segunda-feira, 9 de março de 2015

Considerações rápidas e rasteiras (I)

  Cesar Vanucci 

“As acusações que pesam contra o
empreiteiro poderiam ser atenuadas...”
(Do noticiário dos jornais, a respeito do empreiteiro preso que diz uma coisa para a Justiça e que estaria ameaçando pela imprensa sair dizendo outra coisa acerca da maracutaia em que se envolveu)

O lucro da Vale e a Bolsa
Carradas de razão tinha Tom Jobim ao dizer que o Brasil não é pra principiantes. Do noticiário do “Diário do Comércio”, edição de 27 de fevereiro passado, extraio duas informações, de caráter aparentemente contraditório, que corroboram em cheio a fala do genial compositor. Ei-las: 1) “Lucro da Vale cresceu 729% no ano passado – mesmo diante dos baixos preços do minério de ferro no mercado internacional e do prejuízo de R$ 4.7 bilhões registrados no quarto trimestre, o lucro líquido da Vale aumentou 729% no ano passado e somou R$ 954 milhões, ante R$ 115 milhões contabilizados em 2013”; 2) A queda da Bolsa hoje (26 de fevereiro de 2015) foi conduzida pelo recuo das ações da Vale, devido ao balanço considerado fraco, e também pelo mau humor dos investidores com indicadores econômicos ruins. Os papéis da Vale terminaram com queda de 4.02% e 3.87% (PN), depois que a empresa reportou um prejuízo líquido de US$ 1.849 bilhão no quarto trimestre deste ano (2014).
O prejuízo ficou acima da média das projeções de analistas, que esperavam perdas de US$ 740 milhões para o período.”
Perguntar não ofende. É isso mesmo? Os especuladores da Bolsa, então, não ficaram nada satisfeitos com os lucros de “apenas” 729 por cento da Vale? Não, não precisa explicar. Eu só queria mesmo entender.

As tais “agências de risco”
À parte os irretorquíveis motivos que a Petrobras vem oferecendo para que sua credibilidade decline perante a opinião pública, não merece passar sem fortes ressalvas o anúncio do rebaixamento do índice da empresa para recebimento de financiamentos dado pela “Moddy’s”. É sabido até do mundo mineral, como diria o jornalista Mino Carta, que essas tais “agências de risco” não passam de manjadíssimos instrumentos manipulados a bel prazer pelos megaespeculadores. De outra parte, apesar de sua total proximidade, dir-se-á mesmo, intimidade, com as grandes corporações financeiras situadas no epicentro do inigualável escândalo da “bolha imobiliária” de 2008, elas – as agências de risco, “Moddy’s” incluída – não se deram ao trabalho de emitir, hora alguma, qualquer sinal de alerta ao público, tanto nos Estados Unidos quanto noutros países, sobre a formidanda crise que estava a se abater sobre a economia mundial. Seus festejados analistas, que se confessam atentos a tudo que ocorre de relevante no mundo dos negócios nos países emergentes, engoliram chusma de mosca no “monitoramento” do catastrófico evento produzido em Wall Street.

As “versões” do coordenador do cartel
A mídia, com destaque para   a “Veja”, publicação semanal de grande tiragem, publica graves revelações atribuídas a um empreiteiro emaranhado nas teias da “Operação Lava Jato”. O elemento em questão é apontado nas investigações como articulador do cartel de empresas acusado de montar, com o eficiente concurso de agentes públicos e políticos inidôneos, a descomunal maracutaia.
As informações estampadas na imprensa como sendo de sua autoria são totalmente diferentes do teor dos depoimentos que lhe foram tomados, com todas as cautelas de estilo, na presença de seus advogados, no inquérito instaurado pela Justiça.
A versão dos autos não seria, por conseguinte, pra valer. O cara, com forte propensão para comendador de novela, teria coisas mais pra contar diante dos microfones e câmeras. Esperar o próximo capítulo dessa trama de suspense.


