricas.

Visto do alto, do bimotor no sobrevoo turístico, o imponente “candelabro dos Andes”, incrustado no imenso tabuleiro de granito da baia de Paracas, parece ser uma sinalização com o intuito de chamar a atenção de supostos “espaçonautas”. Próximas, com seus incríveis bordejos pontilhados, espalhadas por 500 quilômetros dos pampas desérticos, voltadas para os céus, ficam as enigmáticas linhas geométricas de Nazca. Uma charada a ser decifrada.

Ninguém que passe pela experiência de contemplar as pistas existentes no gigantesco sitio arqueológico consegue conter a emoção que tudo aquilo provoca. O estado de espírito habitual dos espectadores é de puro êxtase. A visão provoca lágrimas.

Comovidas e perplexas, as pessoas se interrogam: mas, afinal de contas, o que foi mesmo que os geniais e ignotos construtores das pistas de Nazca e do “Tridente dos Andes” pretenderam registrar com essa colossal “tapeçaria de pedras”, de sinalização copiosa?

O ciclópico quebra-cabeças, montado há milênios, foi produzido como? Com qual tipo de instrumentos mecânicos? Para quê? Por quem? A ideia de que representa algo correspondente a um cabo Canaveral da antiguidade remota faz sentido para muitos. Essa conjectura remete a especulações infindáveis a respeito da suposta existência de uma astronáutica, talvez extraterrena, anterior à tecnologia espacial dos tempos de agora. Mais uma fantástica ocorrência, de origem milenar, envolta nas brumas espessas do mistério.

Essas gigantescas figuras estilizadas de pássaros, plantas, seres envergando roupagens de astronauta levantam interrogações sem conta. Alguns cientistas, como a arqueóloga francesa Maria Reiche, já falecida, com quem mantive agradável papo há 30 anos, procuram encaminhar respostas convincentes às perguntas que pipocam sem cessar, a respeito dos enigmas de Nazca. O que não é nada fácil.

O escritor J.J.Benitez (autor da fascinante saga “O cavalo de Tróia”) é de parecer que o mistério de Nazca continua de pé, desafiante. As teorias aventadas coincidem num ponto: as figuras teriam sido executadas “para alguém que voava.”

Quanto ao “candelabro de Paracas”, a antropóloga Maria Belli de Leon parece estar com a razão quando sustenta que o desenho gravado na rocha direciona “viajantes aéreos”, para as pistas de Nazca.

Uma coisa é absolutamente certa. A resposta definitiva para o insondável mistério das linhas geométricas ainda está para ser dada. Se é que vai poder ser dada algum dia.

● Tirante o ruidoso desagrado, nas redes sociais, de manjada minoria fundamentalista, a configuração ecumênica da Campanha da Fraternidade, patrocinada pela Igreja Católica e outras Igrejas cristãs, está sendo recebida com total simpatia pela sociedade. A opinião pública considera oportunos os temas trazidos à reflexão dos homens e mulheres de boa-vontade que não esmorecem no afã de criar condições propicias para que o mundo se identifique melhor com valores que protejam a dignidade humana.

Muita gente torce para que a Campanha alargue ainda mais, na busca da unidade e da paz, os horizontes ecumênicos. Ou seja, atraia outras correntes religiosas, além dos limites cristãos. O budismo, o judaísmo, o hinduísmo, o islamismo, para ficar em alguns exemplos significativos.

 







O ESPLENDOR DA MULHER FARDADA NA 

POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS

   João Bosco de Castro


Até o terceiro quartel do Século XX, mais enfaticamente, a Mulher padeceu preconceitos e estereótipos, mundo afora, acentuadamente no Brasil, como se ela fosse minúsculo vivente, ou ser meramente utilitário, ou femeazinha qualquer restrita à procriação e às coisas e quefazeres domésticos, à moda de boneca de redoma, cozinheira, lavadeira e bordadeira. Fora de casa, ela trabalhava muito pouco. Algumas poucas, para a felicidade de todas as pessoas, até dos machos-machistas, podiam formar-se para Professora Primária no magnífico e insuperável Curso Normal das insuperáveis e magníficas Escolas Normais ─ como as de Pará de Minas, Dores do Indaiá, Pitangui, Bom Despacho, Itapecerica, Divinópolis, Belo Horizonte (naquele modelar e saudoso Instituto de Educação) ou Ibirité (naquela estrondosamente espetacular e austera Fazenda do Rosário, de Helena Antipoff, Abgar Rénault, Elza de Moura e Saul Alves Martins). Tais Mestras do Melhor Jaez garantiram a Pindorama e Pindoramuaras ─ machos e fêmeos ─ a sorte do respeitado estudo de Aritmética, Linguagem, Redação, Literatura ─ gostosamente, a Infantil ─, Ciências Biológicas, Geografia, História, Conhecimentos Gerais e Bons-Modos. Tais Construtoras da Educação Básica Brasileira, respeitáveis Mulheres, quase sempre esquecidas, lograram alguma referência de mérito ou reconhecimento social, como de Ataulfo Alves, na letra poética de “Meus Tempos de Criança...”! Uma felizarda, a indômita e plurivalente Professora Dona Zulma Corrêa Couto, mereceu a marca de “Máter et Magistra”: maravilhoso Poema contido no Livro dele homônimo, escrito e publicado, em 2015, por seu Filho, nosso excelente Poeta Coronel José Guilherme do Couto. 

 Afora isso, a Mulher ficava à mercê do preconceito e estereótipo cáusticos, trancafiada em casa para a trabalheira no tanque, agulhas de coser, copa, cozinha, ferro de passar, além dos urdumes de marido e filharada.

 Vestir farda?! ─ Não! Cruz-Credo! Isso é pra homem...

 Policiar?! Subir ladeira e prender bandido?! ─ De jeito nenhum! Mulher não foi feita pra isso...

