sábado, 12 de março de 2016

Celebração do Centenário do Lions

Cesar Vanucci

“Um rompimento da barragem das mais autênticas emoções.”
(Definição de Aloisio José Fidalgo a respeito dos atos cívicos e culturais realizados no Teatro Francisco Nunes)

Um turbilhão de emoções marcou o tríduo dos atos cívicos e culturais alusivos à celebração do centenário do Lions Clube. A Governadoria do Distrito LC-4, sediada em Belo Horizonte com jurisdição estendida a boa parte do território mineiro, a Academia Mineira de Leonismo, braço cultural do Lions, e os clubes da área esmeraram na estruturação do programa das comemorações.

Entre os dias 22 e 24 de fevereiro, o majestoso Teatro Francisco Nunes, Belo Horizonte, acolheu plateias entusiásticas, que praticamente lotaram as dependências reservadas aos espectadores, nos espetáculos de elevado conteúdo cívico e cultural e de requintado padrão artístico levados a cena.

Inspirada no Tema “O Brasil de todos nós – o papel do Imigrante no esforço de construção nacional”, a efeméride histórica festejada pelo maior clube de prestação de serviços do mundo contou com o apoio de organizações públicas e privadas de relevante presença na paisagem comunitária. Entre elas, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais, Sistema Fiemg/Sesi, Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, Associação Comercial e Empresarial de Minas, Sindicato dos Jornalistas de MG, Sindicato dos Artistas de Minas, Rede Minas de Televisão, Diário do Comércio, Rádio Inconfidência, Associação Mineira de Cultura Nipo-brasileira, Associação Cultura Ítalo-brasileira de Minas Gerais, Centro da Comunidade Ítalo-brasileira, Conselho de Residentes Espanhóis e Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos.

O Festival de Arte preparado para a ocasião abrangeu, nas três noites, apresentações artísticas arrebatantes. O Coral Lírico de Minas Gerais abriu a sequência de atrações. O Grupo Folclórico Gil Vicente, de dança, e o Coral Luís de Camões representaram a cultura artística portuguesa. Mamour Ba representou a cultura africana. A demonstração da arte musical italiana esteve a cargo do grupo folclórico “La Sereníssima”. O “Studio Brigitte Bacha” encarregou-se das representações coreográficas árabes, bem como do espetáculo intitulado “Dança da Paz”, na sessão de encerramento. A dança espanhola foi mostrada pelo grupo “Flamenco Gadir”. Os grupos Sumiré, Arte Marcial Kendó e Raiki Daiko (tambores) responderam pelas manifestações de arte japonesas. O saxofonista Fabiano Martins e o pianista Frederico Natalino interpretaram peças da MPB, enquanto o Coral do Sesiminas, no último recital do programa, apresentou repertório composto de melodias típicas de diferentes culturas.

A parte cultural consistiu em aplaudidas palestras do Secretário da Cultura Ângelo Oswaldo, discorrendo sobre o tema “O Imigrante no processo de construção nacional”, e da diretora da ACMinas Mônica Cordeiro, que lançou  projeto, sob sua coordenação,  referente à internacionalização de BH. Tradicional nas assembleias do Lions, a “Invocação a Deus” foi proferida por Nancy Maura Couto Konstantin, Beatriz Carvalho Capelão e Carmem Lúcia Redoan, governadora do LC-4, nas sessões dos dias 22, 23 e 24.

O ex-Diretor Internacional do Lions Sebastião Braga e o presidente da Academia Mineira de Leonismo, coordenador geral da programação do Centenário, Cesar Vanucci, fizeram pronunciamentos, no evento de encerramento. Representando o deputado Adalclever Lopes, presidente da Assembleia Legislativa de MG, o deputado Agostinho Patrus Filho também fez uso da palavra na ocasião. Decano entre os homenageados, com seus 93 anos de idade, o Imigrante lusitano Virgolino Pereira Vilhena agradeceu em nome dos companheiros agraciados. Com marcantes desempenhos, os “companheiros leões” Leandro Raphael Alves Nascimento e Juliana Clemente Furtado, Márcio dos Santos Gomes e Maria Inês Pereira de Almeida, atuaram como Mestres de Cerimônia nas festividades da segunda e terça feiras. A condução dos trabalhos na quarta-feira foi atribuída a duas figuras representativas da cultura artística e da comunicação social, a famosa apresentadora de televisão Roberta Zampetti, da RedeMinas, e a consagrada atriz teatral Magdalena Rodrigues, presidente do Sindicato dos Artistas.