Considerações rápidas e rasteiras (II)

  Cesar Vanucci 

“Para o radical nada funciona a contento.
Tudo, à sua volta, conspira contra suas ideias.”
(Antônio Luiz da Costa, professor)

 Surto talibanista
Contaminada por “surto talibanista”, uma minoria radical vem aprontando o diabo a quatro nas redes sociais. Esticando a extremos sua paranoia e vocação incendiária, tais elementos têm alvejado, com expressões boçais, governantes no exercício legítimo do poder, querendo sua destituição; pregam a dissolução do Congresso; propõem a substituição da democracia por regime totalitário; recomendam boicote aos produtos da Petrobras, pedindo a privatização da estatal e a entrega das reservas do pré-sal a petrolíferas estrangeiras.  “Anunciam” que vem vindo aí o confisco da poupança, aconselhando “corrida” dos depositantes às agências bancárias. Tudo isso ao pretexto de manifestar inconformismo com relação a desacertos ocorridos na vida política brasileira. Há uma frase impecável de Franklin Delano Roosevelt para retratar o estado de espírito dessa gente: “O radical colérico é alguém com os pés firmemente plantados no ar.”

Sistema de corrupção
Não poucos analistas políticos e econômicos acreditam na existência de um sistema de corrupção nos domínios da Petrobras que extravasa os limites de tempo apontados nas divulgações até agora feitas sobre as investigações. A declaração atribuída a um dos implicados na bandalheira, “delator premiado”, ex-gerente executivo da estatal, de que o “esquema” já funcionava nos anos 90 é sumamente reveladora.

Apurações irão mais longe, com certeza
Outra sinalização abundante, derivada de depoimentos já vindos a furo nas “delações” da “Operação Lava Jato”, aponta na direção de que os  escândalos tendem a ir além da Petrobras, das empreiteiras e dos personagens até agora arrolados. Existiriam mais nomes na fila “esperando” pra entrar em cena. Há quem, por outro lado, conceba ainda a hipótese de as diligências atuais contribuírem para reavivar, com fatal reabertura de investigações, episódios do passado recente, na hora atual um tanto fora do foco midiático, alusivos a delitos que conservam pontos afins com a “Lava Jato”. Entre eles, os manjados “casos” Carlinhos Cachoeira e PC Faria, “Operação “Satiagraha”, mensalão mineiro, certos processos questionáveis de privatização, por aí... Quanto à maracutaia do metrô de São Paulo, esta ai vem sendo objeto, sim, de investigação. Só que caminhando a passo de cágado, sabe-se lá por que cargas d’água.

Ferocidade criminosa
Tomando conhecimento, entre estupefatos e indignados, dos pormenores hediondos da tragédia ocorrida em Uberaba, onde a jovem mãe e filhos gêmeos bebês foram assassinados, a gente fica até com a sensação de que o desalmado pai criminoso e o comparsa teriam passado por treinamento intenso, com destaque nas “disciplinas” ferocidade e barbárie, ministrado por instrutores do ISIS, o califado do terror.

Filme conhecido
Os governos dos Estados Unidos e Turquia firmaram pacto para equipar e treinar milhares de combatentes a serem recrutados nas fileiras dos “grupos moderados” engajados em ações contra a ditadura Bachar al Assad, na Síria. Anotem aí, por favor. Não vai dar outra. Esse filme já foi visto várias vezes. No final, o mocinho do enredo vira vilão. Caso típico de tiro saindo pela culatra.

O Juiz e os autos
“Bombando” nas redes sociais. O Juiz que ordenou a apreensão dos bens do Eike Batista levou ao pé da letra a interpretação de uma prerrogativa legítima da magistratura. Não é de seu dever conduzir os autos do processo?

Considerações rápidas e rasteiras (III)

Cesar Vanucci 

“Logo dominaremos toda a África e entraremos em Roma.”
(Declaração recente, em vídeo, do “Califado do Terror”)


Perguntas que não calam
Os fanáticos do ISIS, o califado do terror que opera em áreas da Síria, Iraque e Líbia, e seus aliados na Nigéria, Iêmen e Somália possuem uma máquina de guerra poderosa, provida de equipamentos bem sofisticados. Baterias de mísseis, tanques, peças de artilharia, há quem admita até caças. Contam com suprimento inesgotável de munição e, obviamente, com estoques de peças de reposição, além de avançados aparelhos de comunicação, imprescindíveis nas tresloucadas ações empreendidas.
O mundo inteiro sabe perfeitamente que material desse tipo não é produzido nas áreas por eles dominadas. De onde, então, esse material provém? Não constitui, definitivamente, tarefa impossível identificar com exatidão o local ou locais onde tudo é fabricado. Como também ficar sabendo quais são as rotas utilizadas, bem como os respectivos meios de transporte, entre os pontos de embarque e os de destino.
Outra coisa intrigante: de onde sai a nota preta aplicada nas aquisições? Como se processam, afinal de contas, as operações financeiras nesses incrementados esquemas de compra e venda? Convenhamos, não deve ser missão exageradamente complexa assim encontrar respostas adequadas para essas indagações, de modo a que possam ser estabelecidos, com base nos levantamentos de dados, métodos mais eficazes de enfrentamento a esses semeadores do ódio e da barbárie.
Uma indagação derradeira, desassossegante: que interesses misteriosos clandestinos, inacessíveis ao conhecimento das pessoas comuns, impedem os bem adestrados serviços de inteligência das grandes potências de colocar em pratos limpos, esmiuçadamente, todas as sinistras conexões dessa formidanda engrenagem?