 Em minhas pesquisas na Literatura Brasileira sobre a Mulher Fardada no Brasil, encontrei somente dois registros, ambos machistas, absurdos e incovenientes. Nos domínios de Minas Gerais, em 1931, o Itabirano Carlos Drummond de Andrade (então Chefe de Gabinete do Secretário do Interior Gustavo Capanema Filho, no majestático e irretocável Governo de Olegário Dias Maciel) escreveu e publicou, na página 12 do Minas Gerais (Diário Oficial do Estado) de 18 de junho do mencionado ano, as zombeteiras, impiedosas e machistas páginas de “Contra a Polícia Feminina”, crônica satirizante da imagem institucional da Polícia e detratora da Dignidade Feminil, além de presunçosamente contrária à Polícia Feminina, ainda, até então, inexistente no Brasil. Em 1987, a Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais, patrocinada pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, republicou-a em “Crônicas [de Carlos Drummond de Andrade], 1930-1934”(Belo Horizonte:Barba Azul, 288p.), em suntuosa edição de apenas mil exemplares, um dos quais, no mesmo ano, destinado à minha Biblioteca. Pelas Terras da Bahia, em 1962, Alfredo de Freitas Dias Gomes lançou a maravilhosa peça “O Bem-Amado”, na qual se lê deprimente e deletério diálogo entre o cangaceiro Capitão Zeca-Diabo e a Delegada de Polícia de Sucupira Chica Bandeira. Conversa lamentável: o cangaceiro chama a Delegada Chica, sempre bem-fardada e rigorosamente alinhada e armada, de macaco de saia (macaco, na linguagem nordestina, a partir da Bahia, é soldado de polícia, meganha, soldado amarelo, policial militar): macaco de saia é soldada de polícia, Mulher Fardada. A reposta da Delegada Sucupirana ao cangaceiro foi severa e irretocável: “Pois saiba que, mesmo de saia, sou tão homem quanto o senhor. E esse é um caso de Polícia. (...) O senhor está preso!”

 A própria Mulher de então considerava absurdo ser ela destinada ao exercício dessas fainas tachadas de exclusivas ao Homem, embora sofresse com referidas restrições, hoje tidas como preconceituosas, mas ela mesma não fazia nada para livrar-se delas. 

 Como em toda a parte do Brasil, nos quartéis ─ inclusive nos da Polícia Militar de Minas Gerais ─, o machismo topetudo roncava alto e grosso, infelizmente. 

 Súbito, em 1981, nossa Corporação Policial-Militar Mineira instituiu a Companhia de Polícia Feminina e deitou apropriadas e necessárias pás de cal aos grunhidos machistas embutidos na deletéria crônica de Drummond e nos arroubos cascudos e preconceituosos dos muitos capitães-zecas-diabos à moda lamentosa daquele energúmeno descrito pela criativa pena de Dias Gomes. Em pouco tempo, nossa respeitável Mulher Fardada, mercê de sua aguda inteligência, gentileza, coragem, pertinácia e capacidade prática de organização e controle, sufocou a insustentável e incoerente jactância machista e provou-se policial-militarmente igual ao Homem Fardado, respeitadas as particularidades naturais de cada gênero. 

 Ao longo de seus quarenta anos de atuação pública e modelar na diuturna Fornalha da Polícia Ostensiva e Preservação da Ordem Pública, a par das missões constitucionais de Defesa Interna e Territorial, nossa Mulher Fardada, inclusive nos Quadros de Saúde e de Especialistas, da Soldada à Coronela, construiu sua História Tecnoprofissional consentaneamente com os parâmetros da Dignidade Policial-Militar norteados pela Ética e Deontologia, com vistas na Tranquilidade Pública e Paz Social dos Cidadãos, Entidades e Instituições, em oitocentas e cinquenta e três cidades e mais de três mil Distritos da vastíssima Rede Municipalista Mineira. Isso consolida a honorabilidade e a glória, a imagem e o decoro de nossas notáveis e bravas Servidoras de todos os Quadros de Pessoal Militar da Corporação do Alferes Tiradentes. 

 Coincidentemente com as celebrações dos quarenta anos de exercício idôneo e profícuo de nossa Mulher Fardada, a Polícia Militar de Minas Gerais confia, a partir de 4 e 5 de fevereiro de 2021, repectivamente, as excelsas Gestões Estratégicas de sua Corregedoria-Geral à Coronela Silma Regina Gomes da Rocha Oliveira e de seu Sistema de Educação Policial-Militar com o efetivo Comando da Academia de Polícia Militar do Prado Mineiro ─ nossa exemplar Universidade de Policiologia e Ciências Militares da Polícia Ostensiva, remanescente do sublime Departamento de Instrução, o D.I. ─ à Coronela Cleyde da Conceição Cruz Fernandes. Pela primeira vez, a moderna Gestão da Imagem Eticodeontológica e Disciplinar de Oficiais e Praças da Corporação e o Comando da Nobre Escola do Prado Mineiro, elevados cargos da Estrutura da Polícia Militar das Alterosas, exatamente por deterem a competência para realizar, respectivamente, o Burilamento Deontológico e a Profilaxia Ética ─ pelo Código de Ética e Disciplina e Diplomas e Regulações Jurídico-Penais indispensáveis à vigilância da compostura e saneamento da Conduta Policial-Militar de Servidores e Servidoras Militares ─ e o Comando da Nobre Escola do Prado Mineiro ─ pela Gestão Estratégico-Pedagógica da Educação (Ensino, Pesquisa, Extensão e Treinamento) de Polícia Militar, nos Cursos e Programas Tecnoprofissionais de Graduação e Pós-Graduação para Qualificação (Capacitação e Habilitação) e Atualização do Quadro de Pessoal Militar, são entregues a duas Mulheres Fardadas ocupantes do mais elevado posto da Escala Hierárquica da Polícia Militar de Minas Gerais. Integrantes das proativas e extraordinárias Turmas de Aspirantes de 1997 e 1995, as Coronelas Silma e Cleyde, por força de sua inteligência, indiscutível capacidade gestorial, autonomia ética, prudência, convicção deontológica, diversificada experiência tecnoprofissional em segmentos operacionais e administrativos da Corporação, garbo militar irretocável e conduta pessoal nutrida em elegância, postura, cordialidade e compostura, conduzirão a respeitável Corregedoria-Geral ao zênite da autenticidade e legitimidade da Idoneidade e Consciência Policial-Militares, segundo os melhores parâmetros de Justiça, Hierarquia e Disciplina, e a renomada Academia de Polícia Militar do Prado Mineiro ao sucesso digno da Presteza e Boa-Fama da Melhor Escola de Comandantes e Artífices da Paz Social da América Latina. Deus as abençoe, ilumine e guarde no cumprimento pleno e magistral destas notáveis Missões Policial-Militares de Corregedora e Educadora!

