sexta-feira, 17 de julho de 2015

CONVITE ESPECIAL PARA OS AMIGOS DO “BLOG DO VANUCCI”

No próximo dia 30 (trinta) de julho, quinta-feira, em reunião solene programada para o auditório da Associação Comercial de Minas, estarei tomando posse no cargo de Presidente da Academia Mineira de Leonismo, braço cultural da Associação Internacional de Lions Clubes.
Ficarei sumamente honrado com a presença dos amigos.
A solenidade está marcada para as 19h30m (dezenove horas e trinta minutos).

O auditório da ACMinas está localizado à avenida Afonso Pena, nº 372, 4º andar, Centro, Belo Horizonte.

Esse país e essa gente!


 Cesar Vanucci

“No entanto, não há nada
 mais brasileiro que um brasileiro.”
(Fernando Sabino)

País de dimensão continental. Quarto ou quinto em superfície. A área da Amazônia legal é maior do que todo o continente europeu, Rússia naturalmente excluída. Maior nação neolatina, democracia pujante, sexta economia do mundo, idioma único apesar da vastidão territorial, faz fronteira com dez diferentes países. Sem quaisquer atritos na convivência com qualquer um deles. A gente que habita estas paragens é provida de espírito o mais fraternal e solidário. Não ocorrem por aqui desavenças fratricidas por causa de crença ou etnia. O relacionamento humano é propenso à cordialidade e aceitação das divergências no plano das ideias. Fundamentalismo algum conseguirá jamais danificar, Deus louvado,nestes pagos abençoados, essa benfazeja inclinação.

Numa consulta popular ampla, anos atrás, este país majoritariamente católico consagrou um líder espiritista, Chico Xavier, como “brasileiro do século”. Indagação inevitável: em que outro lugar qualquer do mundo algo semelhante poderia acontecer?

Mas por que será mesmo que, nesta manhã friorenta, estas coisas todas sobre o meu país afloram, de forma tão impetuosa, em meu espírito? Matutando com os botões do pijama, imagino no primeiro momento que dos recônditos da alma acaba de irromper a necessidade de divulgar, alto e bom som, fatos incontestes que contribuam de algum modo para amortecer um colosso de informações pessimistas espalhadas por ai. Informações que andam alimentando onda encorpada de desalento, naturalmente conflitiva com as potencialidades e virtualidades nacionais.

Vou mais longe nas ruminações, chegando singelamente a uma história intrigante. O país é tão grande, abriga propostas culturais tão exuberantes e diversificadas, que não raras vezes costuma deixar-nos encabulados diante de situações desnorteantes extraídas de seu efervescente cotidiano. As manchetes do dia projetam uma delas. O jovem cantor sertanejo Cristiano Araújo, 29 anos, viu interrompida tragicamente refulgente trajetória de sucesso num acidente automobilístico. A ocorrência ceifou outra vida preciosa. A da namorada, Allana Moraes. O desaparecimento do ídolo provocou abalo emocional em parcela significativa da população, ensejando uma cobertura midiática de proporção descomunal, reservada apenas às celebridades artísticas. Foi aí, então, que um montão de gente descobriu que o talentoso cantor fazia parte delas. Figurando entre os intérpretes mais ouvidos, sobretudo junto a público mais moço, Cristiano atraia na rede social milhões de seguidores, superando de longe a popularidade de outros famosos. Multidões ignoravam essa circunstância.

Apesar da fama, derivada de reconhecidos dons artísticos, ele permanecia ilustre desconhecido com sua arte alegre para um contingente considerável de apreciadores de outros gêneros artísticos, outros astros e estrelas no mundo fascinante do entretenimento. A repercussão de sua partida prematura não deixou, em sendo assim, de produzir enorme surpresa nesses círculos.

Há uma ilação didática clara, iniludível, a retirar disso tudo. A tal moral da história. Neste país-continente, magnificamente integrado pelo idioma e costumes, nascidas de uma mesma fonte matricial de cultura, que bebe fartas inspirações na generosa índole popular e na alegria de viver que inunda lares e ruas, florescem perfeitamente realidades artísticas paralelas, com seu colorido todo peculiar. São acolhidas com entusiasmo por plateias distintas solidamente entrelaçadas em seu encantamento com a vida e seu apego aos valores que dignificam a aventura humana.


A CASA ASSASSINADA


Guido Bilharinho *


Não é fácil ao cineasta realizar filme intimista, como muitos romancistas preferiram fazer na literatura. A imagem cinematográfica exige, por princípio, o movimento. Não quer isso dizer, no entanto – sem configurar contradição, ao contrário – que só é cinema ou bom cinema os filmes de muita ação e agitação. Não é porque a imagem incessantemente se move que pessoas e coisas filmadas devem acompanhá-la. O que se sucede ininterruptamente é a imagem, vindo uma após outra. O objeto filmado, matéria da imagem, forma outra realidade, conquanto a componha. Todavia, tanto um quanto outra perfazem corpos distintos, independentes, prescindindo o objeto da imagem, visto ter existência autônoma.

