sábado, 10 de dezembro de 2016

VANUCCI FAZ PALESTRA E
LANÇA LIVRO NA
“CIDADE MARAVILHOSA”

No último dia 23 de novembro o jornalista Cesar Vanucci esteve no Rio de Janeiro, que, segundo ele, continua lindo apesar dos pesares. Fez palestra e lançou livro no Teatro Vanucci, casa de espetáculo de 650 lugares, localizada no Shopping Center da Gávea.

“Realismo Fantástico, anotações de um repórter”, o tema da palestra proferida para centenas de pessoas, com numerosos jornalistas e escritores presentes.

O livro “Realismo Fantástico”, editorado pela “Impressões de Minas” e prefaciado pela jornalista Ana Elizabeth Diniz, foi autografado pelo autor após a exposição.

O Teatro Vanucci foi implantado há trinta anos pelo saudoso Augusto Cesar Vanucci, irmão de Cesar Vanucci, à época diretor da linha de shows da Rede Globo de Televisão. Augusto Cesar foi o primeiro brasileiro a arrebatar o “Emmy” em Hollywood e o prêmio “Ondas” conferido em Londres a figuras de projeção no cenário artístico internacional.

As fotos (de Luismar Ornelas de Lima) são do encontro cultural reportado.





























De repente, um clarão de esperança

Cesar Vanucci

“A comovedora tragédia envolvendo a Chapecoense e as reações em cadeia de solidariedade humana por ela suscitadas proporcionaram ao mundo uma chance de reencontrar-se com sua essência humana.”
(Antônio Luiz da Costa, educador)

De repente, nos horizonte plúmbeos das frustrações dilacerantes e do desalento conformado, um clarão de esperança.

Turbulentos caminhos trilhados durante décadas de feroz antagonismo político colocaram a Colômbia numa encruzilhada histórica, na busca pelo desarmamento de espíritos e almejada conciliação nacional. Vejam só como são as tramas do destino! Pois foi justamente em Médelin, polo de irradiação cultural, econômica e demográfica de relevância, em momento perturbador, faminto de tolerância e sedento de fraternidade, vivido pela nação irmã, que a gente simples do povo deflagrou, na esteira de uma dolorida tragédia aérea, a mais empolgante manifestação coletiva de teor humanístico e espiritual de que se tem notícia nos tempos contemporâneos.

A avassaladora demonstração de misericordiosa solidariedade acontecida dentro e fora do estádio, nascida de espontaneidade que conserva pureza cristalina comparável à água de um regato intocado de montanha, foi compreendida em todas as latitudes do planeta como uma chance dada a mais ao mundo de poder reconectar-se com sua humanidade.

O sentimento de confraternidade aflorado, produzindo intensa reação em cadeia, contagiando mentes e corações por aí afora, forneceu uma medida exata do fabuloso potencial que a sociedade humana carrega dentro de si e que está em condições de poder empregar, em não poucos instantes, em suas tentativas de solucionar angustiantes questões. Questões essas que abarcam, como sabido, todas as formas imagináveis (ou inimagináveis) de sofrimento.

A dor coletiva suscitada pelo drama do voo fatídico do avião sem combustível, que ceifou vidas preciosas, retirando de nosso convívio promissores atletas, dinâmicos dirigentes esportivos e talentosos jornalistas, teve o condão de despertar reações formidáveis, reveladoras da grandeza do espírito humano. Pena que a insensatez e insanidade dominantes no jogo existencial consigam na maior parte do tempo sofrear sentimento tão nobre, tão poderoso, apto – fácil perceber - a operar transformações prodigiosas no cenário mundano. A verdade verdadeira é que, no mais recôndito da alma das ruas, palpita, ardente, ancorada em valores éticos e morais autênticos, uma energia construtiva com fabulosas propriedades. Uma energia capacitada a oferecer a este mundo de Deus cansado de guerra o instrumental necessário à remoção de toda sorte de obstáculos impeditivos da celebração da vida plena, mesmo os considerados intransponíveis pela inconsciência humana.

Uma energia em condições de assegurar, algum dia, para todo o sempre, a prevalência da concórdia, da harmonia, da tolerância, do respeito às diversidades, da justiça social, da paz na convivência entre pessoas, entre nações, entre etnias, entre crenças religiosas e políticas.

As generosas emoções que compeliram milhões de criaturas, desde Médelin até Chapecó, ao exercício sincero dos atos de comovedora solidariedade projetados em duradouras e impactantes imagens, estimularam a expansão de espaços reservados às práticas fraternais. Representaram, ao mesmo tempo, de certo modo, uma catarse que pode auxiliar o ser humano a repensar muitas coisas essenciais relativas à aventura da vida.

Fortaleceram os corações fervorosos, os viventes de índole pacífica, os homens e mulheres de boa-vontade em seus esforços diuturnos de construção de um mundo melhor. As energias criativas criam – como não? – ocasiões de esperança.