 Os Homens Fardados da Polícia Militar de Minas Gerais, na amplidão da excelência de todos os Quadros Tecnoprofissionais da Estrutura de Pessoal Militar da PMMG (QOPM, QPPM, QOE, QPE e QOS), reflitam sobre a necessidade sociopolítica e importância teleológica de sua profissão essencial ao Desenvolvimento Humano, Tranquilidade Pública e Paz Social, qualifiquem-se, requalifiquem-se, aperfeiçoem-se e façam o melhor em seu desempenho tão esmerado quão louvável, porque as Mulheres Fardadas de todos os mencionados Quadros de Pessoal Militar de nossa Corporação já nos dão sobejas provas de sua plena capacidade tecnoprofissional de pensar e repensar a Essência Policial-Militar. Elas, como qualquer dos melhores Homens Fardados, planejam, controlam, coordenam, comandam, modernizam e executam, com primor tecnoprofissional, lucidez intelectual e rigor ético, Programas de Gestão de Políticas Públicas diversas e Projetos Policial-Militares, na Atividade-Meio e Atividade-Fim, principalmente nesta, para efetividade e glória das Ações e Operações de Polícia Ostensiva, Preservação da Ordem Pública e Defesa Interna e Territorial. Eficiência e espírito crítico, inteligência e presteza total para ser últil à Comunidade, organização metodológica e disciplina consciente, coragem, lealdade e devoção ao Serviço Policial-Militar são virtudes excelsas e comuns aos Homens Fardados e às Mulheres Fardadas da Polícia Militar Mineira, na balança da igualdade, porque nada, nesses domínios didáticos, éticos e deontológicos, diferencia macho de fêmea. 

 Aqui no Brasil, desde os primeiros anos da organização da Ilha de Vera Cruz, as mulheres marcam ponto muito alto, extramuros: fora da redoma e da cozinha. No falido projeto monárquico de Dom João III, Rei de Portugal, logo após o heroico achamento destas abençoadas Terras, dentre todas as Capitanias Hereditárias de 1534, apenas duas prosperaram: a de Pernambuco ─ nela embutidas as glebas correspondentes ao atual Estado da Paraíba ─, governada por Dom Duarte Coelho Pereira, e a de São Vicente ─ hoje, São Paulo, mais o quinhão agora conhecido como Estado de Minas Gerais ─, entregue ao Fidalgo Militar Dom Martim Afonso de Sousa. Exatamente as duas Capitanias governadas e administradas por mulheres! Dom Duarte Coelho Pereira, doente de piorreia e preguiça extrema, retornou à Metrópole, sem nunca mais ter retornado ao Brasil, após haver passado as rédeas de Pernambuco-Paraíba à intrépida, inteligente e trabalhadora Dona Brites de Albuquerque Pereira, sua esposa, a indiscutível gestora dos melhores êxitos dos empreendimentos açucareiros, para a felicidade de pernambucanos e paraibanos. Daí, a expressão “Paraíba masculina, mulher-macha, sim, Senhor...”! Martim Afonso de Sousa, campeão em certames de bebedeira, jogatina e rabo de saia, totalmente avesso a tarefas de responsabilidade e suor, seguiu, ainda em 1534, para as Índias, onde assumiu o Comando-Geral das Forças Portuguesas em Goa, e deixou sua Capitania Hereditária sob o inteligente, zelozo e profícuo bastão de sua empreendedora e incansável esposa, Dona Ana Pimentel, cujas mangas suadas e arregaçadas de gestora admirável levaram São Vicente, atual Estado de São Paulo, ao sucesso econômico. O Brasil começou a dar certo, ainda no Século XVI, graças ao brio e à multivalência dessas duas primeiras e grandes Capitãs Brasileiras ─ na verdade, Capitãs Portuguesas: desbravadoras de boas partes de Pindorama, ou Ibirapitã, ou Arabutã, ou Irabutã, ou Orabutã = nomes tupis de nosso cobiçado e pouco amado Brasil...

 Em 1930, para apoiar a Revolução Liberal favorável a Getúlio Vargas na Presidência da ainda República dos Estados Unidos do Brasil, Belo Horizonte compôs e manteve destemidos Batalhões Femininos, sob as ordens enérgicas, cívicas e sábias da Generala Elvira Kommel, com suas coronelas, majoras, capitãs e tenentas, sargentas , furrielas e soldadas, primorosamente treinadas por bravos Oficiais ( naquela época, não tínhamos, ainda, em nossos Quadros, nem oficialas, nem praças: sargentas e soldadas...) da imbatível e leal Força Pública do Estado, a atual Polícia Militar de Minas Gerais. De suas tropas de mulheres em fardas de brim cáqui, empenhadas nos Hospitais de Sangue da Capital Mineira, sobressaiu o Batalhão Feminino João Pessoa, atuante em cinquenta e dois Municípios das Alterosas, dentre os quais Belo Horizonte, Sede da Generala Feminista. 

 Nestes quarenta anos de sua existência tecnoprofissional altiva, honesta, profícua, humana e humanizante, inteligente, bem-estruturada, efetiva e afetiva, a Mulher Fardada da Polícia Militar de Minas Gerais é vivo exemplo de Servidora Militar autêntica, legítima e essencial à Vida Mineira, pela pujança dos Misteres Constitucionais da referida Corporação Policial-Militar do Alferes Tiradentes: Símbolo de Órgão Público Majestático e necessário à Paz Social, ao Progresso, à Grandeza Política e Social deste Estado-Membro e do Brasil, no ardor prestante da Polícia Ostensiva, Preservação da Ordem Pública e Defesa Interna e Territorial.

