quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Pandemia de cesáreas

Cesar Vanucci *

“Inaceitável esse procedimento!”
(Ministro Arthur Chioro, da Saúde)

Pelo conjunto de medidas que acaba de ser anunciado, o Ministério da Saúde parece mesmo decidido a por fim nessa “pandemia de cesáreas” propagada pelos serviços privados e públicos de assistência à saúde, com o primeiro dos setores mencionados assumindo a maior parcela de culpa no cartório pelos malfeitos detectados.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estipula em 15 por cento o índice tolerável de partos cirúrgicos. Entre nós, por conta de variados fatores, com realce para a mercantilização do processo e a ausência de orientação técnica adequada, os índices, considerados os mais elevados no rol dos países desenvolvidos, atingem as altitudes himalaianas de 84 por cento na faixa da assistência suplementar e de 40 por cento na esfera pública. Números que configuram quadro inaceitável, um verdadeiro e gravíssimo problema de saúde pública. Declarando-se no firme propósito de não mais aceitar, sob hipótese alguma, a cesariana indiscriminadamente como parto normal, o Ministro Arthur Chioro orientou os órgãos sob seu comando, com ênfase para a Agência Nacional de Saúde Suplementar, no sentido de que coloquem em vigor imediatamente normas capazes de interromper o descalabro apontado. Encarada por muitos, irresponsavelmente, como procedimento de mera rotina, as cesarianas a torto e a direito produzem danos pessoais e econômicos consideráveis. Oito entre dez casos de gestação assistidos pelos planos de saúde valem-se dessa alternativa obstétrica. Na rede pública, o condenável esquema também marca presença, se bem que em índice inferior ao da rede privada, conquanto ainda bastante exagerado para os padrões recomendados pela OMS. A ordem do Ministério é frear o abuso. Especialistas no campo médico asseveram que as cesáreas desnecessárias aumentam consideravelmente a probabilidade de o bebê nascer com problemas respiratórios e triplica o risco de morte da parturiente.

As determinações previstas obrigam médicos, hospitais, clínicas, planos de saúde, agentes públicos da área, parturientes a obedecer critérios técnicos e administrativos fadados a eliminar, vez por todas, a prática irresponsável do parto cirúrgico desnecessário. O prazo estabelecido para que tudo seja posto a funcionar de acordo com os critérios traçados é de 180 dias. Sanções pesadas aguardam aqueles que se recusem a seguir as regras.

A resolução das autoridades, muito bem recebida pela opinião pública, demonstra a disposição governamental em enfrentar com rigor um dos muitos desafios hoje existentes nos sistemas de prestação de serviços públicos e privados na nevrálgica área da Saúde.

Tão benfazeja orientação oficial reacende na esperança popular o ardente desejo de que outras soluções possam vir a ser encontradas com referência a questões igualmente sérias enfrentadas pelos usuários dos programas assistenciais. Uma delas diz respeito aos abusos cometidos pelos planos com relação aos idosos. Brada aos céus uma exigência das operadoras. Em flagrante desrespeito à legislação brasileira, elas estabelecem que as contribuições mensais visando a continuidade da assistência sejam majoradas em percentuais elevadíssimos, insuportáveis, à hora em que as pessoas atingem faixas etárias diferentes. Quem chega, por exemplo, aos 60 anos vê-se constrangido a desembolsar valor equivalente ao dobro do que vinha até então pagando pelo seu sagrado direito de acesso aos serviços. Isso é simplesmente estarrecedor. É chegada a hora, então, Senhor Ministro, de se colocar freio também em tão extorsiva prática!


A Teoria de tudo

Cesar Vanucci *

"Amplamente verdadeira".
(Stephen Hawking, a respeito da fita que retrata sua vida)

Mesmo sem ter assistido à hora em que libero estas maldatilografadas qualquer outro filme concorrente, arrisco-me sem vacilações a proclamar que o Oscar deste ano será inevitavelmente atribuído ao esplêndido “A Teoria de tudo” e aos atores Eddie Redmayne e Felicity Jones, que protagonizam os principais personagens do roteiro. Não me recordo, percorrendo as ladeiras da memória um bocado de anos, de haver me deparado na tela com desempenho tão primoroso quanto o de Redmayne encarnando a figura fabulosa do homem de ciência Stephen Hawking. A jovem parceira não fica nada atrás em brilhantismo na personificação de Jane, a esposa.

