sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Umas e outras



“Minas, capital nacional do futebol!” (Frase empregada com euforia, por muita gente nas ruas, em razão da atuação nos gramados do Cruzeiro e Atlético)



Futebol eletrizante. A torcida mineira está com tudo e – ao contrário do famoso ditado antigo – com muita prosa. Também pudera! O Cruzeiro já praticamente com os dois pés no título do “Brasileiro”, enfrentará o Atlético, bem posicionado na reta de chegada classificatória para a “Libertadores”, nas pelejas decisivas do outro magno torneio nacional, a “Taça Brasil”. Graças à performance de ambos os clubes nos gramados pode-se garantir, sem forçação de barra alguma, já como “favas contadas”, a conquista de outro sugestivo título: Minas, capital nacional do futebol!
Merecedores obviamente de aplausos pelo que acontece, os dirigentes das duas agremiações bem que poderiam concentrar o melhor de seus esforços e criatividade no sentido de evitar que momento tão refulgente do futebol mineiro se empobreça em consequência de decisões irrazoáveis, reveladoras de desnorteante primarismo. Essa história de clássico com “torcida única”, ou com quota de 10 por cento de “torcida adversária”; de espetáculos de gala, aguardados por multidões, deslocados para estádio com capacidade limitada no acolhimento de torcedores, não auxilia em nada, muito pelo contrário, a compor o epílogo eletrizante almejado por todo mundo com referência à competição. O bom senso – e não falo aqui do “Bom Senso Futebol Clube”, que tanto empenho tem demonstrado em alterar situações deprimentes na condução do “esporte das multidões” - recomenda a exclusão da cancha dessas normas sem pé nem cabeça, concebidas em instantes de absoluta irreflexão e alimentadas pela ausência total de disposição para diálogo minimamente civilizado.

Comunicação à praça. E, depois, ainda tem gente por aí considerando extravagante a teoria da existência de quantidade excessiva de estrôncio de alta toxicidade espalhado pela atmosfera a produzir reações comportamentais escalafobéticas!
Em Conselheiro Pena, Vale do Rio Doce, um sacerdote foi afastado das funções e o motivo alegado pelos superiores eclesiásticos, objeto de impactante repercussão, foi divulgado, com detalhes – imaginem só – no site oficial da instituição de que ele faz parte. Segundo o comunicado, o religioso mantinha relacionamento “afetivo-sexual” com uma paroquiana, mulher casada, advogada conhecida por todos na comunidade. Grávida no último mês da gestação, ela resolveu confessar ao marido, com quem tem dois filhos, que o terceiro filho a caminho havia sido concebido fora do casamento, em razão da ligação amorosa relatada. A informação, levada ao conhecimento do titular da Diocese, ganhou, pouco depois, para geral estupefação, registro com detalhes numa nota oficial dirigida aos fiéis e, via de consequência, a qualquer outra pessoa.
A atordoante divulgação expôs, descaridosamente, como fica fácil deduzir, todos os personagens direta e indiretamente envolvidos no episódio a impiedosa boataria. Onde já se viu...

Opção pela intolerância. Já disse e, agora, repito: ostensiva ou camuflada, a intolerância racial é impiedosa. Abre no corpo e na alma feridas de difícil cicatrização. Tenho para comigo que o racista é um desertor da condição humana. Um cara psicologicamente desarrumado. Um vivente de mal com a vida. No olhar raivoso, no tom de voz, em frases encharcadas de irritação, bota pra fora, sem mais nem menos, sua total incapacidade em conviver com a diversidade.
Vejam só o que acaba de ocorrer numa Universidade capixaba, envolvendo um professor de Economia! Num debate em sala de aula sobre as cotas raciais – tão combatidas em redutos extremistas, contaminados pela insensibilidade social – o referido educador deixou escapar sua orientação de vida pessoal preconceituosa. Disse, com todos os “erres” e “esses”: “Se tivesse que escolher (numa consulta) entre um médico branco e um médico negro, escolheria o branco.” “Explicou melhor”, ao depois, seu ponto de vista: “Os negros, em média, vêm de comunidades menos privilegiadas, para a gente não usar um termo mais forte. Nesse sentido, eles não têm uma socialização primária na família que os torne receptivos aos trâmites da Universidade.” Perfeito! Nada que antigos dirigentes da África do Sul se recusassem a utilizar para expressar com adequação suas estrambóticas teorias...


Giro pela sandice humana



“Um insano sempre encontra outro mais insano para aplaudi-lo”. (Domingues Justino, educador)


É como digo sempre: um pessoal chegado a galhofas, que se diverte à pamparra com as proezas praticadas, infesta os corredores da Bolsa de Valores. A serviço do desenfreado jogo especulativo, falando em nome dessa instituição abstrata alcunhada de “mercado”, apela incessantemente para ilações psicodélicas com vistas a “explicar” o que rola no desconcertante pedaço. Dias atrás, a oscilação para baixo ocorrida na pontuação do índice foi atribuída – ora, veja, pois! –, por mais incrível que isso possa soar, a uma operação de financiamento bancário concedido a uma socialite que atua na televisão...
Coisas do gênero ajudam a entender a razão pela qual o cidadão comum - que se sente naturalmente injuriado ao topar pela frente com “especialistas” tão empenhados em zombar da inteligência alheia – enxerga os negócios bursáteis com irretratável desconfiança...


