sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Campanha eletrizante




“Quero dizer ao povo que é muito importante o direito
de votar e que tudo  está ocorrendo na maior tranquilidade.”
(Ministro José Antônio Dias Toffoli, presidente do Tribunal Superior Eleitoral)



Alinhamos abaixo lances marcantes dessa campanha eleitoral memorável, carregada de vibração, que nos acena neste momento com epilogo eletrizante.

Soberbo, magnifico, fabuloso! Qualquer desses vocábulos, bem como outros de tom equivalente, pode ser empregado com precisão para definir o desempenho da Justiça Eleitoral. O aparato institucional montado para a coleta de votos e a apuração em tempo recorde dos resultados da colossal consulta popular de cinco de outubro alça-nos a uma condição invejável no panorama internacional. Nenhum país do mundo realiza, em tempos de hoje, processo eleitoral comparável. Em que pese o escasso noticiário a respeito, representantes de numerosas nações acompanharam de perto o competente trabalho executado, recolhendo subsídios para a implantação de algo assemelhado.

Temos aqui outro bom motivo para exercitar nossa ufania: a sociedade brasileira deu, uma vez mais, no comparecimento tranquilo e ordeiro às seções eleitorais, provas exuberantes de fervor cívico e de vitalidade democrática.

A comoção nacional provocada pela retirada da disputa, de maneira trágica, do candidato Eduardo Campos deu origem, ao que tudo faz crer, à ascensão meteórica de Marina Silva nas intenções de votos. Não saberíamos dizer com convicção se o declínio na caminhada da candidata teve a ver com propostas consideradas inconsistentes, ou com ausência de um suporte partidário adequado. Apontada repetidamente como favorita a concorrer ao segundo turno, Marina acabou, na hora do “vamos ver” eleitoral, deslocada para terceiro lugar na tábua de classificação. Acumulou, apesar disso, votação expressiva.

Pela vontade soberana das urnas, a competição presidencial voltou a ficar polarizada entre PT e PSDB. Aécio Neves conseguiu, nos derradeiros instantes da primeira etapa da corrida, assenhorear-se de votos que pareciam destinados à candidata do PSB e da REDE.

O triunfo de Dilma Rousseff em termos nacionais foi significativo, com destaque para os números alcançados em Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Norte e Nordeste. Em São Paulo, Paraná, Distrito Federal, Espirito Santo, o desempenho de Aécio Neves foi também muito bom.

Para quem tem olhos pra enxergar e ouvidos pra escutar, não passa despercebida, a esta altura do campeonato, a opção da grande mídia pela candidatura oposicionista. O “Jornal das 10” e o “Manhattan Connection”, da “Globo News” no domingo da eleição traduziram emblematicamente essa tendência nas falas preconceituosas, crivadas de deboche e chacota, de parte dos comentaristas encarregados de  analisar a marcha das apurações. 

As falhas dos institutos de pesquisa recolocam a urgência de um debate em torno dos métodos de consulta tradicionalmente empregados nesse valioso trabalho informativo. Nenhum setor comprometido com o processo eleitoral pode mais se furtar a avaliações e reflexões concernentes ao momentoso tema.

São perfeitamente compreensíveis as especulações que partidários dos candidatos fazem, nesta reta final, a respeito de para quem convergirão, majoritariamente, os votos atribuídos no primeiro turno aos candidatos derrotados. Revela-se também bastante lógico o grande esforço que as forças promovem com vistas a atrair a simpatia dos que se abstiveram de votar no primeiro turno, 27 milhões em todo o país, 3  milhões só em Minas. Bem como dos 4,4 milhões (mais de 1 milhão em Minas), que votaram em branco; e dos 6,6 milhões (em Minas também acima de 1 milhão) que anularam o voto. São números pra sacudir qualquer eleição.    



Nesta fase final da campanha, a opinião pública não esconde o receio de que o passionalismo político possa alimentar uma indesejável onda de baixarias e de denuncismos inconsequentes. Como, aliás, já aconteceu em outras jornadas eleitorais. Mas, nada obstante, resoluta na sua aversão às interpretações pessimistas da realidade nacional, a mesma opinião pública conserva acesa a esperança de que as propostas, ideias e palavras de caráter construtivo acabem se sobrepondo, no frigir dos ovos, às ocasionais desavenças, de modo a orientarem a soberana decisão popular no dia 26. O que a Nação realmente almeja é assegurar-se de que o Brasil venha a incorporar, no futuro, mais avanços sociais, econômicos, educacionais, tecnológicos no cumprimento de seu indesviável destino de progresso.