 O esplendor dessa Mulher Fardada Mineira decorre de seu desempenho primoroso, confiável e eclético, em razão de ter sido cinzelado e burilado segundo os mais modernos e eficazes Projetos Estratégico-Pedagógicos de Graduação e Pós-Graduação Policial-Militares para os Cursos e Programas de Qualificação, Requalificação e Treinamento planejados, coordenados, ministrados e geridos pela Academia de Polícia Militar do Prado Mineiro e respectivas Unidades integrantes do modelar Sistema de Educação Tecnoprofissional da Polícia Militar de Minas Gerais. Todo este bem-engendrado Protocolo de Qualificação de Pessoas somente alcançou os melhores resultados, porque se apoiou no mais transparente, fidedigno, moderno e rigoroso Processo de Recrutamento e Seleção de Candidatos e Candidatas às Fileiras da Polícia Militar de Minas Gerais. Por isso, dá gosto e orgulho ver nossa Mulher Fardada, com eficiência, garbo e zelo, nas Ações e Operações das diversas modalidades do Policiamento Ostensivo-Militar, ou como primorosas musicistas das Bandas de Música Militares e das duas Orquestras (principalmente Orquestra Sinfônica da Polícia Militar , criada e instalada, em 1949, pelos Coronéis Egýdio Benício de Abreu e José Vargas da Silva), ou como atenciosas e bem-qualificadas Servidoras ─ dentre Oficialas e Praças ─ de nosso valoroso e insuperável Quadro de Saúde ( Técnicas em Enfermagem, Enfermeiras, Farmacêuticas, Psicólogas, Odontólogas, Médicas e Médicas Veterinárias...), no Hospital da Polícia Militar e Núcleos de Assistência Integrada à Saúde de Companhias Independentes, Batalhões e Regiões de Polícia Militar, e nas Clínicas e Núcleos de Saúde Veterinária do Canil da Polícia Militar e do Regimento de Cavalaria Alferes Tiradentes (RCAT) ─ sumo histórico, indelével e palpitante da belíssima e entusiástica trajetória pública desta Corporação gloriosa e pronta para a Felicidade Pública Mineira, desde os albores de 1775, sob a luz cívica e patriótica dos Feitos e Ensinamentos espalhados pelo Alferes Joaquim José da Silva Xavier. 

 Parabéns, Mulher Fardada da Polícia Militar de Minas Gerais ─ Mãe, Esposa, Irmã, Filha, Colega e Conselheira... ─ : Emblema da Decência e da Coragem! Você é importante sustentáculo da Imagem e do Renome de nossa respeitável e altaneira Corporação Policial-Militar!

sábado, 6 de março de 2021

 

Mulheres no comando

 

Cesar Vanucci

 

“Uma porta foi aberta.”

(Cardeal Mario Grech)

 Ativistas dos direitos humanos, pessoal engajado em causas de valorização do papel da mulher na sociedade receberam com júbilo decisões, adotadas recentemente, nas esferas de atuação do Vaticano, Organização Mundial do Comércio e Jogos Olímpicos.

 Ngozi Okonjo-Iweala, economista, negra, nigeriana, é a primeira mulher a presidir a OMC. A mídia deu enorme destaque ao fato, ressaltando que a instituição ganhou novo alento para a execução de sua missão, já que vinha se mostrando entravada por força da hostilidade estadunidense, na gestão do golpista Trump. Com a nova dirigente e a disposição anunciada do presidente Joe Biden em prestigiar o órgão, o cenário altera-se, para melhor. Ngozi revelou que sua prioridade será a recuperação econômica global abalada pela pandemia. A OMC é referência em relações econômicas entre países. Assegura suporte técnico para o debate de questões ligadas às estruturas comerciais, estimulando acordos que abrandem conflitos. Conta com 164 países membros. O Brasil é um dos fundadores do órgão. Ngozi foi ministra de estado na Nigéria em duas ocasiões.

 O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio nomeou Seiko Hashimoto como sua nova presidente. Ela substitui Yoshiro Mori, que renunciou sob pressão da opinião pública, motivada por declarações sexistas. As Olimpíadas de Tóquio, como sabido, foram adiadas para este ano por causa da pandemia. Ao assumir, Seiko deixou dois postos no governo, um deles o de Ministra da Igualdade de Gênero. Participante desde 1995 da vida política é famosa ainda pela circunstância de haver disputado, como atleta, as modalidades de ciclismo e patinação em torneios olímpicos passados. Chegou mesmo a conquistar uma medalha de bronze em prova de patinação de velocidade nos 1500 metros, nas Olimpíadas de Inverno de 1982. É interessante ressaltar, a propósito das Olimpíadas de Tóquio, que o comitê responsável pela seleção dos atletas nipônicos instituiu um conselho consultivo onde cerca de 40 por cento dos integrantes são mulheres.

 Das designações, em dias recentes, pela primeira vez na história, de mulheres para cargos executivos de relevância mundial, as de maior força simbólica talvez tenham sido as ocorridas no âmbito da Santa Sé. O Papa Francisco, no ver de muita gente, o único grande estadista dos tempos modernos, nomeou duas pessoas do sexo feminino para cargos anteriormente ocupados exclusivamente por homens. Convocada para Subsecretária do Sínodo dos Bispos, Nathalie Becquart foi diretora do Serviço Nacional para a Evangelização da Juventude e das Vocações da Conferência dos Bispos da França. A posição a que foi alçada concede-lhe direito de voto no conclave. Com 52 anos, Becquart é relativamente jovem para os padrões do Vaticano. Catia Summaria, magistrada italiana, a outra mulher nomeada, vai responder pela função de Promotora de Justiça no Tribunal de Apelação do Vaticano. Até aqui, apenas os chamados “padres sinodais” podiam votar em sínodos da Igreja, embora já algumas mulheres deles participassem como observadoras ou consultoras. Em 2018, uma petição, contendo milhares de assinaturas, foi encaminhada ao Papa solicitando a presença de mulheres como votantes. “Uma porta foi aberta. Veremos que outros passos podem ser dados no futuro”, foi o comentário publicamente feito, a respeito das nomeações, pelo cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo.

