quinta-feira, 13 de agosto de 2015

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O futuro é aqui

Cesar Vanucci

“O Brasil permanece o Brasil.”
(Domenico de Masi, sociólogo de renome mundial)

Domenico de Masi, o nome dele. Sociólogo italiano de renome universal, não esconde a paixão pelo Brasil. Manifesta tal sentimento, outra vez mais, num depoimento dado em Roma a Roberto D’Ávila. Abra-se parêntesis para anotar que o competente entrevistador citado sobressai-se, em relação a inúmeros colegas de profissão, pela circunstância de saber conduzir sua tarefa sem importunar o interlocutor, deixando-o à vontade para expressar livremente as ideias. Na entrevista divulgada pela “Globo News”, Masi recoloca a tese sustentada no livro “O futuro chegou – modelos de vida para uma sociedade desorientada”.

E de que tese está mesmo a falar, com convicto fervor, o consagrado pensador? Perpassando, em meticulosa análise estendida por oitocentas páginas pelos sistemas de convivência social que mais acentuadamente marcaram a história nestes dois mil e quinze anos da era cristã, Domenico focaliza quinze modelos socioeconômicos e religiosos testados pela humanidade. Batiza-os com títulos que enfatizam traços peculiares da essência de cada um.

Estes os modelos apontados: 1. O modelo indiano – Humanismo espiritual; 2. O modelo chinês –  Grandeza composta; 3. O modelo japonês – O refinamento do guerreiro; 4. O modelo clássico – Equilíbrio e beleza; 5. O modelo hebraico – O povo de Deus; 6. O modelo católico – A felicidade não é desta terra; 7. O modelo muçulmano – Fé e conquista; 8. O modelo protestante – Graça e rigor; 9. O modelo iluminista – Razão e progresso; 10. O modelo liberal – Mão invisível e sem preconceito; 11. O modelo industrial capitalista – Produzir para consumir; 12. O modelo industrial socialista – Reformismo, cooperação, felicidade: 13. O modelo industrial comunista – Revolução, coletivismo, terror; 14. O modelo pós-industrial – Sociedade programada e virtual; 15. O modelo brasileiro – O futuro chegou.
O estudo discorre sobre virtudes e equívocos dos modelos globais já experimentados, desembocando na conclusão de que o progresso civilizatório só pode ser medido pela qualidade de vida das pessoas.  E que isso só é mesmo alcançado na plenitude com práticas de relacionamento humano ancoradas no ócio criativo, na meditação, no lazer, na contemplação da beleza, na amizade, na solidariedade e na convivência fraternal. O Brasil, por força de estupendas virtudes, entende ele, encaixa-se soberbamente num modelo ideal que a humanidade carece adotar visando a própria sobrevivência. Melhor dizendo, projeta esplendidamente esse modelo nas coisas que faz.

“Não obstante o traço colonizador da Europa e Estados Unidos, o Brasil permanece o Brasil e os aspectos originais e melhores da brasilidade continuam a prevalecer sobre os importados e negativos”, assevera o pensador. Acrescenta que os conceitos expendidos constituem a suma de estudos aprofundados de muitos anos da realidade brasileira. Masi ressalta, a propósito, que o juízo de valores assimilado derivou de valiosa contribuição trazida pela leitura das obras de intelectuais brasileiros, por ele classificados como pensadores de vanguarda no mundo contemporâneo. São citados, entre vários outros, Gilberto Freire, Euclides da Cunha, Sérgio Buarque de Holanda, Cristovam Buarque, Caio Prado Junior, Fernando Henrique Cardoso. Darcy Ribeiro é aquinhoado pelo sociólogo italiano com especial louvação. Ele assinala que os trabalhos desse mineiro de inteligência fulgurante ajudaram-no a conhecer melhor as entranhas de nosso processo civilizatório a partir do caldeamento racial. Masi reporta-se, ainda, aos estudos de Stefan Zweig sobre a vida brasileira. Esse intelectual austríaco também encantou-se com o país, exaltando-o como “O país do futuro”. A respeito da expressão, Masi registra que, antes de Zweig, o escritor brasileiro Jorge Amado, utilizou-a abundantemente em suas criações literárias.

