quinta-feira, 2 de setembro de 2021

 

Cortina de fumaça

 

Cesar Vanucci

“As magnas questões nacionais estão ausentes

dos acalorados debates políticos da atualidade.”

(Antônio Luiz da Costa)

 

Ultrapassada (?) a efervescente discussão em torno da extravagante proposta de alteração no sistema de votação eleitoral, proposta essa rechaçada pela consciência cívica nacional, eis que o Planalto volta à carga com uma outra questão, igualmente desprovida de bom-senso. O intento visível é promover, mais uma vez, agitação nos arraiais político-administrativos.

 O anúncio do encaminhamento, ao Senado, de queixa-crime envolvendo Ministros do STF, numa tentativa de impedir que exerçam suas funções institucionais, não passa, claro está, de mais um estratagema no sentido de desviar os olhares da opinião pública das questões de magnitude. Questões que, neste momento, atormentam pra valer a gente do povo, em todos os segmentos comunitários. A situação desenhada representa, na verdade, uma “cortina de fumaça” visando desfocar atenções do inimaginável drama dos já quase 600 mil casos fatais de Covid, parte deles provocados pela ineficiência gerencial na condução do processo de combate à pandemia, conforme está sendo flagrantemente documentado na CPI do Senado. Outro problemaço “inconveniente”, que às rodas palacianas desagrada ver constantemente inserido nas pautas das discussões é o da danosa estagnação econômica, com seus impactantes desdobramentos sociais.

Aos analistas dos acontecimentos políticos não padecem dúvidas quanto ao fato de que, rejeitada, como fatalmente não deixará de ser, mais essa esdrúxula proposição, alguma outra situação qualquer será trazida para discussões públicas acaloradas. O que importa mais é desviar as atenções dos temas cruciais, sobretudo das pessoas menos informadas e desavisadas.

Deplorável, muito deplorável tudo que vem rolando no pedaço. Mergulhada em crises de toda ordem, a sociedade constata, desolada, que nos escalões decisórios superiores ninguém cuida da elaboração de um grande projeto nacional de desenvolvimento. Ninguém cogita da mobilização das forças com capacidade criativa e empreendedora à volta de programas de trabalho, de planos de atuação que favoreçam a retomada urgente do crescimento econômico. Ninguém enfatiza a possibilidade do aproveitamento, com engenhosidade, zelo e competência, do esplêndido potencial de riquezas que o país oferece, de maneira a assegurar, a curto, médio e grande prazos, padrões de bem-estar coletivo condizentes com as virtualidades de seu povo.

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