Não são poucos os observadores a admitirem não estar tão distante assim o momento em que as mulheres possam vir a ter acesso ao sacerdócio na Igreja Católica. Deus louvado!

Supersalários, vacinação, carestia

 

Cesar Vanucci

 

“Isso tem que acabar!”

(Deputado Rubens Bueno, sobre

os salários acima do teto constitucional)

 

● “Isso tem que acabar”! A afirmação é do deputado federal Rubens Bueno (Cidadania). Foi feita em palestra virtual promovida pela Associação Comercial de Minas. O parlamentar se referia aos supersalários que privilegiam milhares de agentes públicos nas diferentes esferas do Poder. Os holerites do pessoal superam, em muito, o teto atribuído aos servidores pela Constituição. Os exemplos apontados são de estarrecer um frade de pedra. Vencimentos situados em altitudes everestianas, de 70 mil, 80 mil, 100 mil, 200 mil, 500 mil e até um milhão. O parlamentar está coberto de razão. Isso tem que acabar! Mas não se pode ignorar, de forma alguma, que essa inacreditável e indecente situação vem sendo denunciada há muitos anos. É tão velha quanto a Serra da Canastra, como se costuma dizer no linguajar das ruas, sem que qualquer decisão saneadora seja tomada por quem de direito. Salário de um milhão, praticamente mil salários mínimos! A constatação, pelo IBGE e pela Fundação Getulio Vargas, de que somam milhões os brasileiros que sobrevivem(?) com renda mensal inferior ao salário mínimo leva-nos a dizer que essa abissal diferença brada aos céus, deixa as pessoas providas de bom-senso em estado de santa ira. Valha-nos Deus, Nossa Senhora!

 

● A aritmética da vacinação é amedrontadora. Até aqui o país só conseguiu aplicar a primeira dose em menos de três por cento da população. Neste andar da carruagem, para se cumprir a meta da imunização global vão ser necessários uns três anos, mais ou menos. Nesse decurso de tempo haverá, fatalmente, a necessidade de renovação das aplicações em multidões de cidadãos, tendo em vista ser de um ano a durabilidade dos efeitos do medicamento. Tal como ocorre, aliás, com a vacina antigripal. E então? Calamidade! Existirá no dicionário expressão mais adequada para definir a inimaginável perspectiva que se desenha, à conta da falta de planejamento detectada no enfrentamento da pandemia?

 

● Um nunca acabar de reajustes de preços vem tirando o sono dos chefes de família e donas de casa. Combustíveis, gás de cozinha, planos de saúde, produtos da cesta básica, remédios são alguns dos itens constantes dessa escalada vertiginosa no custo de vida. Apelar pra quem? – pergunta-se, atônito, o indefeso consumidor. Mas, seja como for, alguém nas grimpas do poder precisa movimentar-se, confabular com os estrategistas das políticas públicas voltadas para objetivos econômicos e sociais, de modo a suscitar ações capazes de abrandarem os contundentes impactos dessa alucinante espiral altista.

 Leitores do "Blog do Vanucci"

comentam os artigos publicados


● Brasileiros das Gerais

 Alice Spíndola

 Cesar Vanucci, você trabalha o texto com propriedade

e muito domínio, não importa o assunto, mas sempre o mais atual possível. Talvez você esteja no auge de seu virtuosismo jornalístico. Eu o leio com entusiasmo e aprendendo muito.

 

 · Mulheres no comado

Monica Neves Cordeiro 

Parabéns por seu artigo de hoje!

 

· Seja bem-vinda

Orlando de Almeida

 Boa tarde mestre e amigo César, Vacinação já, no seu blog, é um exemplo de cidadania a ser seguido por todos que precisam acreditar no conhecimento científico e não no sinistro general da saúde que destinou recursos para o combate a pandemia na compra de cloroquina, medicamento que foi vetado por cientistas dele fiz o mundo inteiro. E que já causou a morte de e várias pessoas que dele fizeram uso.


sábado, 27 de fevereiro de 2021

 

Fraternidade Ecumênica

 

Cesar Vanucci

 

“Não podemos esmorecer.”

(Dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da CNBB)

 

Integristas religiosos, com suas costumeiras interpretações rançosas dos textos sagrados e da aventura humana, andam deitando falação distorcida, com ênfase nas redes sociais, sobre a Campanha da Fraternidade de 2021. A configuração alvissareiramente ecumênica desse importante movimento, patrocinado pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e pelo Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC), parece desagradar sobremaneira as falanges fundamentalistas. Estas, como é notório, acham-se, volta e meia empenhadas em disseminar manifestações de intolerância e preconceito que alvejam em cheio, em diferentes áreas de atuação,  valores humanísticos e espirituais, deturpando, o sentido das coisas.

“Fraternidade e diálogo: compromisso de amor” é o tema da Campanha, que adotou ainda como lema “Cristo é a nossa paz; do que era dividido, fez uma unidade.” No documento que explicita os objetivos da Campanha da Fraternidade Ecumênica, as lideranças cristãs de variadas origens focalizam, entre outros, com aconselhamento e orientação crítica respeitosa, os riscos advindos do negacionismo da ciência, do desrespeito frontal às recomendações alusivas ao isolamento social, da clamorosa “cultura da violência” contra negros, mulheres, indígenas e a chamada comunidade LGBTs.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte e Presidente da CNBB, dirigiu mensagem à sociedade brasileira, onde assinala, entre outras, as considerações que se seguem: “No exercício de nossa missão evangelizadora deparamo-nos com inúmeros desafios, diante dos quais não podemos esmorecer, mas, ao contrário buscar forças para responder com tranquilidade e esperança. Nosso país vive um tempo entristecedor, com tantas mortes causadas pela Covid-19, um processo de vacinação que gostaríamos fosse mais rápido e uma população que se cansou de seguir as medidas de proteção sanitária. Nosso coração de pastores sofre diante de tantas sequelas que surgem a partir da pandemia, em especial o empobrecimento e a fome.”