Domenico de Masi aposta, esperançoso, no modelo brasileiro como saída futura para os desafios de uma sociedade desorientada. Considera, no complexo estudo, que os lances culturais dominantes na vida brasileira situam-nos, entre todos os países do mundo, como o mais preparado para definir novas formas de relacionamento diante dos conflitos pós-industriais. Enaltece a circunstância de que o Brasil “nos cinco séculos de sua história europeizada, exilou seus dois imperadores, substituiu a monarquia pela República, levou ao poder ditadores e os destituiu, sempre recorrendo a grandes movimentos de rua, sem degenerar em guerra civil”. Os argumentos utilizados para fundamentar seu empolgamento com o Brasil contêm poder contaminador mais que suficiente para induzir-nos, todos nós, a promover sinceros esforços no sentido de redescobrir as potencialidades e virtualidades inseridas no dna da Nação.

Mais Domenico de Masi na sequência.


Concepção poética da vida

Cesar Vanucci

“Ninguém teria bombardeado as Torres
Gêmeas se elas estivessem localizadas no Brasil.”
(Domenico de Masi)

Lançar no papel resumo fiel da tese sustentada por Domenico de Masi em “O futuro chegou”, na qual o Brasil é apontado como o lugar onde pontificam os valores humanísticos capazes de assegurarem à sociedade pós-industrial o modelo universal, ecumênico e mestiço ideal para que a espécie humana sobreviva, afigura-se tarefa impossível.

O que dá, sim, pra ser feito é registrar, singelamente, como ligeira amostra do colossal conjunto de argumentos alinhados, algumas sugestivas frases, colhidas ao acaso, indicativas dos pontos essenciais abordados no estudo. São ditos reveladores, todos eles, de que o Brasil, a partir de certo momento, aprendeu “a observar a si próprio produzindo ótimas análises de antropologia e sociologia, de economia e de política”.

Reconhecendo, como cita Gilberto Freyre, que nosso país vive o sincretismo dos opostos, o matrimônio daquilo que é inconciliável à primeira vista, Domenico anota que “a mistura de fatores tão diversos, que em outros contextos resultaria destrutiva”, no caso brasileiro é benéfica. “O conceito de “brasilidade” – aduz – remete imediatamente ao encontro e à relação interpessoal. As relações englobam os indivíduos. O individualismo assume uma acepção negativa. Viver significa ter relações sociais. Saudade significa interrupção infeliz dessas relações.”

O sociólogo fascinado pelo Brasil vai fundo na análise do modo de ser da gente brasileira. Eis o que afiança: “À harmonia do físico, à sensualidade e à saúde acrescentam-se qualidades psicológicas como a amizade, a cordialidade, o senso de hospitalidade, a sociabilidade, a generosidade, o bom humor, a alegria, o otimismo, a espontaneidade, a criatividade. Por isso, a cultura brasileira é amada em todo o mundo: nunca ninguém teria bombardeado as Torres Gêmeas se elas estivessem localizadas no Brasil.”

Pra admitir, mais adiante, coisas assim: “Muitos são os elementos que conseguem amalgamar as diversidades oferecendo ao interior e exterior uma imagem unitária do país.” (...) “A natureza exuberante (...) faz do Brasil um país tropical orgânico.”(...) “No plano social, o papel unificante é desempenhado pela estrutura federativa dos Estados (...), pela língua geral, pelo sincretismo cultural (...), pela sexualidade sem sentimento de culpa (...), pela notável capacidade de reciclagem cultural (...).”

Para o famoso sociólogo o Brasil é um país permanentemente aberto ao novo e às mudanças. Sabe confrontar a realidade com sentimento positivo mesmo nos piores momentos. Ele assevera ainda que o país atravessa um momento mágico, “uma situação única em relação ao seu passado e ao seu futuro.” No momento em que os modelos-mito testados pela humanidade entram em crise profunda, “o gigante latino-americano está sozinho consigo mesmo.” Por ser um país que “antecipa situações que a sociedade industrial tende a globalizar”, por representar “exemplo eloquente” de uma nação que vive em paz com as nações com as quais faz fronteiras, o modelo de vida derivado de seu jeito especial de ser “cultiva uma concepção poética, alegre, sensual e solidária da vida, uma propensão à amizade e à solidariedade, um comportamento aberto à cordialidade.” E isso tudo aflora apesar das mazelas sociais amplamente detectadas, como a violência, a escandalosa desigualdade entre ricos e pobres, a corrupção sistêmica e a carência de infraestrutura.

