sexta-feira, 4 de abril de 2014


Relações afetivas futuristas





“Vejo um futuro em que vamos gostar das pessoas independentemente
do que elas sejam: robôs ou humanos”.
 (Paula Aguiar, Presidente da Associação Brasileira das
Empresas do Mercado Erótico).



As antevisões futurísticas acenadas pela robótica no tocante aos relacionamentos afetivos são de bagunçar por inteiro a capacidade de raciocínio de pessoas tidas como fleumáticas, que não se deixem perturbar por qualquer motivo. Equivalem a um tsunami psicológico. Reviram pelo avesso até padrões de comportamento rotulados (muitas vezes depreciativamente) como vanguardeiros. O cenário desenhado roça as franjas do inimaginável.

O que a jornalista Litza Mattos revela nas paginas de “O Tempo”, numa instigante reportagem sobre o sexo do futuro, reportando-se a novidades anunciadas por especialistas em sexualidade e em feiras tecnológicas realizadas recentemente no país e no exterior, é de queimar a mufa de qualquer vivente. Não são apenas novidades fantásticas que se possa com algum esforço imaginar. São novidades muito mais fantásticas do que qualquer um jamais conseguirá imaginar. Orgasmo produzido por controle remoto, transas de seres humanos com robôs, aparelhos para detectar “amor verdadeiro”.  Por aí vai...

Um autor citado, especialista em inteligência artificial, o inglês David Levy, prevê, por exemplo, que em cinco anos seres humanos farão sexo com robôs. E desse tipo de “relacionamento” derivará, em poucas décadas, a possibilidade de criação de laços amorosos densos entre os “parceiros”. Uma comédia cinematográfica intitulada “Her”, apresentada como um estudo sobre as complexas relações humanas em nosso mundo, elaboradas com base nesse surreal bombardeio tecnológico, é apontada como “amostra sugestiva” do que poderá acabar rolando no espantoso cenário futurista traçado. Os protagonistas da trama emaranham-se em inusitadas experiências. Ele, um cara de carne e osso. Ela, dotada de feição e silhueta femininas, não passa na verdade de um sistema operacional avançadíssimo de computador.

Assestando nossos olhares de perplexidade nessas extravagantes previsões da cibernética, cibernética essa cada dia mais presente no complicado jogo da vida, matutemos como poderiam vir a ser alguns lances do cotidiano dentro de tão psicodélico contexto. A situação dá vaza a que nos arrisquemos a formular a hipótese de um causo singular. Em seu frequentado espaço de fofocas, colunista bem informado anuncia, lamentando pacas, a separação definitiva de casal bastante festejado nas altas rodas mundanas. Divulga a causa da repentina ruptura, diga-se de passagem, recebida com manifestações de surpresa pelos amigos chegados, que se habituaram a ver no galante par solido exemplo de união estável. A adorável esposa foi flagrada em adultério numa cruel armadilha do destino. O pivô do “affaire”, o robô de nome Ernestino, era o encarregado dos serviços de copa e cozinha da suntuosa mansão do casal localizada em Macacos. O marido, desconfiado da presença de “mouros na costa” em seus cobiçados domínios conjugais, mandara espalhar, sigilosamente, câmeras pelos aposentos da casa. As indiscretas câmeras – daquela mesma linha sofisticada dos modelos empregados pelas agências de espionagem estadunidenses nas arapongagens eletrônicas executadas em “países amigos”, naturalmente com o nobre objetivo de “resguardar” os sagrados “valores democráticos” – captaram imagens da maior incandescência, para dizer o mínimo, envolvendo o ditoso par amoroso. Elas, as câmeras, surpreenderam até mesmo o “camareiro”, no afã de acelerar o processo de assédio à patroa rendida aos seus encantos, a preparar com utilização de elevadas doses de produtos afrodisíacos as refeições consumidas nas ausências do chefe da casa, um respeitado homem de negócios intensamente absorvido em atividades da Bovespa. O eficiente serviçal vangloriava-se de que a receita culinária, por ele classificada de “supimpa”, trancada a sete chaves, representava herança de seus “ancestrais eletrônicos”. Da composição da dita receita fazia parte uma erva medicinal rara do Cazaquistão mesclada com extrato de ovo de pata da Patagônia.

Por conta do ocorrido, de acordo ainda com o bem informado colunista, o marido bigodeado contratou os bons ofícios profissionais de renomada causídica na área de contendas familiares, a doutora Patrícia Rios. A ação objetivando à dissolução dos laços matrimoniais estaria correndo em rigoroso segredo de justiça.