No entanto, a imagem, mesmo sempre se vinculando ao que contém, não lhe está jungida, podendo desvencilhar-se e passar a focalizar outro ou outros objetos, aleatória ou intencionalmente.

Em consequência, não importa à imagem cinematográfica, para se constituir, que seu conteúdo seja estático ou não, desde que ela não o seja.

Assim, pode-se perfeitamente realizar filme intimista, carregado de subjetividade, sem prejuízo da ininterrupta sucessividade imagética cinematográfica.

Contudo, dada sua natural dificuldade, poucos são os cineastas que se aventuram a esse cometimento.

Ao filmar o tema do romance Crônica da Casa Assassinada (1959), de Lúcio Cardoso, o cineasta Paulo César Saraceni (Rio de Janeiro/RJ, 1933-2012) poderia optar por dirigir obra intimista ou de ação.

No filme daí resultante, A Casa Assassinada (1970), elege a segunda via, procurando conciliar, em grande tour-de-force, as angústias pessoais e os conflitos interpessoais de suas sofridas e amargas personagens. Se aquelas as convulsionam intimamente, sua materialização fílmica só se dá quando as opõem entre si, exteriorizadas em ação nem que seja, como no caso, dialógica.

Ao contrário do que se supõe, a ação fílmica não se concretiza apenas em movimentação física das personagens, mas, principalmente, no seu relacionamento interpessoal mediante gestos, olhares, expressões faciais e oralização de seus interesses, propósitos, temores e toda a gama de emoções características do ser humano.

No caso, a movimentação corporal ocorrente mais não faz e mais não significa do que a procura do outro ou o encontro com o outro para, por meio da palavra, expor desavenças, amores ou contrariedades.

Em decorrência disso, ao decidir-se o cineasta pela verbalização da subjetividade individual e pela exterioridade conflitual, envereda pela ação. Porém, não a ação em si ou por si mesma, mas, como reflexo da intimidade do indivíduo posta frente ao mundo, à realidade concreta que o circunda.

Se se substitui a personagem pensando consigo mesma pela personagem dialogando com outrem, não se perde de todo, contudo, o cerne substancial de sua subjetividade e tortura íntima, que se manifesta também na face, na postura e nas atitudes.

Os dramas individuais entrelaçam-se numa rede contristadora apenas rompida pelos contatos amorosos, que mais a complicam e enredam em dramas carregados de intrínseca tragicidade num filme belo na soturnidade de suas vivências, décors e exuberante paisagem rural, todas marcadas pela decadência e estagnação econômico-social familiar, que moldam os caracteres, acentuam e agravam as pendências quando não as originam e deflagram.

A segurança diretiva do cineasta e sua consciência do fazer fílmico imprimem iguais atributos às interpretações, onde se salienta a notável performance de Norma Benguel, que domina as cenas em que aparece numa das melhores interpretações do cinema pela alta carga de consistência que imprime à personagem.

Se no filme a ação é exposta pela dialogação, que assume, pois, importância capital, a precariedade da gravação e/ou da transmissão do som prejudica sua plena inteligibilidade e, por extensão, o próprio filme, que exige, para sua fruição, sejam compreendidas as agruras, paixões e conflitos em jogo.

Destaca-se, ainda, no filme a preocupação direcional pelos enquadramentos das personagens nos décors e nas locações externas, em mútua e constante interação e valorização, como se as pessoas não pudessem existir e movimentar-se fora da paisagem e como se esta não tivesse importância sem a presença humana.

(do livro Seis Cineastas Brasileiros. Uberaba, Instituto   Triangulino    de    Cultura,    2012)

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* Guido Bilharinho é advogado atuante em Uberaba, editor da revista internacional de poesia Dimensão de 1980 a 2000 e autor de livros de literatura, cinema, história do Brasil e regional.

2 comentários:

Anônimo disse...

Olá Vanucci
Como sempre seus artigos são muito bem postos.
Contudo, indago.
Não seria o desgoverno e imoralidade explodidas definitivamente nas autoridades constituídas, desde que J. Alencar nos deixou, que está trazendo o país de volta ao buraco?
Inflação e corrupção correm soltas. Os juros? Oh!
Nem é preciso ser economista ou político para descrever.
Qualquer dona de casa sabe que estamos de volta ao Caos.
Abraços
Ivan Kallas
ivankallas@oi.com.br

ARAHILDA GOMES ALVES disse...

CESAR:

IDEIAS DE UM GÊNIO.MAS,SE É GÊNIO,EM PROFUSÃO,GERAM IDEIAS.ABRE PAINEL PARA OUTROS, QUE FAZEM DA IDEIA,O QUE VALE A PENA ESCREVER.PARABÉNS! AMIGA ARAHILDA

A SAGA LANDELL MOURA

Não precisava ser assim   Cesar Vanucci “Esse nosso infernal cotidiano!” (Domingos Justino Pinto, educador) Carga pesada. Isso...