Vozes céticas questionarão, por certo, os argumentos alinhados por este desajeitado escriba com suas quiméricas interpretações dos lances da vida. O registro aqui produzido do acontecimento que enlutou o Brasil e que desencadeou essa arrebatante onda universal de solidariedade, não se aprestaria,  jeito maneira, a essas ruminações de pura utopia, contra argumentarão, com certeza, alguns. Recorro, na procura de resposta, a dois poetas: Mário Quintana e Thiago de Mello.

Diz o primeiro: “Se as coisas são inatingíveis... ora! – não é motivo para não querê-las... – que tristes os caminhos, se não fora / a presença distante das estrelas!”.

O segundo diz: “É preciso que o homem aprenda a confiar no homem, assim como a palmeira confia no vento, o vento confia no ar, o ar confia no campo azul do céu.”


Registros desconcertantes

Cesar Vanucci

“Alguma coisa, com toda certeza, deve estar funcionando mal na vida comunitária quando um comunicado referente a desemprego em massa contribui para elevar os índices da Bolsa de Valores!”
(Antônio Luiz da Costa, educador)

Um punhado de registros desconcertantes. São extraídos do noticiário nosso de cada dia. Alguns comunicam a sensação de que este mundo de Deus, onde o tinhoso tem por costume fincar alguns enclaves, está mesmo virado de cabeça pra baixo.

1) Renomados especialistas do mercado financeiro deixaram os leigos em assuntos bursáteis pra lá de confusos com as luminosas explicações fornecidas, dia desses, a respeito das razões de significativa alta ocorrida na Bolsa de Valores de São Paulo. Segundo eles, a elevação foi motivada pelas notícias “favoráveis” acerca da eliminação de milhares de postos de trabalho e fechamento de mais de uma centena de agências do Banco do Brasil. É o caso de juntar as mãos em atitude de oração e bradar: Valha-nos Deus, Nossa Senhora!

2) Todos se recordam daquela Turma de magistrados paulistas que absolveu os policiais militares indiciados pelo “massacre do Carandiru”, estarrecendo até mesmo as estátuas de pedra dos apóstolos de Aleijadinho plantadas no adrio do Santuário do Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas. Pois bem! Esses mesmos cidadãos, foram autores, indoutrodia, de uma outra desnorteante decisão. Negaram provimento a um recurso da Defensoria Pública no sentido da redução da pena de réu condenado pelo furto de cinco rodelas de salame numa mercearia. Das alegações submetidas à douta apreciação dos ilustres juristas constou a revelação de que o delito foi praticado sob forte emoção, à vista da circunstância de que o apenado, vivendo o drama do desemprego, apoderou-se dos alimentos para saciar a fome dos filhos menores...

3) Por duas vezes seguidas, em curto espaço de tempo, a Petrobras anunciou a redução do preço da gasolina na fonte. As redes dos postos de abastecimento não fizeram nadica de nada no sentido de repassar para a distinta clientela qualquer vantagem, mínima que fosse, decorrente da queda havida no custo da mercadoria. Pouquíssimo tempo depois, melhor dizendo, há poucas horas atrás, a estatal retornou a público para informar que o preço do combustível iria sofrer nova alteração, desta feita para mais. A majoração chegou às bombas quase que instantaneamente. Nalguns casos, até antes de concluída a leitura do comunicado do porta-voz da empresa petrolífera.

4) Ao olhar atento de observadores do momento político (todos, obviamente  preocupados com o mundão de coisas cabulosas que andam pintando no pedaço) não passou desapercebido um lance pouco comentado, concernente à invasão da Câmara dos Deputados  por meia dúzia de gatos pingados que se autodenominaram “patriotas” e “defensores da democracia”. Entre as faixas carregadas pelo bando, uma pelo menos continha frenética conclamação sugerindo intervenção militar na vida democrática brasileira.

5) Motoristas que, amiúde, compelidos pelos estressantes congestionamentos nas áreas urbanas, recorrem aos serviços privados de estacionamento não escondem sua indignação diante dos valores que lhes vêm sendo cobrados. Comodamente posicionados, à deriva de qualquer regulamentação ou fiscalização, os assim denominados “flanelões” praticam, com o maior desembaraço e desfaçatez, tabelas de remuneração pode-se dizer afrontosas pelo trabalho prestado. Aqui está uma história bastante emblemática do que anda rolando. Cliente antigo de um dos maiores planos de saúde da praça resolveu colocar o veículo, à falta de opção de estacionamento em logradouros próximos, no pátio do hospital pertencente à mesma organização de que é usuário. Concluídas as consultas, cerca de duas horas depois, viu-se compelido a desembolsar a módica soma de R$36,00 pela zelosa guarda do veículo. Ora, epa! 

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