sábado, 21 de novembro de 2020

 A cor do gato

 

Cesar Vanucci

 

“Vacinação em massa e gratuita”

(Joseph Biden, presidente do EUA)

 

Assim que definida, de modo insofismável, sua escolha como presidente dos Estados Unidos da América, Joseph Biden anunciou vacinação gratuita contra o Covid-19 para todos. Traduziu irrefreável vontade das ruas. Todas elas. Ruas de seu país. Ruas do mundo inteiro.

Uma vacina que seja capaz de assegurar imunização contra o flagelo que açoita a humanidade constitui, certeiramente, nesta quadra da existência humana, aspiração suprema ardentemente compartilhada pela gente do povo em todos os quadrantes do planeta. Independentemente de nacionalidade, cultura, etnia, credo, idioma, hábitos comportamentais, condição social, todos, em todos os lugares, anseiam pelo momento histórico em que a Ciência irá fazer uma proclamação liberando a fórmula, ou as fórmulas farmacêuticas eficazes para o combate vitorioso ao vírus letal. Tanto as lideranças conscientes, quanto a opinião pública compenetrada de suas prerrogativas nas práticas cidadãs estão suficientemente informadas de que a ela, Ciência, é que toca proferir a decisão acerca dos procedimentos corretos a serem adotados, na momentosa questão da vacinação, no sentido de garantir a almejada proteção das populações.

A “politização da vacina”, acirrando fastidiosas polêmicas, dando vaza a egocentrismos e a reações demagógicas, bem como a manifestações histéricas fundamentalistas e teorias conspiratórias dos “terraplanistas” de carteirinha, coloca em desconforto a sociedade. Agride o sentimento das ruas. O sentimento nacional. Traz desassossego e confusão. O bom-senso e o acatamento comunitário confiante às recomendações emanadas das instituições científicas oferecem blindagem contra esses fatores de distorção dos fatos e de negacionismos mórbidos e persistentes.

Um velho ditado anota que não importa a cor do gato, o que importa mesmo é que ele, gato, pegue o rato. Trazendo o emblemático conceito para a faixa cotidiana em que ocorrem as estéreis discussões provocadas por uma minoria barulhenta, é o caso de se afirmar, em alto tom, não importar coisa nenhuma que a vacina seja inglesa, americana, chinesa, australiana, alemã, canadense, russa. O que importa, de verdade, é que ela imunize as pessoas contra a enfermidade. Assegure proteção ampla, geral, irrestrita, tenha efeitos duradouros e, quem sabe até, definitivos.

Há uma “torcida uniformizada” global aí, carregada de esperança, aguardando que todos os experimentos laboratoriais em curso cheguem, no mais curto espaço possível, e, se possível também, todos ao mesmo tempo, ao derradeiro e redentor objetivo. E que, ainda, as vacinas possam, todas elas, ser produzidas em escala volumosa suficiente de modo a favorecer utilização maciça imediata, a custo zero, pelas multidões.

A propósito, o provérbio acima citado é chinês. Seu entendimento, universal.

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