Mais adiante afirmou: “Nos últimos dias reações têm surgido quanto ao texto (documento de lançamento da Campanha da Fraternidade). Apresentam argumentos que esquecem da origem do texto (ecumênica) desejando, por exemplo, uma linguagem predominantemente católica.” Noutra parte da mensagem é sublinhado que “a doutrina católica sobre as questões de gênero “afirma que ‘gênero é dimensão transcendente da sexualidade humana, compatível com todos os níveis da pessoa humana, entre os quais o corpo, a mente, o espírito, a alma. O gênero é, portanto, maleável, sujeito a influências internas e externas à pessoa humana, mas deve obedecer a ordem natural predisposta pelo corpo (Pontifício Conselho para a Família).”  

O cardeal Odilo Pedro Scherer, titular da Arquidiocese de São Paulo, em pronunciamento público, diz acreditar que a polêmica nas redes sociais em relação ao texto-base da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021, “precisa baixar um pouco a fervura”. Segundo o cardeal, a mobilização de opiniões desfavoráveis processada na comunicação digital, “está movida por um monte de preconceitos, é antiecumênica, está movida por paixões antiecumênicas; por outro lado, movida por acusações infundadas contra a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil”. Dom Odilo acrescenta: as condenações na rede social acusam de “ideologia de um lado, mas cometem o mesmo erro, de posição ideológica oposta, dura, fechada. Tudo o que não precisa numa Campanha da Fraternidade Ecumênica, quando o objetivo é realmente aproximar as igrejas, é promover uma iniciativa boa, juntos, nos aproximar mais.”  Proclamando que “Cristo é a nossa paz”, Dom Scherer chama a atenção de todos que se interessem pela temática abordada, para que não percam o foco do diálogo e da unidade, por serem ambos a verdadeira proposta da tradicional campanha.

 

Planos de saúde, corte salarial, alvará de soltura

 

Cesar Vanucci

 

“Quando vi o valor caí duro”.

(Cliente de plano de saúde, chocado com abusivo aumento)

 

● “O reajuste assusta os consumidores”, apregoa a manchete de página inteira. O susto tem toda razão de ser. Os usuários dos planos de saúde estão sendo surpreendidos, neste início de ano (até aqui, parecidíssimo com o ano que ficou pra trás), com majorações de 50 por cento em média, nos carnês dos planos de saúde. O noticiário explica que o despropositado aumento foi devidamente autorizado pela agência reguladora oficial. O órgão acolheu postulação das empresas credenciadas a operarem seguro saúde, sob a alegação de que se mostram defasadas as remunerações pelos serviços prestados... “Quando vi o valor, caí duro. Cheguei a conclusão que não vai dar mais pra continuar pagando plano de saúde, em razão desse aumento exorbitante devido às condições que estamos enfrentando em um contexto de pandemia. Resolvi cancelar o plano de saúde e estou à cata de outras medidas de assistência à saúde para minha família.” O desabafo de um cidadão do povo, lido acima, colhido ao acaso no jornal, traduz a perplexidade e inconformismo, pode-se dizer, dos 60 milhões de brasileiros que, de acordo com as estatísticas, mantêm planos de saúde. A sociedade brasileira não concorda com o fato de o órgão regulador permanecer, face à abusiva situação, “mudo e quedo que nem penedo”. É mais do que compreensível a expectativa que paira no ar quanto à eventualidade de alguma intervenção providencial capaz de conter a exorbitância assinalada nas faturas encaminhadas aos usuários dos programas de assistência à saúde. Ganha oportunidade mencionar, aqui, algo bastante curioso que ocorre, não é de hoje, na relação dos planos com os consumidores. Contingente apreciável de clientes bateu na porta da Justiça pleiteando a revogação de reajustes inopinados, na vigência do contrato, para certas faixas etárias. Amparados na legislação que protege idosos e consumidores, viram-se vitoriosos na 1ª e 2ª instâncias, mas com a restrição de não poderem desfrutar imediatamente do benefício da redução, a levar-se em conta a perspectiva de uma “súmula vinculante” a ser elaborada por instância superior. A espera pela “súmula vinculante” está sendo longa demais da conta.

● PEC (Proposta de Emenda Constitucional) propondo cortes salariais de servidores. Iniciativas desse gênero são reveladoras, mormente num país com nossas incomparáveis potencialidades, de inaptidão gerencial, falta de visão administrativa, insensibilidade social, ausência de imaginação para conceber programas arrojados com metas de acelerado desenvolvimento econômico e social. Ái de nós!

● Mais essa agora! Falsos alvarás de soltura permitiram a saída pela porta da frente de alguns presídios, de delinquentes da mais alta periculosidade. Traficantes de armas e drogas, sequestradores, entre eles. Pelo que foi divulgado, a maior parte desses estrepitosos casos ocorreu na ex-Cidade Maravilhosa de São Sebastião do Rio de Janeiro, território onde milícias bem articuladas deitam e rolam, zombando das leis e das autoridades. As façanhas ininterruptas do crime organizado conferem sentido ao brado contido em bela canção de Aldir Blanc: “Brasil, tira as flechas do peito do meu Padroeiro, que São Sebastião do Rio de Janeiro ainda pode se salvar.”

● A campanha educativa na televisão, promovida pela Prefeitura de BH e outros órgãos, exortando os “foliões” a se resguardarem, no período carnavalesco, mode que evitar contaminações pelo coronavírus, foi muito bem “bolada”. Sei de telespectadores que se postaram, frente à telinha, à espera do “intervalo comercial” no meio dos programas, só pra ver e ouvir as sugestivas cenas e melodias.

 

sábado, 20 de fevereiro de 2021

 

Brasileiros das Gerais

 

Cesar Vanucci

 

“Minas abriga o espírito mais livre da Nação”.

