sexta-feira, 4 de setembro de 2015


CONVITE ESPECIAL PARA OS AMIGOS DO BLOG DO VANUCCI




Rumos democráticos

Cesar Vanucci

“A democracia é, antes de tudo, um estado de espírito.
Lá démocratie est d’abord um état d’esprit.”
(Pierre Mendès-France, político francês)

Só pode ser ignorância ou má fé. Ou então – elevando a ênfase a volume máximo – ambas as duas coisas juntas, umbilicalmente ligadas,  irremediavelmente entrelaçadas.  Só pode ser.

Ver e ouvir nas redes sociais, na televisão, em faixas e cartazes de rua, proposições ruidosas defendendo um regime autoritário no lugar do regime democrático produz, no espírito das camadas lúcidas e sensatas – afortunadamente para o Brasil, esmagadora maioria – uma sufocante sensação de desconforto e mal-estar. O disparate impatriótico dá suporte à convicção de que os autores de sugestões tão escalafobéticas, pra dizer o mínimo, só podem estar sendo mesmo acionados, nas delirantes vociferações, como já enunciado, por crassa ignorância ou incomensurável má fé.

Ninguém provido de bom senso está a fim, na hora atual, de dourar pílulas. De rechaçar o óbvio ululante. Dá, sim, pra perceber com nitidez vincos de desencanto estampados em muitos semblantes. Olhares de frustração e desconfiança e gestos de inconformismo espedaçados no ar. Mesmo não desconhecendo e, até mesmo lastimando os sinais de exacerbado sensacionalismo detectado no bombardeio midiático centrado nas mazelas da corrupção sistêmica que de muito nos angustia, a opinião pública tem externado desassossego com o que rola no panorama nacional. Deplora as evidências de descontrole político de muitos, traduzido em atos de imobilismo gerencial, paixões incendiárias, manobras partidárias despojadas de grandeza, egos inflados à undécima potência. Considera de suma relevância as investigações em andamento atinentes aos malfeitos registrados nas searas política e administrativa. A opinião pública expressa, ainda, total concordância quanto a aplicação de punição exemplar aos envolvidos em desvios de recursos devidamente comprovados.

Se, por um lado, esse o estado de espírito dominante (de maneira, aliás, compreensível) em diferentes estamentos da sociedade, é fácil identificar, de outra parte, grau elevado de confiança e, de certo modo, uma repousante atmosfera de alívio comunitário diante da constatação de que as instituições democráticas respondem satisfatoriamente às aspirações gerais, nesse capítulo das apurações de irregularidades administrativas. Demonstram firmeza nunca dantes observada ao enfocar denúncias vindas à tona sobre malversação de dinheiro público.

Trata-se de procedimento altamente salutar para o país. Prova maturidade e sensibilidade social. Projeta desejo forte de mudanças alicerçadas em utopia positiva, tecida de emoção e regras.

O que a Nação realmente deseja, nesta hora, é que na esteira das operações desencadeadas pelos poderes competentes com o fito de deslindar, doa a quem doer, situações promíscuas englobando agentes governamentais inidôneos e empreendedores inescrupulosos despontem medidas eficazes com vistas a correção de rumos. E que essas providências se revelem suficientes para extinguir a instabilidade política, fortalecer e aprimorar o sistema republicano, reaver a cadência do desenvolvimento econômico e social. Tudo isso sem crise institucional, sem apelações grotescas à ruptura de preceitos constitucionais, sem golpes rasteiros que possam tisnar a claridade solar da opção pela democracia, presente - mercê de Deus - nas mentes e corações.


Um partido chamado Brasil

Cesar Vanucci

“Não temos saudade da voz única das ditaduras!”
(Marcos Vinicius Furtado Coelho, presidente da OAB)

A sociedade emite sinais bem visíveis de fadiga com relação ao clima de instabilidade gerado pelas incendiarias paixões e egos exacerbados que andam pintando no pedaço político.