O panorama descortinado nessas desconcertantes previsões futurísticas sobre sexo cria ensancha oportunosa ainda para se levantar uma indagação curiosa, noutro alucinante voo de imaginação. Qual poderia ser mesmo a reação dos zelosos guardiões dos costumes fundamentalistas do, Irã, Afeganistão, Arábia Saudita e doutros lugares diante dessa escalafobética história do “casal” pilhado no flagra? Será que condenariam o robô transgressor a apedrejamento publico?

Mundo mais doido...



Essas agências de risco...


“Coisa mais sem pé nem cabeça: um órgão técnico qualquer, com sede em lugar distante, meter-se por aí a aplicar notas sobre as atividades econômicas e sociais de países e empresas dos quais nada ou pouco conhece!” (Domingos Justino, educador).


O semblante encrespado, assumindo pose majestática própria de alguém que se acredita investida, por desígnios divinos, da sagrada e tormentosa missão de anunciar pra patuleia a data fatal do juízo final, a toda poderosa economista-chefe da “Standar & Poor´s” comunicou, com pompa solene, o rebaixamento da nota de classificação do Brasil. A manjada turma do contra vibrou com a novidade. A impávida economista-chefe voltaria, pouco depois, a ocupar o púlpito, exibindo mesma fleuma doutoral, característica dos que se rejubilam em desempenhar papel de “papagaio falante” do senhor “deus-mercado”. Caprichando pra valer na entonação da fala, de modo a que as frases proferidas conseguissem traduzir, com precisão, incisos conceitos, arremessou outras notas de rebaixamento estipuladas por sua agencia, alvejando um punhado de prosperas empresas brasileiras, entre elas, o Banco do Brasil, a Petrobras, a Caixa Econômica Federal, o Banco Itaú, o BNDEs, a Sul América Seguros, o Bradesco, a Eletrobrás.

E não é que parte da grande mídia, fazendo o jogo de grupos políticos tendenciosos, ávidos por conturbar a qualquer preço a economia nestes momentos preliminares da campanha eleitoral, resolve sem mais essa nem aquela dar eco exagerado a essa prosa desatinada? Resolve conceder credito gracioso (será que o vocábulo fica bem colocado?) a essa papagaiada toda? Decide transformar meros palpites técnicos, de origem estrangeira e altamente suspeitosos, em dogmas de fé com consistência granítica?

Expliquem-nos, por favor. Que pessoal é esse que, volta e meia pinta no pedaço com panca presunçosa distribuindo notas de desempenho a torto e a direito, interferindo intempestivamente na intimidade doméstica dos chamados países emergentes? De qual fonte do poder provem essa marota delegação conferida a uma meia dúzia de órgãos alienígenas que saem soltos por aí, ditando regras em terras e propriedades distanciadas de seus pontos de origem, alvejando atividades produtivas empenhadas na construção nacional? Por que razão vários órgãos da mídia acolhem sem vacilo e sem questionar os fajutos argumentos propalados por essas agencias em “boletins de mérito” instituídos sabe–se lá a mando de quais conveniências?
Interessa muita à cidadania conhecer a fundo todo esse cabuloso enredo. As “agencias de classificação de riscos”, comportando-se como “suprema corte”, ao emitirem suas “infalíveis” sentenças, acham-se subordinadas a algum poder legalmente reconhecido? No ver de abalizados analistas não passam, no duro da batatolina, de aberrações jurídicas. Tais analistas entendem ainda tratar-se de órgãos que não carregam consigo, no exercício de sua despoliciada e inglória empreitada, qualquer laivo de legitimidade. A impressão que passam é de um bando ruidoso de vulgares oportunistas, intrujões saídos das sombras, que atuam sempre em sintonia com as maquiavélicas aprontações da mega especulação. Mega especulação esta escancaradamente engajada, na hora atual, desafiando a sociedade brasileira, em patrocinar novo assalto especulativo a nossa florescente economia.

O tema rende mais uma fulminante e decisiva indagação. Alguém por aí em plenas condições de esclarecer devidamente o porquê de esses gringos sabichões terem se conservado em ensurdecedor silencio, sem disposição para divulgar “notas” e emitir “alertas”, frente a “bolha imobiliária” que explodiu devastadoramente em seus domínios territoriais e que mergulhou o mundo, quase que por inteiro, numa crise econômica tida socialmente como a mais cruel dos últimos tempos? Hein? E ai, gente boníssima?









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