(Carlos Drummond de Andrade)

 

Brasil das Gerais. Gosto da expressão. Costumo empregá-la em falas e na escrita. Por sinal, ao tempo em que estive diretor na TV Minas, entre vários programas lançados, havia um com esse título. Ancorado no talento e irradiante simpatia da Roberta Zampetti, tornou-se “carro chefe” na grade de atrações da emissora.

A proposta era colocar em realce a cultura, as tradições, as realizações vinculadas ao desenvolvimento econômico e social, bem como os personagens e respectivos feitos representativos do processo evolutivo deste dadivoso pedaço de chão. O pedaço mais brasileiro, por um bocado de razões, do território continental que começa no Oiapoque e termina no Chuí.

Ano passado, antes do vendaval do coronavírus desabar, num encontro interacadêmico na Amulmig, anunciei, ao ensejo das celebrações dos 300 anos de Minas, a promoção de um ciclo de conferências tendo por foco a vida e obra de brasileiros nascidos nestas bandas que alcançaram os patamares mais elevados na galeria da história. Nomes consagrados no apreço das ruas. Por obvias razões, a empreitada não pôde ser levada a cabo. Ficou adstrita a uma única conferência, alusiva a JK, efetivada com a participação esplêndida dos acadêmicos coronel Klinger Sobreira de Almeida e economista Carlos Alberto Teixeira de Oliveira. Carlos Alberto descreveu a contribuição vanguardeira de Kubitschek na arrancada brasileira de desenvolvimento. Klinger trouxe informações inéditas acerca da carreira de Juscelino como médico na Polícia Militar.

Anoto, na sequência, os nomes dos brasileiros nascidos nas Gerais que iriam compor o ciclo de conferências, justamente pela circunstância de serem reconhecidos, no sentimento nacional - por conta das atividades a que emprestaram inteligência, capacidade empreendedora, lucidez de espírito e ardor cívico -, como figuras exponenciais da vida brasileira. Não deixa de ser emocionante e, a um só tempo, instigante, procurar entender porquê, como sublinha Carlos Drummond de Andrade, “O Estado mais tipicamente conservador da União, abriga o espírito mais livre”? Porquê  destas paragens, emergiram os vultos mais fulgurantes, em tantas áreas de atuação fundamentais, em tantos caminhos decisivos na escala civilizatória?

A lista confere sentido ao conceito expendido. Diz tudo. José Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, herói da nacionalidade; Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho; Mestre Ataíde, a mais importante figura da pintura no período colonial; Teófilo Otoni, o “Ministro do povo”; JK (desnecessário acrescentar qualquer coisa); Alberto Santos Dumont (dizer o que mais a respeito de seu invento?); Ary Barroso (bastaria a “Aquarela do Brasil” para glorificá-lo, mas ele fez outras centenas de magníficas canções); João Guimarães Rosa (nosso maior escritor, de ressonância universal); Carlos Drummond de Andrade, considerado maior poeta; Henriqueta Lisboa, a maior poetisa; o célebre cientista Carlos Chagas; Sobral Pinto, arauto do direito e das liberdades públicas; o pedroleopoldense de Uberaba Chico Cândido Xavier, mensageiro da paz e da generosidade; Edson Arantes do Nascimento, mais conhecido por Pelé, “Atleta do Século”.

Esses ilustres brasileiros das Gerais, com suas ideias fecundas e ações febricitantes ajudaram em muito a forjar o caráter nacional. São fonte de inspiração permanente na formulação de projetos voltados para o bem-estar humano, para que o país enverede por trajetória capaz de conduzi-lo ao destino que lhe é reservado no concerto das nações. Legaram-nos, com seus exemplos de vida, com sua inventividade e sensibilidade social, com seu arrojo construtivo ensinamentos que, bem absorvidos pelas lideranças, pelas gerações, permitirão à pátria amada Brasil realizar sua vocação de grandeza, na conquista do amanhã.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

 Não ao obscuratismo e ao negacionismo

 

Cesar Vanucci


“Debate não é sinônimo de combate.”

(Ministro Luiz Fux, presidente do STF)

 

Numa sessão memorável, abertura oficial do ano judiciário, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, exprimiu primorosamente o sentimento nacional, ao referir-se à pandemia e aos postulados democráticos que nos regem. Criticou, em termos veementes, o negacionismo e o obscurantismo cultural que norteiam o comportamento de setores radicais empenhados em ataques desabridos à ciência, com suas interpretações insanas das medidas que o bom senso e a experiência científica recomendam sejam adotadas no enfrentamento do flagelo. Mencionou, a propósito, manifestação do presidente do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul. Luiz Fux com a palavra: “Não tenho dúvidas de que a ciência, que agora conta com a tão almejada vacina, vencerá o vírus; a prudência vencerá a perturbação; e a racionalidade vencerá o obscurantismo. Para tanto, não devemos dar ouvidos às vozes isoladas, algumas inclusive no âmbito do Poder Judiciário. Confesso que fiquei estarrecido com a manifestação de um presidente de um Tribunal de Justiça, menosprezando esse flagelo, abusando da liberdade de expressão para propagar ódio, desprezar as vítimas e promover negacionismo científico. É tempo de valorizarmos as vozes ponderadas, confiantes e criativas que laboram, diuturnamente, nas esferas públicas e privadas, para juntos vencermos esta batalha.”

Noutro trecho da lúcida fala, proferida em sessão que contou com a presença do Presidente da República e de representantes do Congresso, Fux conclamou a união em torno da pacificação nacional. Sublinhou: “Estamos todos do mesmo lado. A pandemia demonstrou o quão apequenadas são nossas divergências e quão pontuais são nossas discordâncias, quando as comparamos com a grandeza de nossa missão – a de zelar pela força normativa da Constituição. Debate não é sinônimo de combate, tampouco discussão é sinônimo de discórdia.” Complementou o pensamento adiante: “Quem vive este Tribunal sabe que aqui não há senso de poder, mas, decerto, expressivo senso de dever.”