As pessoas que compareceram às assembleias se deleitaram com o que viram e ouviram. Uma delas confessando-se encantada com as atrações ricas em colorido e ritmos exibidas no festival de arte, resumiu em sugestiva frase a vigorosa impressão gravada no espírito do público: “Os aplausos e brados da plateia mostraram que houve, de fato, um desbordamento de júbilo e entusiasmo. Um rompimento da barragem das emoções mais autênticas.” Acrescentou, aparentemente sem intenção de trocadilho: “Este (rompimento de barragem), vale...”


Lions homenageia 50 Imigrantes

Cesar Vanucci

“O exemplo é escola viva.”
(Antônio Luiz da Costa, educador)

Na empolgante sequência de atos cívicos e culturais que assinalou o início das comemorações de seu centenário, tão fecundo em realizações, o Lions Clube homenageou em Minas Gerais 50 Imigrantes de 14 diferentes nacionalidades. Dos troféus instituídos em razão dessa carinhosa manifestação de apreço, oito se destinaram a festejar a memória de cidadãos que “partiram primeiro”, deixando as pegadas impressas nos caminhos percorridos pela comunidade, ao longo dos anos, na construção do desenvolvimento cultural, social e econômico.

Os agraciados na condição acima sublinhada, todos com relevantes serviços em diferentes áreas de atuação no Estado, foram os saudosos Valentin Bahillo Cuadrado, espanhol, filósofo, antigo professor do Colégio Santo Agostinho; George Chalmers, inglês, que dirigiu por 40 anos a Mina de Morro Velho em Nova Lima; Lion Cohen, israelense, rabino e educador; Francisco Gaetani, italiano, empresário; Akio Yokoyama, japonês, introdutor do karatê no Brasil e em outros países da América; Eliazs Ishac Joukhadar, libanês, empresário; João Pereira da Silva, português, ex-integrante da Academia Municipalista de Letras de Minas; Antônio Cadar, antigo Cônsul da Síria em Minas, cujo nome figura em placas de rua e de estabelecimentos educacionais.

