sábado, 6 de março de 2021

 

Mulheres no comando

 

Cesar Vanucci

 

“Uma porta foi aberta.”

(Cardeal Mario Grech)

 Ativistas dos direitos humanos, pessoal engajado em causas de valorização do papel da mulher na sociedade receberam com júbilo decisões, adotadas recentemente, nas esferas de atuação do Vaticano, Organização Mundial do Comércio e Jogos Olímpicos.

 Ngozi Okonjo-Iweala, economista, negra, nigeriana, é a primeira mulher a presidir a OMC. A mídia deu enorme destaque ao fato, ressaltando que a instituição ganhou novo alento para a execução de sua missão, já que vinha se mostrando entravada por força da hostilidade estadunidense, na gestão do golpista Trump. Com a nova dirigente e a disposição anunciada do presidente Joe Biden em prestigiar o órgão, o cenário altera-se, para melhor. Ngozi revelou que sua prioridade será a recuperação econômica global abalada pela pandemia. A OMC é referência em relações econômicas entre países. Assegura suporte técnico para o debate de questões ligadas às estruturas comerciais, estimulando acordos que abrandem conflitos. Conta com 164 países membros. O Brasil é um dos fundadores do órgão. Ngozi foi ministra de estado na Nigéria em duas ocasiões.

 O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio nomeou Seiko Hashimoto como sua nova presidente. Ela substitui Yoshiro Mori, que renunciou sob pressão da opinião pública, motivada por declarações sexistas. As Olimpíadas de Tóquio, como sabido, foram adiadas para este ano por causa da pandemia. Ao assumir, Seiko deixou dois postos no governo, um deles o de Ministra da Igualdade de Gênero. Participante desde 1995 da vida política é famosa ainda pela circunstância de haver disputado, como atleta, as modalidades de ciclismo e patinação em torneios olímpicos passados. Chegou mesmo a conquistar uma medalha de bronze em prova de patinação de velocidade nos 1500 metros, nas Olimpíadas de Inverno de 1982. É interessante ressaltar, a propósito das Olimpíadas de Tóquio, que o comitê responsável pela seleção dos atletas nipônicos instituiu um conselho consultivo onde cerca de 40 por cento dos integrantes são mulheres.

 Das designações, em dias recentes, pela primeira vez na história, de mulheres para cargos executivos de relevância mundial, as de maior força simbólica talvez tenham sido as ocorridas no âmbito da Santa Sé. O Papa Francisco, no ver de muita gente, o único grande estadista dos tempos modernos, nomeou duas pessoas do sexo feminino para cargos anteriormente ocupados exclusivamente por homens. Convocada para Subsecretária do Sínodo dos Bispos, Nathalie Becquart foi diretora do Serviço Nacional para a Evangelização da Juventude e das Vocações da Conferência dos Bispos da França. A posição a que foi alçada concede-lhe direito de voto no conclave. Com 52 anos, Becquart é relativamente jovem para os padrões do Vaticano. Catia Summaria, magistrada italiana, a outra mulher nomeada, vai responder pela função de Promotora de Justiça no Tribunal de Apelação do Vaticano. Até aqui, apenas os chamados “padres sinodais” podiam votar em sínodos da Igreja, embora já algumas mulheres deles participassem como observadoras ou consultoras. Em 2018, uma petição, contendo milhares de assinaturas, foi encaminhada ao Papa solicitando a presença de mulheres como votantes. “Uma porta foi aberta. Veremos que outros passos podem ser dados no futuro”, foi o comentário publicamente feito, a respeito das nomeações, pelo cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo.

Não são poucos os observadores a admitirem não estar tão distante assim o momento em que as mulheres possam vir a ter acesso ao sacerdócio na Igreja Católica. Deus louvado!

Um comentário:

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