sexta-feira, 23 de junho de 2017

XX Congresso Brasileiro de Ufologia


Convite aos amigos 






Falas merecedoras de reflexão

Cesar Vanucci

“Antecipar eleições seria gesto de grandeza.”
(Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso)

Numa hora sacudida por atroantes incertezas, soa compreensível e, mais do que isso, desejável e positiva, a disposição das cabeças pensantes com capacidade de influenciar correntes de opinião em trazerem a público contribuições que ajudem a clarear o trajeto a percorrer na busca de soluções para a encalacrada em que a Nação se viu metida, a contragosto. Adquirem razoável ressonância, sob tal enfoque, manifestações recentemente expendidas por algumas figuras proeminentes da vida pública. Casos, citando exemplos, do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso e do ex-Chanceler Celso Amorin.

Os pronunciamentos de ambos, mesmo admitida a hipótese de que não suscitem, num que outro item, apoio em setores da opinião pública, fazem jus a reflexões neste momento em que tanta gente se acha empenhada em viabilizar estratégias que ajudem a superar a crise.

Para FHC, antecipar eleições significa “gesto de grandeza”. Confessando que sua percepção sobre a situação política sofreu “abalos fortes”, diz haver mudado de opinião no tocante à inconveniência de convocação de eleições antes do término do mandato atribuído a Michel Temer.

Pertencem-lhe as afirmações que se seguem: “A ordem vigente é legal e constitucional (daí ter mencionado como “golpe” uma antecipação eleitoral), mas não havendo aceitação generalizada de sua validade, ou há um gesto de grandeza de quem legalmente detém o poder pedindo a antecipação de eleições gerais, ou o poder se erode de tal forma que as ruas pedirão a ruptura das regras vigentes exigindo a antecipação do voto”. O ex-Presidente defende que eventual antecipação de eleições seja precedida de mudanças na legislação. “Novas eleições requerem emendas constitucionais que, a meu ver, deveriam ser antecedidas por mudanças na legislação eleitoral”, salienta.

Sustentando faltar legitimidade a Temer para governar e que o País vive um tipo de “anomia” - ou seja, falta de regras, desorganização -, acrescenta que a proposta de antecipar o pleito ficaria mais razoável com a anuência do atual ocupante do Planalto.

Seja enfatizado que o depoimento de FHC vem a lume após a decisão do PSDB em permanecer no governo. Deixando exposto um racha na legenda, Cardoso anota ainda: “Se tudo continuar como está, com a desconstrução contínua da autoridade, pior ainda se houver tentativas de embaraçar as investigações em curso, não vejo mais como possa o PSDB continuar no governo.” (...) “Preferiria atravessar a pinguela, mas se ela continuar quebrando, será melhor atravessar o rio a nado e devolver a legitimação da ordem à soberania popular.”

O ex-Chanceler Celso Amorin, a seu turno, igualmente defendendo eleições diretas antecipadas, registra que o governo Temer “tem os dias contados”. Isso já não constitui motivo de dúvida para ninguém. Preocupado com as regras que balizariam uma campanha eleitoral imediata, reclama urgente mudança no sistema eleitoral. Pontua: “Não basta que haja eleições gerais (...) é preciso que sejam estabelecidas novas regras que garantam essencialmente duas coisas: 1. O fortalecimento dos partidos políticos com programas claramente definidos. 2. A diminuição do peso do poder econômico no processo eleitoral. A proibição de financiamento por empresas foi um passo salutar, que deveria ser completado pelo financiamento público exclusivo.”

Enfatizando que as eleições brasileiras estão entre as mais dispendiosas do mundo, sublinha a necessidade de substituir o sistema atual, proporcional uninominal, “em que os candidatos têm de vencer não só os opositores, mas também os correligionários em distritos eleitorais imensos, por outro que enfatize a afiliação partidária do candidato.” Segundo ele, isso poderá ser obtido por voto em lista fechada, ou pelo sistema distrital misto.

Amorin considera que o “x” da questão reside em se obter dos atuais parlamentares anuência para a mudança das regras. Ao tocar nesse ponto, sugere, em proposta inédita, que as duas principais lideranças do País, referindo-se aos ex-Presidentes FHC e Lula, se unam com o objetivo de facilitar as transformações. Destaca: “Seria uma aliança pontual com o objetivo exclusivo de sanear o sistema político. Depois, cada um seguirá o seu caminho e o povo brasileiro decidiria pelo que achasse melhor. Organizações da sociedade civil, como a Comissão Justiça e Paz, poderiam atuar como facilitadoras desse processo, que deveria resultar também em medidas que garantissem uma efetiva neutralidade da grande mídia nas eleições.”


Relatos impactantes

Cesar Vanucci

“Mesmo dando desconto por algum provável
exagero, as revelações são bastante contundentes.”
(Antônio Luiz da Costa, educador)

Não há como ignorar a pertinência de algumas objeções jurídicas a certos métodos empregados na “Lava Jato” com vistas a estimular a assim chamada “delação premiada”. Mas, nada obstante, é forçoso admitir que esse instrumento investigatório vem se mostrando de razoável eficiência na coleta de dados sobre as nauseantes praticas clandestinas que andaram lesando de forma clamorosa sagrados interesses da Nação.