Outros 42 homenageados, representando legião numerosa de personagens nascidos em outras plagas que se radicaram em Minas e se incorporaram com seus feitos à história do nosso desenvolvimento econômico e social, foram indicados, a exemplo dos já citados, pelos Clubes de Lions e por associações representativas da cultura de diferentes nacionalidades. A lista, por país, abrangeu ilustres nomes. A saber: Argentina - Betina Belomo e Orlando Orube, ambos do meio artístico; Áustria - Gunter Bammer, do setor de equipamentos têxteis; Bolívia - Felipe Fernandez Riveroz, profissional da odontologia; Chile - Juan Antônio Fuentes Parede e Lillian Alicia Geoffroy Bugmann, ele engenheiro mecânico, ela dirigente da Apae; Espanha - Antônio Cardiel Luna, técnico mecânico, Aurea Piñon Bouzas, presidente do Grêmio Espanhol,  Claudio Alvarez Lourenço, administrador de empresas, Júlia Roca Domingues, profissional de alta costura, Maria Imaculada Cardiel Roca, educadora, Miguel Gamallo Monteagudo, dirigente do Grêmio Espanhol; Estados Unidos - Maxiné T. McClellan, especialista em treinamento corporativo intercultural, Robert Thomas Colombo, engenheiro; Inglaterra - Judith Robbe, líder comunitária; Israel - Henry Katina, nascido na Romênia, empresário, sobrevivente do holocausto; Itália - Anselmo Marcelo Vallerotonda, técnico em eletricidade, Mario Araldi, engenheiro (foi assistente do prêmio Nobel Giulio Natta) e empresário, Pietro Sportelli, dirigente de onze empresas no ramo industrial, Raffaele Peano, administrador de empresas e presidente da Associação Cultural Italo-brasileira, Tommaso Raso, especialista em estudos linguísticos, Umberto Cerri, fotografo; Japão - Akihide Takane, empresário no setor da floricultura, Eiko Oshiko Massanaga, profissional no ramo da estética, Takasuke Esaki, hortigranjeiro, Tomi Oshiko, também do setor hortigranjeiro, Yuji Yamada, prefeito de Janaúba, maior produtor individual de banana no mundo; Líbano - Brigitte Boutros Bacha, regente de grupo artístico árabe; Filomena Hajjard Haddad, especialista em gastronomia, Michel Bittar, pároco da Igreja Maronita, Souad Daoud Mitri, empresária; Portugal – Adalberto Augusto Ferreira Capelão, empresário, Álvaro Alves Nunes Fernandes, empresário, Antônio Andrade Mendes, advogado e empresário, Antônio Augusto dos Santos Nunes, químico industrial, Maria José Gonçalves da Silva, divulgadora da arte musical lusa, Virgolino Pereira Vilhena, escritor, poeta, preso político na ditadura salazarista; Senegal - Ibrahima Gaye, diretor do Centro Cultural Casa África, Mamour Ba, divulgador da arte musical africana; Síria - Habsen Adul Latife, especialista em arte culinária; Jaber Barakat, empresário, Najwa Seif Safar, especialista no ensino de árabe.

A leitura, debaixo de fortes aplausos, dos mini currículos de cada um deles na festa de entrega dos troféus do Lions proporcionou ao enorme público reunido no Chico Nunes oportunidade especial para conhecer uma sucessão de histórias pessoais edificantes, lições de vida admiráveis.


As certezas de uma comemoração histórica

Cesar Vanucci

“No entanto, não há nada mais brasileiro que um brasileiro.”
(Fernando Sabino)

No dia 24 de fevereiro de 2016, no Teatro Francisco Nunes, em Belo Horizonte, por ocasião da festa de celebração do Centenário do Lions, falando em nome dos promotores do evento, pronunciei as palavras abaixo registradas.

“Festa solene de celebração da vida, esta feérica sequência de atos cívicos e culturais promovida pelo Lions Clube é repleta de reconfortantes certezas. E isso se reveste de singular significado neste momento humano esfomeado e sedento de amor, marcado por tantas incongruências, indefinições e descomunais incertezas.

Estas revigorantes certezas advêm de nossas crenças nos valores humanísticos e espirituais que permeiam as ações do Movimento Leonistico ao longo de sua fecunda trajetória centenária. São valores que bebem inspirações na mensagem de serena e eterna beleza que chega do fundo e do alto dos tempos. Conferem sentido e dignidade à fascinante, posto que perturbadora, aventura humana.

O que aqui fazemos questão de proclamar, baseados nas lições de vida contempladas na galeria dos homenageados, Imigrantes provindos de tantas plagas diferentes; no labor criativo de homens e mulheres de boa vontade engajados no esforço de construção humana, é a certeza de que sem a prática ardente da solidariedade social; fora do ideal da confraternização universal, do respeito aos direitos fundamentais, não haverá jamais salvação para este nosso mundo velho de guerra sem porteira.

Acreditamos na Democracia como um regime de saudável convivência e não de execrável exclusão. Reconhecemos no Ecumenismo proposta insubstituível de garantir a pluralidade das ideias, instrumento eficaz no combate às intolerâncias, aos ódios fratricidas nascidos das divergências de opiniões. Abominamos as guerras do terror e o terror das guerras. Condenamos o racismo e todas as outras modalidades odiosas de discriminação que tanta infelicidade propagam. Criticamos as farsas geopolíticas ditadas pelas ambições hegemônicas de alguns governantes de países poderosos. Comungamos do anseio universal de que a humanidade possa encontrar, algum dia próximo de nós, formulação mais justa no partilhamento das riquezas universais, de maneira a reduzir as gritantes desigualdades sociais destes confusos tempos.

