sábado, 4 de fevereiro de 2023

Yanomami , armas, legalidade



                                 *Cesar Vanucci

                                                                              

“Militar ou civil, não está acima da lei”. 

(General Tomás Miguel Ribeiro Paiva, Comandante do Exercito)

 

1)Nossos compatriotas, os índios  -  As narrativas trazidas a lume a respeito da tragédia dos Yanomami causaram comoção nacional e internacional. São mais que justificáveis as ações ordenadas pelo governo no sentido de sanar os males detectados bem como apurar as responsabilidades diretas e indiretas pela calamitosa situação, que configura, sem sombra de dúvida, atentado grave aos direitos fundamentais. A garimpagem ilegal de ouro e cassiterita permitiu que calculadamente 30 mil garimpeiros invadissem a área demarcada para os yanomami. Os invasores levaram doenças, poluíram os rios, agiram com violência contra os nativos. Entre as crueldades perpetradas figuram crimes de estupro, raptos de crianças e mulheres e assassinatos. Os complexos montados para o processamento das atividades extrativas ilegais envenenaram as águas e afetaram o meio ambiente. O ouro proveniente dessas clandestinas operações corresponde, atualmente, a 50 por cento do volume comercializado no país, atingindo cifra astronômica, à margem da tributação. Sabe-se, por outro lado,  com plena certeza que vários agentes públicos da FUNAI e de outros órgãos foram exonerados de suas funções, no governo Bolsonaro, por denunciarem ou por promoverem ações de combate às ilegalidades praticadas pelos garimpeiros. A desarticulação dos perversos esquemas vai exigir uma conjugação poderosa de forças de diferentes setores governamentais. Essa escabrosa historia mostra exuberantemente a oportunidade da implantação do Ministério dos Povos Originários. Os “povos da selva”, como são chamados, vivendo na maioria em condições precárias, representam pujante capitulo da cultura brasileira. As etnias que compõe o universo indígena – pouca gente sabe disso - expressam-se em 169 diferentes idiomas.

 

2)Pátria armada - Pouco antes de sair, sorrateiramente, pela porta dos fundos da cena política, Jair Bolsonaro afirmou em postagem pela internet, que o porte de armas é a única forma de garantir a paz.  A estapafúrdia declaração norteou, na verdade, a nefasta política de concessão de armas a caçadores, atiradores e colecionadores posta em prática durante os quatro anos de seu mandato presidencial. Os números das aquisições de pistolas, rifles e outros artefatos do gênero são escandalosos. O licenciamento do porte de armas no período foi de quase 600 por cento a mais em relação aos anos anteriores. O arsenal encontrado em poder do ex- deputado Roberto Jefferson representou amostra eloquente dos riscos provocados pela desvairada decisão de liberar armas a torto e a direito. A sociedade está vendo com bons olhos os atos assinados pelo novo Governo no sentido de revogar os decretos de flexibilização do passado.

 

3)Lembrando Lotte - A fala legalista do General Tomás Miguel Ribeiro Paiva, Comandante do Exercito, foi recebida com extrema simpatia pela opinião pública. O pronunciamento que fez, ainda, como comandante militar do Sudeste, anteriormente à sua designação ao posto máximo da Força terrestre trouxe à lembrança de muita gente a figura altiva e austera de um outro militar, o Marechal Lotte. O vigoroso apego à Constituição e aos preceitos democráticos assegurou ao antigo Ministro da Guerra lugar de realce na História. Ele desmantelou as manobras golpistas ensaiadas pelos adversários Udenistas de JK, que fizeram de tudo para impedir a posse do maior Presidente da República que este país já elegeu.  O General Tomás deixou bem explicitada a missão das Forças armadas no contexto constitucional, de respeito às instituições e a vontade soberana das urnas. Acentuou que o poder Militar está a serviço do Estado, não de eventuais ocupantes do governo.

 

Jornalista cantonius1@yahoo.com.br

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