Dados dignos de atenção


Os avanços são significativos,
mas há muitos avanços ainda por fazer.”
 (Antônio Luiz da Costa, professor).

Nem tanto a terra, nem tanto ao mar. O barco, na rota econômica, pode não estar navegando num mar de rosas. Mas, nem tampouco em águas encapeladas. Os “boletins meteorológicos” emitidos por manjados “catastrofistas de plantão” divulgam um mundaréu de informes equivocados e conclusões precipitadas. Dados abundantes apontam para realidade diferente.

O cientista politico e historiador Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira andou coletando elementos que colocam em  realce aspectos sugestivos da atualidade social, econômica e cultural brasileira. As revelações se contrapõem ruidosamente a diagnósticos e analises costumeiramente publicados na grande mídia. As fontes utilizadas desfrutam de conceito técnico. Ei-las: ONU, OMS, UNCF, Banco Mundial, IBGE, Ministério da Educação, “Washington Post”, Índice de GIN.

O PIB brasileiro era em 2002 de R$1,48 trilhões. Saltou para R$ 4,84 trilhões em 2013. Tal avanço alçou-nos a sétima posição entre as economias nacionais mais pujantes. Já o PIB “per capita” pulou de R$7,6mil em 2002 para R$ 24,1 mil no ano passado. Em 2013, a dívida liquida do setor público correspondia a 34 por cento do PIB. Houve melhora acentuada também nesse item, uma vez que o valor da divida de 2002 equivalia a 60 por cento do PIB.

O Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES, instituições oficiais com destacada participação no processo de desenvolvimento, elevaram expressivamente a lucratividade nos períodos cotejados (2002 e 2013). Aqui estão os resultados registrados nos balanços anuais de cada um deles: BB – R$ 2 bilhões e R$ 18,8 bilhões; Caixa Econômica Federal – R$ 1,1 bilhões e R$ 6,7 bilhões; BNDES – R$ 540 milhões e R$ 8,15 bilhões.

Mercado sempre atraente para investimentos estrangeiros diretos, o Brasil acusou em anos recentes extraordinário avanço nessa modalidade de captação de recursos. Em 2002, o dinheiro aplicado por investidores externos atingiu a cifra de 16,6 bilhões de dólares. Em 2013, o montante apurado foi de 64 bilhões de dólares. Também no tocante às reservas internacionais nossos indicadores são formidáveis. Chegaram, no final do ano passado, a 375,8 bilhões de dólares. É oportuno saber que tais números mostram-se superiores aos Produtos Internos Brutos de vários países importantes em diferentes continentes. É bom não perder de vista também que essas reservas giravam em torno de 37 bilhões de dólares há 12 anos. “O índice Bovespa”, volta e meia lembrado nas avaliações econômicas, fechou em 2013 com 51.507 pontos. A pontuação no final de 2002 era de 11.868. A dívida externa em relação às reservas, calculada em 557 por cento ante de 2003, é estimada agora em 81 por cento.

O volume da safra agrícola brasileira colhida em 2013 (180 milhões de toneladas) praticamente dobrou em relação à safra de 2002 (97 milhões de toneladas).

Em matéria de produção de veículos, atentemos para esses números: 1,8 milhões de unidades em 2002; 3,7 milhões de unidades em 2013.

Maior empresa do Brasil e da América Latina, a Petrobras alcançava em 2002 valores de mercado estimados em R$ 15,5 bilhões. As estimativas atuais colocam-na no patamar dos R$ 104,9 bilhões. De outra parte, o lucro médio anual auferido pela estatal petrolífera chegava até 2002 a R$ 4,2 bilhões. De lá pra cá passou a ser de R$ 25,6 bilhões.


Nossas exportações somavam, em 2002, 60,3 bilhões de dólares. Em 2013, os valores atingidos com exportações foram de 242 bilhões de dólares. A taxa SELIC era de 18,9 por cento em 2002. Ainda bastante elevada, é hoje de 10,90 por cento.

O notável incremento do transporte aéreo registrado no Brasil de alguns anos para cá, vem traduzido nestes números: 33 milhões de passagens aéreas vendidas em 2002; 100 milhões, em 2013.