O tom certo do carnaval
E não é que as ruas acabaram dando o tom certo, o tom perfeito do carnaval! A alegria espontânea e contaminante, conduzida por blocos, cordões e foliões soltos, deu vida nova a uma comemoração entranhada na alma popular brasileira. Uma celebração, falar verdade, em condições de competir com o futebol como expressão cultural genuína. Tomando-se Belo Horizonte como exemplo, o que se viu foi uma explosão feérica de sons, luzes e cores, animação sem igual, ornamentada por maciça presença familiar. Deu pra perceber que se tratava das multidões que costumavam frequentar estádios de futebol, sobretudo o Mineirão, e que deles foram sendo paulatinamente escorraçadas por conta das violentas “torcidas” ditas “organizadas”. O povo tomou, de repente, a decisão de reocupar as praças no período momesco, para esfuziantes comemorações, consciente de que elas, as praças, como no dizer lírico de Castro Alves, lhe pertencem como o céu pertence ao condor

Esses criativos carnavalescos!
E por falar em carnaval, mas que beleza (hein?) os desfiles das Escolas de Samba do Rio e de São Paulo! Contemplando aquele bombardeio sensorial todo, aquele desbordamento tonitruante de talento, criatividade e ritmo, na composição de um show que, sem exagero, merece ser apontado como “o maior espetáculo da Terra”, lamentamos, outra vez mais, a infeliz decisão dos organizadores da Copa Mundial de Futebol ao esnobarem nossos carnavalescos por ocasião da contratação da equipe responsável pela montagem da insossa festa de abertura da grandiosa competição esportiva.

Auxílio-moradia
A opinião pública não vê, obviamente, com bons olhos a concessão de auxílio-moradia a agentes públicos. Considera que a medida fere flagrantemente princípios republicanos.

Mas, de outro lado, não entende a razão pela qual boa parte da mídia, ao condenar justificadamente a outorga do privilégio a parlamentares, omita a circunstância de que, além deles, magistrados e membros do Ministério Público também são favorecidos com a mesma vantagem remuneratória.