 

● Os olhares e os ouvidos da Nação estão fixados na tevê, no rádio, nos jornais na ansiosa expectativa de que, a qualquer momento, possa brotar uma manchete ruidosa anunciando que a vacinação vai ser processada, dali em frente, num ritmo bem mais célere. O “caminhar de cágado” da operação de imunização, imposto, ao que se sabe, por estratégia que leva em conta as disponibilidades das doses estocadas, está lançando no ar muita intranquilidade e desassossego. Cálculos aritméticos simples atestam que, a não ser incrementada pra valer a cadência nas aplicações levaremos mais dois anos pra chegar ao escopo ardentemente almejado da imunização global dos brasileiros. Entre países engajados em campanhas análogas, estamos classificados, segundo as estatísticas, próximos ao 50º lugar quando se mede a proporção percentual de pessoas vacinadas com o número de habitantes. Produzam mais, importem mais, promovam negociações mais amplas, lancem mão de todos os recursos possíveis para entendimentos satisfatórios, cá dentro e lá fora! Mas, por favor, cuidem de imprimir velocidade vertiginosa a esse providencial trabalho de proteção dos cidadãos! A rede de vacinação montada pelo SUS, como sabido, comporta condições ideais para que a imunização ampla, geral e irrestrita desejada se processe rápida e eficazmente. A população está no direito de exigir das autoridades competentes que cumpram exemplarmente seu dever.

                                            Leitor do “Blog do Vanucci” comenta

   os artigos publicados


● Previsão extraordinária de Wilson Miranda

● Atletas barrados no baile

Orlando de Almeida

Boa tarde amigo e mestre Cesar, Esplêndido seu artigo sobre o depois da Pandemia, que provavelmente, como disse o Rabino, exigirá a presença de um Bode na Sala. E do mundo inteiro. Será a volta do mundo velho normal. Resta-nos implorar a Providência Divina, que interfira nas mentes e corações dos humanos para que surja realmente, após este flagelo, um mundo novo normal.
Abraço do amigo, Orlando

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

 

Previsão extraordinária de Wilson Miranda

 

Cesar Vanucci

 

 “Perdemos o grande jornalista, produtor 

e pensador mineiro Wilson Miranda.”

(Jornalista Pepe Chaves)

  

Wilson Miranda é outro amigo que deixa de ser visto na estrada da vida. Jornalista, executivo da Associação Mineira de Imprensa, era considerado um profissional de grande competência na área da produção de programas televisivos. Meu saudoso mano, Augusto Cesar Vanucci, à época em que comandava a linha de shows e programas humorísticos da Rede Globo de Televisão, costumava convocá-lo amiúde como colaborador na montagem dos magistrais programas que dirigia. As pessoas que conviviam com Wilson sabiam que, além do mais, ele era dotado de dons muito singulares no tocante ao que conhecemos pela denominação de percepções extrassensoriais.

Registrando meu pesar pela sua passagem, fazendo minhas as palavras do companheiro Pepe Chaves no intróito a respeito desse ilustre cidadão, vou recontar aqui a história de uma previsão extraordinária que ouvi da boca de Wilson Miranda no dia em que o conheci. Utilizo na narrativa trechos de um capítulo do livro “Realismo fantástico”, lançado anos atrás.

“Encontrava-me no Rio, naquele dia, há pouco mais de 20 anos, aguardando num hotel, centro da cidade, transporte que me conduziria aos estúdios da emissora no Jardim Botânico. Acabara de conhecer um produtor de destaque da Globo Minas, convocado para o mesmo trabalho. Seu nome: Wilson Miranda. Tomávamos, juntos, o café da manhã, quando me dei conta, espantado, da mudança operada, de repente, nas feições, gestos e fala de meu parceiro de mesa. De forma vigorosa, sublinhando as palavras, dando curso diferente à conversa que vínhamos mantendo, ele declarou, com todas as letras, o seguinte: "Tancredo Neves não toma posse na Presidência!". Repetiu solenemente a frase. Sem conseguir esconder o aturdimento, disse ao meu interlocutor não acreditar, definitivamente, na eventualidade de qualquer ato que pudesse vir a degradar o processo da redemocratização, nascido da consciência cívica nacional. Ele, imperturbável, com a voz embargada, completou a estranha revelação: "Tancredo não vai tomar posse porque cairá doente e morrerá." Nos minutos seguintes, já liberto do – chamemos assim – transe, o respeitado homem de televisão a quem eu acabara de ser apresentado, retomou tranquilamente o tema do papo anterior. Mal cheguei ao estúdio e fui logo colocando o Augusto Cesar a par do ocorrido. Ele me contou, então, que o Wilson era um tremendo sensitivo e que convinha anotar sua chocante previsão, o que fiz na agenda.

O incrível episódio passou-se pouco tempo antes da posse presidencial, aguardada em clima de euforia por todos os segmentos da sociedade brasileira. Torcendo para que o temido vaticínio, concebido em circunstâncias tão enigmáticas, conhecido de poucos, não se concretizasse, acompanhei com nervosa expectativa a evolução da enfermidade do doutor Tancredo, por quem nutria, como todos os brasileiros, enorme admiração.

Fiquei grudado na televisão, os olhos marejados, o coração aos saltos, a desconfortável previsão acicatando a memória, a partir da hora do dramático anúncio do Antônio Brito de que o eminente homem público, depositário naquela quadra da vida nacional das esperanças de toda nossa gente, havia sido levado, inesperadamente, na véspera da posse, a um leito de hospital.

O resto virou História, como a Nação, ainda recentemente recordou nas manifestações ternas e saudosas com que reverenciou os 20 anos da retomada democrática e a participação cintilante, no empolgante movimento que conquistou as ruas, as mentes e os corações brasileiros, de seu líder maior, o notável homem público chamado Tancredo de Almeida Neves.”

No livro citado explico que, naquele mesmo dia da previsão, outros fatos desconcertantes ocorreram. Mas isso é conversa prá outra hora.

A SAGA LANDELL MOURA

Javier Milei, o trapalhão

  Presidente argentino resolveu agredir intempestivamente o presidente da República e o STF em solo brasileiro 1 de agosto de 2026 • Google ...