No artigo vindouro, iremos nos reportar aos dados de inclusão social levantados no trabalho do cientista social acima mencionado.




Avanços sociais respeitáveis



“As politicas sociais (...) possuem uma magnitude histórica cujo significado ainda não acabamos de avaliar.” 
( Leonardo Boff, filosofo)



Carradas de razão assistem ao teólogo e filósofo Leonardo Boff num registro em artigo recente onde se reporta ao momento político, social e econômico. É quando assevera que se, por um lado, a sociedade não pode se privar de criticas ao governo por falhas cometidas, por outro lado, estaríamos todos nós omitindo a verdade caso não dispuséssemos reconhecer os avanços sociais significativos derivados da ação governamental nesses últimos anos. Suas as palavras: “A inclusão social realizada e as politicas sociais benéficas para aqueles milhões que sempre estiveram à margem possuem uma magnitude histórica cujo significado ainda não acabamos de avaliar.”  

O trabalho do cientista social Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira, mencionado em nosso artigo anterior, corrobora essa avaliação de Leonardo Boff, apontando dados eloquentes. Os indicadores sociais mostrados no estudo, tanto quanto os informes econômicos já divulgados, fazem jus a toda atenção. Pedem reflexão. São reveladores de uma conjugação poderosa de esforços que desembocou, auspiciosamente, em conquistas dignas de comemoração.

Segundo a ONU, o Brasil, por força de politicas sociais inclusivas, deixou recentemente de fazer parte do “Mapa da fome”. Milhões de patrícios ascenderam a patamares mais elevados na pirâmide social, passando a desfrutar de condições mais propícias ao acesso a bens de consumo. As estimativas são de que, num período de 12 anos, 42 milhões de pessoas saíram da miséria extrema. Boa parte delas passou a compor a chamada “classe C”. 

Os indicadores coletados no estudo com respeito à “taxa de extrema pobreza” dizem o seguinte: 2002 - 34 por cento; 2012 - 5,2 por cento.  Os “índices de desenvolvimento humano” oferecem os números abaixo alinhados: ano 2000 – 0,669; ano 2005 – 0,699; ano 2012 – 0,730.

A mortalidade infantil acusava antes de 2003 o índice de 25,3 para mil crianças nascidas. Em 2012, a proporção passou a ser de 12,9 por mil. Os gastos púbicos com a Saúde somaram 106 bilhões em 2013. Em 2002, eram de 28 bilhões. Com a Educação, os gastos públicos elevaram-se de 17 bilhões em 2002 para 94 bilhões em 2013.

Outra revelação interessante no estudo citado: até 2003 funcionavam no país 100 Varas da Justiça Federal. O numero de Varas em 2010 era 513.

O salário mínimo de hoje, de 724 reais corresponde ao valor de 2,24 cestas básicas. Antes de 2003, fixado em 200 reais, dava para adquirir 1,42 cestas básicas. O piso salarial de hoje corresponde a mais ou menos 300 dólares. Por volta de 2002 era de 86,21 dólares.

O programa “Minha Casa, Minha Vida” beneficiou, nos últimos anos, 1,5 milhões de famílias. O “Luz para Todos” favoreceu 8,5 milhões de pessoas, a um só tempo que a capacidade de produção energética do país elevou-se de 74.800 MW em 2001 para 122.900 MW em 2013.

O PRONATEC beneficiou 6 milhões de pessoas e o FIES garantiu em anos recentes financiamento universitário a 1,3 milhões de estudantes. O numero de estudantes matriculados no ensino superior, que era de 583.800 em 2003, chegou a 1.087.400 em 2012. Nos últimos 12 anos foram criadas 18 novas Universidades Federais e 214 novas Escolas Técnicas. Seja anotado que até o ano de 1994 funcionavam no Brasil 144 instituições semelhantes, e que, até 2002, foram implantadas outras 11. Enquanto isso, o programa “Ciência sem Fronteiras” proporcionou bolsas no exterior a 100 mil pessoas. O “PROUNI”, a seu turno, concedeu 1,2 milhões de bolsas. A implantação de creches, num projeto que prevê 6.427 unidades das quais mais de 2 mil já em operação, representa junto com o programa “Mais Médicos para o Brasil”, outro indicador positivo no plano das políticas sociais. A proposito desse último item, o Ministério da Saúde deslocou para áreas desprovidas de assistência médica 14 mil profissionais.  
Isso aí...

    







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