Em “Carta à Nação”, a Ordem dos Advogados do Brasil e as Confederações nacionais do patronato, secundadas por outras respeitáveis instituições, deixam isso muito bem explicitado ao lançarem um conjunto de propostas para a superação de uma crise que possui, iniludivelmente, conotações de cunho mais político do que econômico. “Independentemente de posições partidárias – acentua-se no texto – a Nação não pode parar, nem ter sua população e seu setor produtivo  penalizados por disputas ou dificuldades de condução de um processo político que recoloque o país no caminho do crescimento.” (...) “É preciso que as forças políticas, de diversos matizes, trabalhem pela correção e rumos da Nação. É uma tarefa que se inicia pelo Executivo, a quem cabe o maior papel nessa ação, mas exige o forte envolvimento do Congresso, do Judiciário e de toda a sociedade.”

Marcos Vinicius Furtado Coelho, presidente da OAB, mostrou-se bastante enfático ao reivindicar, em entrevista anunciando o memorial, que as mudanças sejam processadas com “estrito respeito à Constituição”. “Nem queremos ser longa manos de governo e nem linha auxiliar de oposição”, assegurou, adicionando a informação de que o impeachment de Dilma Rousseff, por alguns aventado, não integra definitivamente a pauta do grupo. A defesa intransigente da Constituição – ressaltou ainda – opõe os signatários do documento a qualquer tentativa de ruptura do sistema democrático. “Não temos saudade da voz única das ditaduras. Esse é um ponto que não abrimos mão”, arrematou.

No documento, é sugerido o fortalecimento do Judiciário nas investigações de corrupção, com garantia de segurança jurídica nos processos e a aplicação de regras claras que contribuam para a desburocratização e investimentos na infraestrutura.

Outras manifestações públicas de líderes empresariais influentes e mais o posicionamento do presidente do Senado, até certo ponto surpreendente em razão de seu controvertido protagonismo no xadrez político, revelam que são numerosos os setores engajados na tarefa de  amainar ânimos exageradamente exaltados e em pontilhar um roteiro de ações propositivas de interesse nacional.

O empresário Paulo Cunha, do Grupo Ultra, revela-se alinhado com os conceitos emitidos por Luiz Carlos Trabuco, quando o presidente do Bradesco conclama as pessoas a gestos de grandeza que separem “o ego pessoal daquilo que é o melhor para o País”.

Cunha confessa-se radicalmente contrário à ideia do impedimento da Chefe do Governo, reconhecendo a inexistência de razões para medida tão extrema, vaticinando que “isso cindiria o País ao meio”.

“Nosso partido é o Brasil!”. Proclama a “Carta da Indústria” divulgada pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e seus 137 sindicatos associados, posicionando-se “em defesa de princípios e valores capazes de reconduzir o Brasil aos caminhos do desenvolvimento sustentável e da estabilidade”. A manifestação da indústria considera indispensável que “as soluções passem pela independência e harmonia dos Poderes, pela cooperação entre eles (...), pelo respeito ao Estado de direito, às instituições, à democracia e à Constituição.”

A “Agenda Brasil”, assim batizada pelo Senador Renan Calheiros, presidente do Senado, contempla, a seu turno, um conjunto de propostas relevantes para o debate nacional em torno das diretrizes a seguir. É considerada outra oportuna contribuição ao desanuviamento das tensões.

As propostas expõem a necessidade da retomada de obras de infraestrutura, contemplam a questão fiscal de modo a que se possa fomentar receitas a curto prazo, como a criação de um modelo seguro visando a repatriação de capitais e a criação de regras estáveis para a retomada das concessões, além de muitos outros itens reconhecidos como estratégicos dentro de um esquema desenvolvimentista.

De tudo quanto posto emerge a cristalina e reconfortante certeza de que as forças vivas da Nação não esmorecem na crença nas potencialidades brasileiras para se sobreporem com êxito a qualquer crise, não importa o tamanho. O Brasil, como dito acima, é o partido preferido de todos nós.



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