sexta-feira, 6 de setembro de 2019


Magníficos eventos culturais

Cesar Vanucci

“A cultura é nossa tomada de conhecimento do melhor
do que se tem sabido e dito (...) da historia do espírito humano.”
(Matthew Arnold, pensador britânico)

Numa única semana, encarrilhados, três magníficos eventos culturais. A posse de Luiz Carlos Abritta na presidência do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. A palestra de Maria Inês Marreco na Amulmig, focando o tema “Minas Gerais: Celeiro de Talentos”. O relançamento do livro “O Pequeno Jornaleiro”, de Maria Inês Chaves de Andrade, ilustrações de Son Salvador, com os direitos autorais cedidos pela autora a uma obra social instituída pelos inesquecíveis Pedro Aleixo e Helena Antipoff.

Na festividade mencionada em primeiro lugar, que teve por palco o Instituto Histórico e Geográfico, junto com a posse da nova diretoria ocorreu a celebração do 112º aniversário da instituição. Frei Evaldo Xavier Gomes oficiou a Ação de Graças pela efeméride. No discurso de despedida da função, Aluizio Alberto da Cruz Quintão apresentou, com a colaboração da vice-presidente Regina Almeida, relatório das fecundas atividades levadas a efeito no mandato trienal encerrado. Um quadro com retrato do ex-presidente foi descerrado na galeria do salão nobre. Os acadêmicos Paulo Ramiz Lasmar e Joaquim Cabral Netto também fizeram uso da palavra. O primeiro enumerou iniciativas culturais relevantes executadas no curso da gestão finda. O segundo saudou, em nome do sodalício, o novo presidente, seu companheiro de muitos anos nas lidas do Ministério Público. O pronunciamento do novo presidente foi antecedido de lance que deixou forte emoção. Dois filhos do empossado recitaram poemas de Osvaldo Abritta e de Maria da Conceição Antunes Parreiras Abritta. Ele, magistrado, intelectual vinculado ao movimento modernista liderado por Oswald Andrade, pai de Luiz Carlos Abritta. Ela, poeta consagrada, integrante de várias academias literárias, esposa de Luiz Carlos. Ambos, de saudosa memória.

Apontando os nomes dos componentes da diretoria, conselho fiscal e comissões que darão suporte administrativo e técnico às ações, o dirigente empossado detalhou seus planos de trabalho. Anunciou, como primeiro ato, a constituição de grupo de acadêmicos para coordenar programa, previsto para 2020, comemorativo do terceiro centenário da criação da capitania das Minas Gerais. A festa no Instituto Histórico, por inúmeros lances, pelos discursos ouvidos, de excepcional conteúdo intelectual, revestiu-se de fulgor difícil de ser igualado em cerimônias do gênero.

O evento, na Amulmig, que teve Maria Inês Marreco como expositora, alcançou igualmente incomum brilhantismo. Ancorada em rica pesquisa, prevalecendo-se de opulenta bagagem de conhecimento e de invejável fluência verbal, a conferencista brindou a plateia com narrativa atraente sobre a vida e feitos de mineiros que, ao longo da história, despontaram em posições de realce em diferentes áreas da atuação comunitária. O trabalho apresentado arrancou aplausos e suscitou, por parte dos presentes, observações que serviram para robustecer a tese do protagonismo decisivo assumido por cidadãos nascidos nas Gerais na construção do desenvolvimento nacional. Assim é que foram citados, como personagens de proa no cenário brasileiro, entre outros, os nomes de Joaquim José da Silva Xavier, Juscelino Kubitscheck de Oliveira, Sobral Pinto, Santos Dumont, Carlos Drummond de Andrade, Henriqueta Lisboa, Ary Barroso, Carlos Chagas, João Guimarães Rosa, Edson Arantes do Nascimento, Darci Ribeiro.

Também na Amulmig – Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais – aconteceu outra assembléia repleta de significação cultural, com a participação de convidados ilustres, entre eles descendentes e amigos do notável político e jurista Pedro Aleixo e admiradores da renomada educadora Helena Antipoff. A festejada acadêmica Maria Inês Chaves de Andrade, escritora, poeta, professora, advogada, figura de presença realçante na cena literária mineira, promoveu o relançamento do livro “O Pequeno Jornaleiro”, doado à “Associação do Pequeno Jornaleiro”. Essa organização, criada há 85 anos pelos saudosos Pedro Aleixo e Helena Antipoff, administrada na atualidade por Mauricio Aleixo e Úrsula Aleixo, filho e neta de Pedro Aleixo, desdobrou-se no curso do tempo transcorrido em outros núcleos operacionais de caráter assistencial. Na solenidade, os 90 anos de produtiva existência de Mauricio Aleixo foram festivamente celebrados. Em seu discurso, Maria Inês sublinhou a importância social da “Associação do Pequeno Jornaleiro”, lembrando que Pedro Aleixo deu a partida, Mauricio Aleixo tocou a obra adiante, Úrsula Aleixo ampliou-a “e eu me deixo, dessarte participar desta narrativa linda, fazendo a minha para brincarmos juntos nossa alegria interior”.


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