Falamos, na verdade, a mesma linguagem das multidões aglutinadas em tudo quanto é canto em torno dos ideais da paz, multidões ávidas por transformações que alterem para melhor os padrões do bem estar social vigentes.

Aqui estamos, por conseguinte, expressando confiança e fé no futuro de nosso planeta; desta nossa pátria terrena que se nos é concedida como morada provisória de todos nós, seres providos de alma revestida de indumentária física. Manifestamos, igualmente, confiança e fé no futuro do país em que nascemos, no qual vivemos; no país que alguns de nós aqui presentes resolvemos adotar como segunda pátria.

Este Brasil das utopias positivas é de todos nós! Este nosso Brasil oferece ao mundo eloquentes exemplos de boa convivência e boa vizinhança. Este Brasil sabe acolher com espírito fraternal Imigrantes de todas as latitudes.

Este Brasil negro, mulato, amarelo, caboclo, branco, de idioma único, de assimilação cultural fácil, bonito pela própria natureza, como diz a canção popular, aprendeu a cultivar concepção poética e solidária da vida; sabe vislumbrar, com seu jeitinho especial de ver as coisas do mundo, ocasiões de esperança, mesmo em instantes de adversidade.

O que aqui estamos celebrando, Senhores e Senhoras, é a certeza contida na sabedoria poética de Raul de Leoni, um dos principais vultos da fala lírica brasileira, quando explica que “o sentido da vida e o seu arcano é a aspiração de ser divino no supremo prazer de ser humano”. Palavra de Leão!”


Imagens da memorável festa 
promovida pelo Lions

São flagrantes colhidos nos atos cívicos e culturais realizados nos dias 22, 23 e 24 de fevereiro passado, no majestoso Teatro Francisco Nunes, em Belo Horizonte.
O mosaico de fotos foi organizado pelo Acadêmico Augusto Cesar Soares dos Santos.
CENTENÁRIO DO LIONS, EVENTOS DE 22.02.16
O BRASIL DE TODOS NÓS!


- PALESTRA MÁGNA DO SECRETÁRIO DE CULTURA DE MINAS GERAIS DR. ÂNGELO OSWALDO;

- FESTIVAL DE ARTE: CORAL LÍRICO DE MINAS GERAIS;

- DANÇA PORTUGUESA - GRUPO FLOCLÓRICO GIL VICENTE;

- MÚSICA PORTUGUESA - CORAL LUIS DE CAMÕES;

- MÚSICA AFRICANA - CONEXÃO TRIBAL (MAMOUR BA).

- DANÇA ITALIANA - GRUPO FOLCLÓRICO TARANTOLOTO







 CENTENÁRIO DO LIONS, EVENTOS DE 23.02.16
O BRASIL DE TODOS NÓS!

Palestra de Diretora da ACM - 

Dra. Mônica Cordeiro sobre 

"Internacionalização de Belo Horizonte"


Festival de Arte

Dança do ventre - Studio Brigite Bacha;

Dança Espanhola - Flamenco Gadir;

Dança Folclórica Árabe - Studio Brigite Bacha;

Dança folclórica Japonesa - Grupo Sumiré;

Demonstração de Arte Marcial Kendó";

Tambores Taiko - Grupo Raiki Daiko






CENTENÁRIO DO LIONS, EVENTOS DE 24.02.16
O BRASIL DE TODOS NÓS!

Homenageados de 14 nacionalidades

O Brasil de todos nós!

O Papel do Imigrante no processo de 

Construção Nacional!












Um comentário:

Anônimo disse...

Os artigos estão muito bons. Parabéns!

A SAGA LANDELL MOURA

Não precisava ser assim   Cesar Vanucci “Esse nosso infernal cotidiano!” (Domingos Justino Pinto, educador) Carga pesada. Isso...