O diretor James Marsh consegue compor narrativa empolgante a respeito de um tema demasiadamente complexo, que exige doses elevadas de talento e criatividade nas abordagens sobre o relacionamento humano das figuras retratadas. O enredo se fixa na vida e na obra de um homem genial, hoje com 73 anos, acometido de enfermidade degenerativa neuromotora que impede por completo sua mobilidade e fala e, que nada obstante toda essa arrasadora adversidade, é celebrado como uma das cabeças pensantes mais lúcidas e fecundas da história científica. Surpreendi, na atmosfera de arrebatamento dominante numa sala de projeção apinhada, indisfarçáveis sinais de choro silencioso.

A trama centrada na ligação conjugal quase resvala nalguns momentos para a pieguice, sobretudo quando se tem presente a informação de que a ruptura do cientista e esposa - uma intelectual de mérito, estudiosa da poesia ibérica medieval -, depois de 26 anos de vida em comum, recobriu-se de certo caráter contencioso, omitido nas cenas sentimentais projetadas. Pode-se ainda dizer, na análise da fita, que o enfoque romântico tende a exceder ligeiramente, numa medida geral, os trechos do relato reservados aos extraordinários feitos científicos do biografado. Mas, isso não retira, jeito maneira, do filme a condição de obra cinematográfica de alto quilate. A “Teoria de tudo” mexe pra valer com a sensibilidade do público.  À vista, uma penca de prêmios.

 O rei que governa de longe. História desconcertante. Mais parece invencionice de escribas habituados a produzirem contos na linha do realismo fantástico. Vem narrada na IstoÉ. Gbi, de cuja existência real ninguém suspeita, é um dos mais pobres países do maltratado continente africano. É governado por um representante da etnia ewes, o rei Céphas Bansah, cujo domicílio permanente está localizado na cidade alemã de Ludwigshafen. O cara administra os súditos à distância (sete mil quilômetros separam Gbi da Alemanha), utilizando avançados recursos eletrônicos de comunicação. Expede ordens, faz declarações, assina atos pela internet. Explica aos assessores o que deve ser feito por meio de contatos telefônicos via “skype” e “whats app”.
Céphas Bansah é dono de uma oficina mecânica no lugar em que mora. Alega nada receber pelo trabalho como rei. Seu sustento é garantido no batente profissional. Esclarece que governa nessas condições “para ficar mais próximo das novas tendências e tecnologias e, assim, introduzí-las mais facilmente em minha nação”. Quer dizer com isso que em Gbi pode faltar comida, medicamentos, serviços básicos, mas não falta, de jeito algum, internet. A respeito do curioso personagem há ainda coisas para serem contadas. Na verdade, ele era o terceiro na linha sucessória, mas acabou assumindo o trono em lugar do pai e do irmão mais velho por uma circunstância incrível: os dois são canhotos e pela cultura ewes criaturas com esse “defeito de nascença” são impedidas de assumir funções de relevância na vida comunitária.
Os antigos cunharam uma expressão tranchã para classificar situações desse gênero: madeira de dar em doido...



Deu a louca
Cesar Vanucci *

“É loucura, mas há método nela.”
(Shakespeare)

