sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

 

Reflexões sobre a cidadania

Cesar Vanucci

“Consideramos estas verdades como evidentes por si: que todos os homens são criados iguais; que são dotados pelo seu Criador de certos direitos inalienáveis; que entre esses direitos estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade."

(Thomaz Jefferson 1743-1826, Declaração da Independência Americana)

 

O exercício em plenitude da cidadania se assenta na consciência individual de que todos os seres humanos somos senhores de direitos e deveres. Onde esse conceito não se faça presente, alí a cidadania estará sendo, seguramente, alvejada ou questionada.

 A vida em sociedade cobra deveres e prodigaliza direitos. Uma coisa conectada naturalmente com a outra coisa. Ambas traduzindo valores indissociáveis na convivência. Todo o arcabouço social repousa em tais vigas mestras: o cumprimento do dever e o respeito aos direitos humanos.

 Augusto Comte fala magistralmente dessa simbiose que preside a ação humana: “Ninguém possui outro direito senão o de sempre fazer o seu dever”.

 Está visto que o exercício da cidadania só pode vicejar e florescer em ambientes onde se respire o oxigênio das liberdades públicas. Os regimes despóticos aborrecem a cidadania. Conspurcam-na. Negam-na como atributo da personalidade e dignidade humana.

 Em nossos tempos, a força da cidadania vem crescendo de forma auspiciosa. Da conjugação de vontades de multidões interessadas na construção de um mundo melhor e, justamente por isso, desejosas de estender seu exercício aos limites máximos permitidos pelo bom senso e consciência humanos, têm nascido conquistas preciosas. Há um entendimento cada dia mais universalizado de que os direitos pessoais, como propunha Thomas Paine, são uma espécie de propriedade do tipo mais sagrado. Aceitar que o outro é portador desses direitos é uma forma de fazer reconhecida a condição idêntica de que somos também investidos.

 No mais, buscando um roteiro para essa pugna permanente que a prática da cidadania nos exige, esforcemo-nos por proceder como recomenda, liricamente, o poeta Ledo Ivo: “Teu dever é este: lembrar, sendo antigo; amar, sendo humano; morrer, sendo vivo; e cantar o mundo com uma linguagem que é comum tesouro de todos os homens.”

 

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