quinta-feira, 30 de abril de 2015


Voltando aos reclames governamentais


Cesar Vanucci

“Os gastos com publicidade durante os governos tucanos em Minas
 dariam para construir duas novas cidades administrativas.”
(Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, presidente 
da Associação dos Economistas MG)


Semanas atrás andamos comentando neste espaço o despropósito dos gastos publicitários governamentais nos níveis federal, estadual e municipal. Lembramos que a opinião pública acompanha com total desagrado essa frenética disputa por espaço midiático que os setores mencionados vivem travando com anunciantes de grande porte, ao estilo do “Magazine Luiza”, “Ricardo Eletro”, “Casas Bahia”, marcas de cerveja e de veículos. Complementamos o registro com uma momentosa ilustração. Nos últimos dias do ano transcorrido, em todos os intervalos do chamado “horário nobre”, até mesmo na hora do foguetório da despedida de 2014, nos estertores a bem dizer do mandato, o Governo de Minas manteve-se ruidosamente empenhado na divulgação de peças publicitárias na televisão chamando com insistência a atenção do distinto público para o “colosso” de realizações promovidas em favor da coletividade.

Até aquele momento, espantados com o que víamos na telinha, ainda desconhecíamos os impressionantes dados oficiais sobre os exorbitantes aportes de recursos em propaganda feitos no curso das gestões administrativas do PSDB no Estado. Não sabíamos, por exemplo, que a dinheirama aplicada sob a rubrica “publicidade” entre 2003 e 2013 daria para construir duas novas “cidades administrativas” da imponência da que foi implantada à margem da rodovia que leva ao Aeroporto Internacional de Confins. Quem nos colocou a par dessa desconcertante revelação, numa análise esmiuçada das contas públicas estampada em edição do “Mercado Comum”, março de 2015, foi o conceituado economista Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, presidente da ASSEMG (Associação dos Economistas de Minas Gerais) e do IBEF Nacional (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças). As informações são parte de um alentado estudo que traz outros dados desnorteantes relativos à economia brasileira e mineira. No que concerne especificamente à publicidade paga pelo Governo de Minas Gerais no período reportado, o autor do trabalho se louva em levantamento feito junto ao Tribunal de Contas do Estado. Fica demonstrado que os dispêndios a esse título, em valores atualizados de 2013, atingiram a altitude everestiana de 2 bilhões, 172 milhões e 58 mil reais. Para que se possa ter uma ideia mais ampla do significado desse incrível gasto, é bom saber que a soma apontada é 27 por cento superior ao patrimônio líquido do BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais), ou seja, um bilhão setecentos e dez mil reais no final de 2013. A média anual dos recursos aplicados em publicidade pelo governo mineiro alcançou, nos períodos administrativos referidos, a impressionante cifra de 197 milhões, quinhentos e dez mil reais. Em 2013 o valor apurado foi de 254 milhões 180 mil reais.

A lembrança ainda muito acesa de que parte substancial dos reclames oficiais conferia ênfase toda especial aos assim chamados “choque de gestão” e “déficit zero”, fundamentais na programação administrativa dos governos tucanos, produz compreensível impacto no espírito popular diante de outras revelações surgidas da análise dos números da economia estadual.

A descomunal dívida pública deixada é, por exemplo, de apenasmente 88 bilhões 272 milhões 50 mil reais (Uai! E o “déficit zero”?). Valor superior à receita anual do Estado, que chegou em 2014 a 73 bilhões 347 milhões. Desponta aí, indisfarçavelmente, lembrando o que ocorre hoje em matéria de dívida pública na Comunidade Europeia das Nações, um certo toque de tragédia grega na vida financeira do Estado.

Mas não se restringem a esses dados os registros chocantes. Minas foi também o Estado que, nos últimos anos, mais se endividou em moeda estrangeira. Em dezembro do ano findo, o volume da dívida externa de Minas totalizava 9 bilhões 396 milhões, correspondendo a 21,8 por cento da receita corrente líquida. De outra parte, o relatório de gestão fiscal e o orçamento fiscal da Secretaria da Fazenda relativos ao período janeiro/dezembro de 2014 expuseram uma situação inesperada e extremamente penosa do ponto de vista da gestão financeira. Com receitas da ordem de 73 bilhões 347 milhões e despesas estimadas em 75 bilhões 512 milhões, as contas públicas acusaram um déficit de quase 2 bilhões. Isso foi detectado na precisa hora da mudança do comando administrativo.