O olhar atento no noticiário nosso de cada dia conduz à constatação de que não faltam nunca bons protagonistas, em parte alguma deste planeta azul, para viver lances cotidianos inusitados nesta interminável encenação da comédia humana.
Temos aqui registros de alguns deles. Lances e respectivos protagonistas.
· Que o Presidente Vladimir Putin, com toda aquela panca de tzar engravatado, é um narcisista de marca e que, ao redor, legiões de compatriotas não disfarçam embevecimento e admiração pelo estilo varonil que exibe em suas aparições públicas, todo mundo anda calvo de saber. O que ninguém, no entanto, seria capaz de imaginar, como consequência dessas constatações, é que um grupo de artistas, naturalmente com aquiescência do personagem, se aventurasse a compor uma sequência de painéis retratando o ídolo como uma réplica viva contemporânea de Hércules. Comemorando o 62º aniversário do dirigente russo, foi montada numa galeria de Moscou uma mostra de pintura onde, em doze quadros, Putin aparece como super-herói. Num lance, enfrenta galhardamente feroz dragão, noutro lance, sustenta sobre os musculosos ombros o peso do globo terrestre. Seguindo essa toada, “repete”, nas demais telas, outros “feitos” lendários atribuídos à figura mitológica grega evocada. Troço impressionante...
· Acusado de haver desferido um ataque de “hackers” aos computadores de um estúdio cinematográfico norte-americano, o governo da Coreia do Norte contra-atacou bem ao seu estilo, com vociferações apocalípticas e xingatório grosseiro. Em decorrência da agressão cibernética, acompanhada de ameaças, o estúdio decidiu, num primeiro instante, suspender o lançamento da comédia que narra a história fictícia de uma tentativa de sequestro do supremo dirigente coreano. No mundo real, um raivoso senhor feudal com poderes de vida e morte sobre os súditos num país fechado aos olhares do mundo, detentor de arsenal atômico. A decisão foi criticada, inclusive pelo Presidente Barack Obama, que lamentou pudesse um torpe ato de vandalismo cibernético, com feição terrorista, alvejar com resultados tão impactantes a liberdade de expressão artística. Uma polêmica acesa a respeito do incidente ocupou as atenções, dela participando as autoridades coreanas. Primeiramente, dizendo que não tinham nada a ver com o fato e, depois, denunciando que seu país estaria sendo alvo de retaliações nos domínios cibernéticos por parte dos Estados Unidos. Na sequência, porta-vozes do regime ditatorial de Pyongyang reavivaram sua eterna pré-disposição para confrontações bélicas, escorada em seu poderio de fogo nuclear e, além disso, atingindo o auge em matéria de destempero verbal, comparando o presidente dos Estados Unidos a um orangotango.

Tudo na Coreia do Norte do tirano Kim Jong-un é assim: regido pela insânia. Em “eleições” recentes, o supremo mandatário, segundo celebrou a imprensa do país, conseguiu incomparável façanha: conquistou, por força de carisma e simpatia, 100 por cento dos votos sem uma única, isolada, exclusiva abstenção de eleitor, em qualquer seção eleitoral. É isso aí...
· Nos Estados Unidos, uma encrenca política danada, colocando frente a frente o governador republicano Cris Christie, de Nova Jersey, e o prefeito democrata Mark Sokolich, de Fort Lee, desembocou num congestionamento de veículos sem precedentes na Ponte George Washington, a mais trafegada do país. Quando a imprensa resolveu investigar mais a fundo as causas do engarrafamento apurou, para perplexidade geral, que tudo foi provocado intencionalmente pelo governador.
O que se teve em mira, com o transtorno trazido à comunidade, foi afetar a campanha do prefeito adversário na véspera da eleição estadual.
· O canal de televisão Fox News, ligado a furiosas falanges fundamentalistas norte-americanas, vem “mimoseando”, volta e meia, com doestos imbecis o Papa Francisco. Acusa-o, entre outras coisas, de comunista. Os comentaristas da emissora não apreciam as falas e posições pontificas diante do neoliberalismo, da cultura consumista e na defesa de postulados sociais e do diálogo inter-religioso.