Domenico proclama que o Brasil oferece ao mundo os ingredientes básicos para a estruturação de uma nova ordem universal, por ser um país que “nunca fez guerra de poder com o resto do mundo.” Acrescenta que “isto lhe confere uma nobreza única e amorosa porque, como diz Lacan, o contrário do amor não é o ódio, mas o poder.”

Por isso, conclui, nosso país está em condições de gerir o modelo inédito de que o mundo tanto precisa.

Os outros e nós

Cesar Vanucci

“Somos um dos povos mais
sensatos e inteligentes do mundo.”
(Alberto Torres)


Diz aí: qual seria mesmo o estado de espírito do caríssimo leitor, como cidadão brasileiro, se se desse conta, de repente, não mais que de repente, que centenas ou até milhares de jovens patrícios, a pretextos variados - desencanto com a vida, frustração social, por exemplo -, todos impregnados de fanatice religiosa, resolvessem pegar o boné e se mandarem para os confins das arábias, alistando-se nas fileiras do chamado Califado do Terror?

Pois bem, cidadãos de numerosos países europeus, sem esquecer de citar outras regiões nas proximidades desses conflitos que estremecem o mundo, defrontam-se presentemente com o atordoante drama do fornecimento em caráter “regular” de mão de obra para as forças armadas jihadistas. Nos cálculos de observadores qualificados, os recrutas de procedência europeia, moças e moços, sem se perder de vista a sugestiva anotação de que também muitos norte-americanos têm se alistado na “Legião estrangeira” em ação na Síria, Líbia e Iraque, já ultrapassam a casa dos 20 mil. Dá pra imaginar a colossal encrenca que tais elementos, ideologicamente intoxicados pelos insanos conceitos de vida de sua grei, estarão em condições potenciais de armar nos próprios territórios de origem, na hipótese de um retorno até mesmo decretado com finalidades perversas pelas lideranças do movimento? Falo disso tudo, naturalmente chocado como ser humano com os rumos extraviados deste mundo do bom Deus, onde o diabo costuma também fincar seus enclaves, para chamar a preciosa atenção dos leitores com relação a um tremendo equívoco laborado por muita gente. Esse pessoal insiste em proclamar, alto e bom som, que os problemas confrontados por nós, brasileiros, em matéria de convivência social, são infinitamente mais graves do que os de outros países. Pois, sim!

O problemão acima apontado, sem falar de inúmeros outros problemas que atormentam a comunidade europeia, deixa claro que as coisas não são bem assim. As situações difíceis por aqui enfrentadas não projetam, na maior parte, o mesmo teor de contundência social irremissível que se nota tantas vezes por lá. Atentar pra isso.


Apesar da desaceleração...
Apesar de haver sofrido queda de um ano para outro (2013-2014), acompanhando por sinal forte tendência mundial, o fluxo de investimentos estrangeiros diretos no país confere-nos ainda, neste justo momento, posição de realce no mapa dos negócios. Isso ajuda a explicar que, malgrado a desaceleração econômica percebida, o Brasil não é visto na programação de negócios dos capitalistas externos como um mercado a ser evitado, ao contrário do que certas análises econômicas sugerem. A Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento) fornece dados que dão suporte à observação acima. Anotem este registro: o total de investimentos diretos no mundo – aquelas aplicações feitas a longo prazo nas economias regionais – despencou em cerca de 16,3 por cento ano passado, movimentando recursos de US$ 1.23 trilhão.

Já o índice da redução concernente ao Brasil foi consideravelmente menor: 2.3 por cento. “Acima apenas 4 por cento do nível da crise mundial de 2008 e 12 por cento abaixo do que foi investido entre 2005 e 2007”, segundo Luis Afonso Lima, dirigente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transacionais e da Globalização Econômica, organização incumbida de divulgar os dados da Unctad entre nós.

Pelo que fica evidenciado, o desempenho brasileiro na captação de  investimentos estrangeiros, bem superior relativamente ao da maior parte dos países elencados, permitiu, então, que no “ranking” das nações que mais recebem recursos externos, saltássemos da sétima para a sexta posição. A queda brasileira – repita-se, de 2.3 por cento no ano passado – foi também acentuadamente menor que a média de 14.4 por cento da América Latina como um todo. Bom sinal.



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