GALERIA DE ARTE

ROBERTO BURLE MARX,
INIGUALÁVEL PAISAGISTA



Roberto Burle Marx (São Paulo, 4 de agosto de 1909 – Rio de Janeiro, 4 de junho de 1994)    foi um artista plástico brasileiro  renomado internacionalmente ao exercer a profissão de  arquiteto-paisagista.
Morou grande parte de sua vida no Rio de Janeiro, onde estão localizados seus principais trabalhos, embora sua obra possa ser encontrada ao redor de todo o mundo.
Seu primeiro projeto de jardim público foi a Praça de Casa Forte, localizada no Recife, cidade natal de sua mãe.
Era o quarto filho da recifense  Cecília Burle, membro da tradicional família pernambucana de ascendência francesa Burle Dubeux, e de Wilhelm Marx, judeu alemão nascido em Estugarda  e criado em Tréveris (cidade natal de Karl Marx , primo de seu avô).
 A mãe, exímia pianista e cantora, despertou nos filhos o amor pela música e pelas plantas. Roberto a acompanhava, desde muito pequeno, nos cuidados diários com as rosas, begônias, anturios, gladiolos, tinhorões  e muitas outras espécies que plantava no seu jardim. Com a ama Ana Piascek aprendeu a preparar os canteiros e a observar a germinação das sementes do jardim e da horta.
O pai era homem culto, amante da música erudita e da literatura europeia, preocupado com a educação dos filhos, aos quais ensinou alemão, embora se dedicasse aos negócios, como comerciante de couros, num curtume que mantinha em São Paulo.
Mudança para o Rio de Janeiro
Quando os negócios começam a ir mal em São Paulo, seu pai resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro em 1913. A família viveu um tempo em casa de familiares e, quando a nova empresa de exportação e importação de couros de Wilhelm Marx começou a ter resultados positivos, finalmente se mudaram para um casarão no Leme. Nesse casarão, Burle Marx, então com 8 anos, começou a sua própria coleção de plantas e a cultivar suas mudas.
Período na Alemanha
Aos 19 anos, Burle Marx teve um problema nos olhos e a família se mudou para Alemanha em busca de tratamento. Permaneceram na Alemanha de 1928 a 1929, onde Burle Marx entrou em contato com as vanguardas artísticas. Lá conheceu um Jardim Botânico com uma estufa mantendo vegetação brasileira, pela qual ficou fascinado.
As diversas exposições que visitou e, dentre as mais importantes, a de Pablo Picasso, Henri Matisse, Paul Klee e Vicent van Gogh, lhe causaram grande impressão, levando-o à decisão de estudar pintura.
Formação acadêmica em Artes Plásticas (Belas Artes)
Durante a estada na Alemanha, Burle Marx estudou pintura no ateliê de Degner Klemn. De volta ao Rio de Janeiro, em 1930, Lúcio Costa, que era seu amigo e vizinho do Leme, o incentivou a ingressar na EscolaNacional de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Burle Marx conviveu na universidade com aqueles que se tornariam reconhecidos na arquitetura moderna brasileira: Oscar Niemeyer, Hélio Uchôa e Milton Roberto, entre outros.
Início do paisagismo no Recife
O primeiro projeto de jardim público idealizado por Burle Marx foi a Praça de Casa Forte, no Recife, em 1934. Nesse mesmo ano assumiu o cargo de Diretor de Parques e Jardins do Departamento de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco, onde ainda lidava com um trabalho de inspiração levemente eclética, projetando mais de 10 praças. Nesse cargo, fez uso intenso da vegetação nativa nacional e começou a ganhar renome, sendo convidado a projetar os jardins do Edifício Gustavo Capanema (então Ministério da Educação e da Saúde).  
 Em 1935, ao projetar a Praça Euclides da Cunha (a Praça do Internacional, conhecida também como Cactário Madalena) ornamentada com plantas da caatinga e do sertão nordestino, buscou livrar os jardins do "cunho europeu", semeando a alma brasileira e divulgando o "senso de brasilidade". Seu grupo do movimento arquitetônico modernista (junto com Luis Nunes, da Diretoria de Arquitetura e Construção, e Attilio Correa Lima, responsável pelo Plano Urbanístico da cidade), ganhou opositores como Mário Melo e simpatizantes como Gilberto Freyre, Joaquim Cardozo e Cícero Dias, com os quais sempre se reunia. Em 1937 criou o primeiro Parque Ecológico do Recife.
Ruptura e modernidade
Sua participação na definição da Arquitetura Moderna Brasileira  foi fundamental, tendo atuado nas equipes responsáveis por diversos projetos célebres. O terraço-jardim que projetou para o Edifício Gustavo Capanema é considerado um marco de ruptura no paisagismo brasileiro. Definido por vegetação nativa e formas sinuosas, o jardim (com espaços contemplativos e de estar) possuía uma configuração inédita no país e no mundo.
A partir daí, Burle Marx passou a trabalhar com uma linguagem bastante orgânica e evolutiva, identificando-a muito com vanguardas artísticas como a arte abstrata e o concretismo, o construtivismo, entre outras. As plantas baixas de seus projetos lembram em muitas vezes telas abstratas, nas quais os espaços criados privilegiam a formação de recantos e caminhos através dos elementos de vegetação nativa.
(Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre)


OBRAS DO MESTRE











Um comentário:

Unknown disse...

ALO CESAR. BOAS CONSIDERAÇÕES. QUANTO A CORRUPÇÃO, DESE ADÃO. VAMOS MELHORAR. A NAÇÃO É JOVEM. MAIS 100 OU 200 ANOS ESTAREMOS NA LIDERANÇA DA ÉTICA GOVERNAMENTAL. ABS.

A SAGA LANDELL MOURA

  Nos tempos do rádio Cesar Vanucci   "Surpreendi-me noveleiro depois de aposentado. Não perdia um só capítulo de “O direito ...