segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Deu a louca (II)



*Cesar vanucci

“De onde, Deus do céu, poderá ter saído essa combinação implausível de religiosidade com ódio” (Ministro Luis Roberto Barroso, Presidente do Supremo)

 


Como se costuma dizer no linguajar de rua, coisas muito estranhas continuam pintando incessantemente no pedaço. Coisas, extravagantes, desconcertantes, arrancando ar de espanto no semblante das pessoas de bem com a vida, que não ocultam sua preocupação com tanto ato agressivo de tonalidade surreal. O noticiário nossa de cada dia traz mais estas frisantes amostras.

1) “Em nome de Deus” – O Ministro Luís Roberto Barroso, Presidente do STF, discursou – com o brilhantismo que lhe é peculiar – por duas vezes no evento intitulado “Democracia Inabalada”, na Corte e no Congresso. Em ambas descreveu atordoante cena. Cá está: “De tudo o que vi e ouvi, um fato me causou especial abalo. Um policial judicial do Supremo me descreveu que, após marretadas na parede e arremesso de móveis e de objetos, muitos dos invasores se ajoelhavam no chão e rezavam fervorosamente. De onde, Deus do céu, poderá ter saído essa combinação implausível de religiosidade com ódio, violência e desrespeito ao próximo? Que desencontro espiritual pode ser esse que não é capaz de mínima distinção entre o bem e o mal, entre o estado de natureza e a civilização? Que tipo de inspiração terá empurrado essas pessoas numa ribanceira moral?

2) Residências Parlamentares – A mesa diretora da Câmara do Deputados estabeleceu prazo, melhor dizendo, ampliou prazo anteriormente estipulado, para a desocupação de moradias destinadas a exercentes de mandato parlamentar. Mas qual a razão da medida? Indagará, curioso, o distinto leitor. Simples (e chocante) assim: muitos dos chamados “apartamentos funcionais” estão sendo habitados por políticos que não mais possuem mandato eletivo. As más línguas andam dizendo em Brasília que o bando de invasores das unidades residenciais cogita formar um bloco no carnaval que se avizinha, usando como refrão famosa marchinha momesca: “daqui não saio, daqui ninguém me tira”.

3) Taxa da Milícia Esta aconteceu no Rio de Janeiro das “absurdidades factíveis”. O Prefeito Eduardo Paes publicou em sua conta na rede social um desesperado apelo ao Ministro da Justiça substituto, Ricardo Cappeli e à Policia Federal para que desfechem operação contra audaciosos milicianos cariocas que estão a exigir “taxa de licenciamento” com relação a obras de interesse público. Os marginais “fixaram” somas avultadas dos empreiteiros para “permitirem” o andamento das construções. Chamou a atenção o fato de o SOS ter sido dirigido ao sistema de Segurança Federal e não ao  sistema Estadual, o que está sendo apontado por observadores como  demonstração da desconfiança que o trabalho das policias cariocas suscita nas diferentes esferas dos Poderes Constituídos. “Vamos sair pra cima desses bandidos!” – Respondeu Cappeli.

4) PL e PT juntos – no tribunal eleitoral do Paraná corre um processo ajuizado pelo PL (Partido Liberal), com apoio (impensável em qualquer outra circunstancia) do PT (Partido dos Trabalhadores). O Senador Sergio Moro é acusado no processo em tela de haver utilizado indevidamente recursos provenientes do Fundo Eleitoral. A história adquire caráter mais bizarro quando se tem em vista que o PL é a agremiação partidária do ex-presidente Jair Bolsonaro. Do qual se presume seja Moro um aliado. Todo mundo se recorda da prestimosa assessoria que o ex-juiz prestou, nos debates da televisão, a Bolsonaro, na campanha pela reeleição. Seja relembrado também que o Senador deixou seu cargo na magistratura Federal para ser Ministro da justiça, desligando-se da função com contundentes críticas ao Governo.

 

Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)

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