quarta-feira, 3 de abril de 2024

Nunca mais.


       

                                                                                                      *Cesar Vanucci

 

“A Democracia pode não ser de todo perfeita, mas a ditadura é imperfeita no todo.”

(Domingos Justino Pinto, educador).

 

Em 1964, o Brasil desviou-se da trilha democrática e embrenhou-se num trevoso período autocrático, que perdurou por alongados 21 anos. O regime instaurado, de predominância militar, trouxe sobressaltos, desventuras e o clima de horror que toda ditadura descarrega nos lares e ruas dos territórios sob seu férreo controle. A negação dos direitos fundamentais que conferem dignidade a aventura humana produziu prisões, torturas, mortes, desaparecimentos, exílios, cassações de mandatos, censuras e arbitrariedades de toda ordem gerando o medo e introduzindo no enredo cotidiano a asquerosa figura do “dedo duro”.

 Parcela bem minoritária da sociedade não hesita em proclamar, ainda hoje, vantagens de um regime de exceção no confronto com o regime democrático. Sustenta que a “ordem” dominante nas tiranias “contrasta” com a “desordem” imperante nos países regidos pelo Estado de direito. Analise justa e correta dos fatos projeta uma realidade que reduz a estilhaços a equivocada comparação. A “ordem” mantida a ferro e fogo, violentando valores humanísticos e espirituais, impondo asfixiante silêncio não passa de falácia retórica, que só beneficia os “amigos do rei”. Toda ditadura, não importa seu matiz ideológico, se de direita ou de esquerda, amordaça a mente, amargura o coração e vilipendia o espírito. Ambas são farinha do mesmo saco. Verso e reverso de uma só moeda. Costuma-se dizer que a diferença entre o regime de força de direita e o regime de força de esquerda é a mesma diferença existente no sabor de duas apreciadas marcas de refrigerante, a coca e a pepsi.  Está visto, pois, que o sentimento popular repele as lateralidades ideológicas, sempre incendiárias. Absorve inteiramente o conceito esposado pelo grande Alceu de Amoroso Lima, o Tristão de Athayde, de que a solução dos magnos problemas que afligem a humanidade não virá jamais nem da esquerda, nem tampouco da direita. Só poderá vir mesmo do Alto.

Ditadura, nunca mais! No final do ano de 2022 e começo de 2023, quando da intentona golpista arquitetada nos bastidores do governo que passou, as instituições democráticas funcionaram de forma admirável, rechaçando com firmeza e altivez a impatriótica investida. O espírito legalista das Forças Armadas ajudou, como é de seu dever, a conjurar os perigos que rondaram a pujante Democracia construída de 1985 para cá. A sólida união dos setores democráticos espantou espectros saídos das sombras nostálgicas de um passado autocrático que esperamos nunca mais seja revivido no cenário político da nação. Ditadura, nunca mais!                 


 2) Decisão do STF - O Supremo Tribunal Federal acaba de proferir decisão que ratifica o óbvio. Óbvio ululante, diria Nelson Rodrigues. Interpretando corretamente o artigo 142 da Carta Magna, explicou que as Forças Armadas estão subordinadas diretamente ao Poder Executivo como sobejamente reconhecido pelos ilustres Chefes Militares que as comandam na atualidade. Apegados a conveniências que contradizem os preceitos democráticos e republicanos do Estado de Direito, alguns elementos de presença minoritária no contesto político vinham, erroneamente, insistindo em propagar que o artigo em questão permitiria aos militares, segmento altamente representativo da consciência cívica da Nação, atuarem como poder moderador em momentos de crise institucional.  

 

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

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