 GALERIA DE ARTE



A PRODIGIOSA

OBRA ARTÍSTICA DE

CARLOS BRACHER




Carlos Bracher

Descendente de suíços chegados em 1880 ao Brasil, nasceu em Juiz de Fora em 1940, numa família de músicos e artistas. Autodidata, fez sua primeira exposição na cidade natal em 1960, junto com seus irmãos Nívea e Décio, também pintores. Ao longo da primeira metade da década, enviou quadros para o Salão Nacional de Belas Artes, no Rio, até que em 1967 obteve o Prêmio de Viagem ao Exterior, o maior do país. Casou-se com Fani Bracher, também pintora, e partiram juntos para dois anos na Europa, fixando-se principalmente em Paris. Suas viagens de estudos o levaram de Lisboa a São Petersburgo e Moscou, possibilitando-lhe conhecer amplamente a tradição da arte ocidental.
Em 1964, viajando com sua irmã Nívea para pintar do natural, descobriu Ouro Preto, que desde logo elegeu como sua cidade de residência e tema principal. Naturalmente se interessa por e aborda, também, os demais temas clássicos da pintura, como naturezas-mortas, flores, retratos e marinhas. Devido ao temperamento inquieto e à grande energia, Bracher é um dos artistas brasileiros que mais realizaram exposições e outras atividades correlatas, tanto aqui como no exterior. Curiosamente, são mais individuais do que participações em coletivas, o que apenas confirma a singularidade e supra-temporalidade de sua obra, de natureza e linguagem essencialmente expressionistas.
Em 1980, Bracher foi um dos escolhidos para o Prêmio Hilton de Pintura, como um dos artistas que mais se destacaram na década de 70, ao lado de João Câmara, Siron Franco, Tomie Ohtake e outros. Intitulada Pintura Sempre e com curadoria de Olívio Tavares de Araújo, sua primeira retrospectiva ocorreu em 1989, percorrendo sete cidades do país. Embora não lhe seja habitual, realizou três grandes séries de pinturas. A primeira foi Homenagem a Van Gogh, com nada menos de cem telas pintadas em 1990 (ano do centenário de morte do artista), para dar vazão a uma paixão de adolescência. Depois, Do Ouro ao Aço, sobre a siderurgia em Minas Gerais (1992). Enfim, Brasília (2006/2007), homenagem a Juscelino Kubitschek, com cuja família a sua teve relações. Atualmente outra retrospectiva com 49 quadros, de 1961 a 2006, percorre diversas cidades européias e já esteve em Luxemburgo, Bruxelas, Bruges, Frankfurt, Praga e Moscou. A série Homenagem a Van Gogh, por sua vez, chegou ainda a Tóquio e Pequim.
Publicaram-se seis livros e, contando os programas realizados pelas tvs abertas, já foram gravados mais de quarenta documentários em vídeo sobre sua obra, além do filme em 35 mm Pintura e Paixão Segundo C.B. Bracher é um ativo defensor das causas ligadas à preservação de Ouro Preto, e tem duas filhas, Blima (jornalista) e Larissa (atriz). É avô recente de Valentim.
Carlos Bracher realizou importantes exposições no Brasil e no mundo.

(Texto extraído do site do artista)






Autorretrato 

Paisagens de Minas

Entardecer na roça

Igreja de Juiz de Fora

Igreja do Rosário






Será o ET de Roswell?
(Veja no “Jogo Animado” desta edição)

Willian Machado obsequia-me frequentemente com matérias instigantes, fruto de investigações, leitura e estudos atentos que realiza na linha dos chamados “fenômenos transcendentes”.
O que “Jogo Animado” mostra nesta edição do “Blog do Vanucci” é um vídeo por ele obtido referente a essa fascinante temática. Às informações transmitidas, abaixo reproduzidas, faço questão de juntar um registro especial: há mais de vinte anos, entrevistei no programa “Realismo Fantástico”, no CBH, antigo prefixo da televisão mineira, o médico estadunidense Jesse Marcel Junior, filho do coronel Jesse Marcel, personagem central do célebre “Incidente Roswell”. Nas declarações que colhi, o entrevistado confirmou, nas linhas gerais, a impressionante história da captura, pela Força Aérea Americana, da nave alienígena.
O relato vindo na sequencia pertence à matéria encaminhada pelo Willian Machado: “Esta intrigante metragem do que pretende ser um segundo clipe do corpo de um alienígena morto que está sendo examinado por pessoal militar  em um hangar de aviões foi publicada originalmente em “Uncensored” da Nova Zelândia, revista trimestral que vem sendo agora distribuída nos EUA. Técnicos da revista fizeram um “frame by frame” analítico antes de divulgar o seu conteúdo, determinando tratar-se de material legítimo em todos os aspectos. Ele, clipe,  não só mostra o alienígena morto (provavelmente a partir do acidente de Roswell). O corpo do alienígena está sendo levado para um hangar por uma ambulância militar. Existem pistas suficientes para datar com precisão a filmagem a partir do final de 1940. Os editores da revista descrevem a descoberta como "monumentalmente interessante", na verdade, "autêntica". Não é revelado como Uncensored descobriu o clipe, ou como se fez a filmagem, mas a revista é inflexível quanto à sua autenticidade. Enquanto Uncensored foi a primeira revista a publicar fotografias de cenas do clipe, a própria filmagem completa não foi lançada pela revista na internet até agora.”



Nenhum comentário:

A SAGA LANDELL MOURA

Tempos outros, tempos outros... Cesar Vanucci “Os vícios de outrora são os costumes de hoje.” (Sêneca –  55 a .C a 39 d.C) P...