De outra parte, cabe também, em sã consciência, alertar para o risco de que as informações trazidas a lume contenham exageros e incorreções. Os denunciantes – não nos esqueçamos disso - são ativos membros do consórcio mafioso responsável pelas mutretagens denunciadas. Faz sentido imaginar que alguns tópicos dos depoimentos reflitam vontade pessoal muito forte de alterar seu protagonismo no enredo, na tentativa de atenuar o grau de responsabilidade quanto aos malfeitos.

O espantoso volume de escabrosos detalhes sobre as maracutaia promovidas, mesmo na hipótese de se fazer “descontos” nas revelações transmitidas em Juízo, causa-nos, todavia, a todos, mal-estar e desconforto duradouros.  

Tomemos, por exemplo, as narrativas recentes de Joesley Batista, um dos empresários que alimentou, com insaciável ambição, o sistema de corrupção que se quer desbaratar. A descrição que faz do conluio estabelecido entre agentes públicos inidôneos e elementos inescrupulosos infiltrados em atividades de produção ligadas a obras governamentais, é de deixar estarrecido qualquer mortal.

Ainda que a transcrição de parte de suas declarações nos cause, obviamente, enorme desprazer, entendemos que registrá-las concorre para fortalecer a disposição popular de criar, com novas ideias e ações, mecanismos que nos ajudem a sair da encalacrada em que, a contragosto, fomos metidos pelo desatino administrativo e insensibilidade social de lideranças incompetentes.

As palavras seguintes pertencem ao mencionado Joesley Batista: “Há político que acredita que o simples cargo, que ele está ocupando, já o habilita a você ficar devendo favores a ele, e (ainda) pedir algo a você de maneira que seja quase uma obrigação você fazer os favores.” (...)

Referindo-se a grupos com os quais manteve espúrias negociações, o empresário salienta, entre outras coisas, o seguinte: “Há dez, 15 anos houve uma proliferação de organizações criminosas no país.” (...) “Nós participamos e tivemos de financiar muitas delas.” (...) “O Lula e o PT institucionalizaram a corrupção. Houve essa criação de núcleos, com divisão de tarefas entre os integrantes.” (...) “O resultado é que hoje o Estado brasileiro está dominado por organizações criminosas. O modelo do PT foi reproduzido por outros partidos.” (...)

Apesar de haver citado o ex-presidente, o empresário confessa que “nunca teve conversa não republicana com Lula” (...) “Não estou protegendo ninguém, mas só posso falar do que fiz e do que posso provar. Não estou entregando pessoas. Entreguei provas aos procuradores. E o PT tinha o maior saldo de propina. O que posso fazer se a interlocução era com o Guido Mantega?” (...)

“Conheci Temer, e esse negócio de dinheiro para campanha aconteceu logo no iniciozinho. O Temer não tem muita cerimônia para tratar desse assunto. Não é um cara cerimonioso com dinheiro.” (...) “É o grupo deles (do Eduardo Cunha e companhia). Quem não está preso, está hoje no Planalto. Essa turma é muito perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites. Então, meu convívio com eles foi sempre os mantendo a meia distância: nem deixando eles aproximarem demais, nem deixando eles longe demais, para não armar alguma coisa contra mim. A realidade é que esse grupo é o de mais difícil convívio que já tive na minha vida.” (...) “O mais relevante foi quando Eduardo tomou a Câmara. Aí virou CPI para cá, achaque para lá. Tinha de tudo. Eduardo sempre deixava claro que o fortalecimento dele era o fortalecimento do grupo da Câmara (PMDB e aliados) e do próprio Michel. Aquele grupo tem o estilo de entrar na sua vida sem ser convidado.” (...) “A pessoa a qual o Eduardo (Cunha) se referia como seu superior hierárquico sempre foi o Temer. Sempre falando em nome do Temer. Tudo que o Eduardo conseguia resolver sozinho, ele resolvia. Quando ficava difícil, levava para o Temer.” (...) “Lúcio (Funaro) virava para mim e dizia: ‘Tem um requerimento numa CPI para te convocar. Me dá R$ 1 milhão que eu barro’. Mas a gente ia ver e descobria que era algum deputado a mando dele que estava fazendo. (...) Tinha que tomar cuidado. Essa é a maior e mais perigosa organização criminosa deste país. Liderada pelo presidente Temer.”

Toda essa história, visto está, traz muito desassossego. O anseio da sociedade é de que as investigações relativas ao descomunal problema sejam concluídas com presteza. Tudo, naturalmente, em rigorosa sintonia com os preceitos republicanos e democráticos. E de forma a remover os obstáculos que, neste momento, tanto afetam o desenvolvimento econômico e social deste País de tão ricas potencialidades.                                                                                                    

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