Tensões e distensões

Cesar Vanucci

“Na tarde de 2 de abril, o Irã e as seis potências anunciaram uma
proposta de acordo, para satisfação declarada de quase todo o mundo...”
(Antônio Luiz M. C. Costa, jornalista)


As coisas azedaram no Iêmen, dilacerado por mais um desses conflitos intermináveis que deixa os observadores com dificuldades para explicar quem está brigando com quem e por qual razão e onde, também, as posições dos ferozes contendores mudam que nem as dunas do deserto varrido pelos ventos.

Nas regiões sírias, iraquianas, líbias, nigerianas, somalis  dominadas pelo “califado do terror” e noutros territórios do Oriente Médio e da África sacudidos por contendas tribais insolúveis, repetem-se a cada dia as costumeiras cenas de atrocidades. Se tudo isso, por um lado, alimenta justificados temores e produz compreensível angustia, outros acontecimentos no plano internacional, ocupando as atenções, produzem de outra parte algum alívio e o desanuviamento de tensões acumuladas.

A reaproximação dos Estados Unidos e Cuba, depois de meio século de desentendimentos, é motivo, sem dúvida alguma, para comemoração. O surgimento de condições propicias para a concórdia entre americanos de todos os países ganha razoável amplitude. Remove desconfianças que se desenhavam, para contragosto geral, insanáveis. Abre perspectivas promissoras de intercâmbio cultural e econômico. Não se pode olvidar a intermediação eficaz do Papa Francisco nesse alentador processo que levou Obama e Raul Castro a se sentarem lado a lado numa mesa para proveitoso diálogo.

O pacto firmado pelos Estados Unidos e países da Comunidade Europeia com o Irã é um outro evento a ser saudado, também, com vivo entusiasmo. Exceção feita aos radicais que governam Israel, às facções extremistas do Partido Republicano estadunidense e a alguns elementos da chamada “linha dura” iraniana, todo mundo, em todas as latitudes, aplaudiu a iniciativa. A imprensa internacional destacou como lance positivo a manifestação de concordância, até certo ponto surpreendente, da Arábia Saudita, cujo governo não esconde as desavenças político-religiosas nutridas com relação aos dirigentes iranianos. Os sauditas expressaram, ao mesmo tempo, a expectativa de que possa ocorrer, em futuro próximo, a “completa desnuclearização” do Oriente Médio. A referência teve por alvo o Israel, país possuidor de arsenal atômico e que vem oferecendo toda sorte de empecilhos à implantação do Estado da Palestina. Posicionamento que contraria abertamente determinação da ONU e que colide frontalmente com a aspiração da comunidade internacional das nações.

A propósito do acordo mencionado, vale recordar que a diplomacia brasileira, no governo Lula, com a ajuda da Turquia e, conforme se noticiou na ocasião, com o incentivo confesso da Casa Branca, conseguiu definir as premissas básicas do entendimento só agora consolidado. Se os Estados Unidos não tivessem, estranhavelmente, por algum nebuloso motivo estratégico qualquer, retirado o apoio ostensivo que vinha emprestando às diligências promovidas pela chancelaria brasileira, então sob o comando do Ministro Celso Amorim, bem provavelmente o pacto que vem de ser celebrado poderia ter sido antecipado de alguns anos.






 GALERIA DE ARTE


 álvaro apocalypse,


OUTRO GRANDE NOME 

DAS ARTES PLÁSTICAS

   


Álvaro Brandão Apocalypse é outro grande nome das artes plásticas brasileiras. Nasceu em 1937, Ouro Fino, Minas Gerais. Foi pintor, ilustrador, gravador, desenhista, diretor de teatro, cenógrafo, professor, museólogo, publicitário. É um dos fundadores do Grupo “Giramundo”.
O artista iniciou os estudos em Belas Artes em 1950. Graduou-se em direito na Universidade Federal de Minas Gerais. Convidado a produzir desenhos animados para campanhas publicitárias, ilustrou revistas e jornais. As festas típicas populares inspiraram sua criatividade. Ele aperfeiçoou a técnica de pastel e passou a produzir gravuras.
O surrealismo marca sua obra. Seu trabalho rendeu-lhe prêmio de viagem ao exterior para participar do Terceiro Salão da Aliança Francesa em 1969. Em Paris, fez curso na Escola do Louvre. Ganhador de vários prêmios. Entre eles, o Molière e o Troféu Mambembe.

Abaixo, algumas criações desse grande artista, 

extraídas dos sites “Pinturas em tela” e 

“Enciclopédia Itaú Cultural”



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