Proposta para elevação do PIB. A notícia está deixando boa parte dos agentes econômicos simplesmente estupefatos. Cogita-se em alguns setores, na Itália, da hipótese de serem incorporados aos resultados do PIB os valores dos “negócios clandestinos”. Não apenas os provenientes da chamada “economia informal”, à margem de controles rígidos, mas rodeada de simpática complacência comunitária. Os autores da revolucionária tese falam em recorrer a estimativas referentes aos quantitativos das “atividades negociais” à inteira deriva dos devidos conformes legais. Ou seja, à imensa bufunfa correspondente às rendosas operações da máfia, melhor dizendo das diversas máfias que compõem as poderosas engrenagens do crime organizado que opera no país. A contabilização de toda essa dinheirama, na avaliação dos autores da insólita proposta, garantirá PIB mais encorpado, representativo de todas as riquezas circulantes, as declaradas e as não declaradas. Assim que divulgado esse esdruxulo propósito, apareceu na Irlanda e no Reino Unido quem se confessasse simpático a essa modalidade diferente de avaliação do potencial econômico nacional.
Cada uma.

Concurso de beleza nazista. “Miss Hitler” é a denominação de um “concurso de beleza” instituído na Alemanha. Das candidatas exige-se como “atributo essencial”, além de “dotes estéticos”, que sejam fervorosas adeptas do nazismo, porta-vozes entusiastas das “sábias concepções sobre pureza racial” do “admirado mestre” que empresta o nome à competição. Não deixa de chocar a revelação de que número expressivo de “beldades” inscreveu-se para a insana competição. Além de postarem fotos sensuais com símbolos nazistas, terão que redigir também texto confessando “amor incondicional ao glorioso Fuhrer.”
A quantidade de estrôncio com elevada toxidade solto no ar parece muitas vezes mais abundante do que se calcula...


“Adiamento de gravidez.” Deu no jornal. As organizações “Apple” e “Facebook” anunciaram um original plano de “congelamento de óvulos”, apontado como “incentivo econômico” para colaboradores do sexo feminino. Cada funcionária que se disponha a “adiar a gravidez” por meio do “congelamento de óvulos” fará jus a uma indenização equivalente a 100 mil reais mais ou menos. Não faltaram executivos empresariais para aplaudir a “genial” proposta. 
Tá danado.


De espanto em espanto



“Não se espantar com nada é o único meio.” (Horácio, “Epístolas”)



Houve tempo, como sabido, em que o extinto ditador Sadam Hussein, do Iraque, desfrutou de incondicionais apoio e simpatia por parte dos Estados Unidos para suas estripulias bélicas. A maior potência do mundo era governada pelo xerife George W. Bush, cujos atos deixaram na memória humana sombrias recordações. Como ajuda aos iraquianos em seu esforço de guerra contra o Irã dos raivosos aiatolás, a Casa Branca resolveu montar no “território aliado”, clandestinamente, na época do confronto entre os dois países, opulento arsenal de armas químicas. (Aquelas que, provavelmente, acabaram sendo utilizadas por Sadam contra rebeldes curdos). Seja esclarecido que esse material destrutivo específico nada tem a ver com a história fantasiosa das armas de destruição em massa que o tirano iraquiano manteria estocadas e que serviram, como reconhecido anos depois, de mero pretexto para a invasão do Iraque, com o Sadam já aí devidamente deslocado da posição de “aliado” para a condição de “inimigo”. O arsenal permaneceu guardado a sete chaves em local incerto e não sabido. Até que, no início do mês de outubro, tantos anos passados após a ocupação e retirada das tropas da coalizão incumbidas da “pacificação” e “democratização” do país, alguém ligado aos atuais círculos dirigentes iraquianos resolveu quebrar o silêncio a respeito dessa operação ultra sigilosa, face a uma nova aterrorizante perspectiva. O local secreto onde o material (um gás de toxidade letal) se encontra “armazenado” fica localizado em área conflagrada, atualmente em poder do grupo fundamentalista do EI. Algo, sem dúvida, apavorante. Bota pavor nisso...


Incesto entre irmãos. É o caso de recorrer, mais uma vez, às “Epístolas” de Horácio (65-8 a.C): “não se espantar com nada talvez seja o único meio”. Vejam só mais esta aqui, chegada das terras germânicas! O incesto entre irmãos poderá deixar de ser crime. O governo revela-se disposto a descriminalizar as relações íntimas entre irmãos. O Conselho de Ética, muito acatado na vida nacional, com grande força junto ao Parlamento, sustenta a tese de que “a prática sexual entre irmãos deve ser legal”, sem que signifique obrigatoriamente que ela não possa ser moralmente condenada.” Um dos argumentos levantados em favor da medida é este: “O direito à autodeterminação sexual é mais importante que a ideia abstrata de proteção à família e mais importante que os riscos de se gerar crianças portadoras de necessidades especiais.” As autoridades alemãs explicam que as punições legais continuarão prevalecendo para casos incestuosos envolvendo pais e filhos.
A anunciada disposição do governo alemão em regulamentar o incesto trouxe ao conhecimento público que na França, em Portugal, Espanha, Bélgica e Luxemburgo, o relacionamento sexual consentido é permitido entre adultos, ainda que envolvendo irmãos. Condenado moralmente quase em todo o mundo, ele é legalmente proibido em numerosos países. Não é objeto de condenação criminal no Brasil, em casos onde as pessoas sejam maiores de 14 anos e a relação ocorra de forma consentida.



Drama kafkiano de atleta brasileiro. Com a anexação da Crimeia, operada na marra pelos russos, um jogador de futebol brasileiro, Célio Santos, viu desmoronar de hora para outra, em circunstâncias inimagináveis, sua promissora carreira profissional. Ele havia sido contratado para o elenco de um clube de Simferopol, capital da Crimeia. De repente, não mais que de repente, um drama kafkiano pintou em seu percurso de vida. Seu time passou, em consequência das bruscas alterações políticas, a integrar a Confederação russa de futebol. Esse órgão não aceita atletas estrangeiros nos torneios. Diante do impasse, Celio ficou privado da condição de exercer a profissão na Crimeia. Pra piorar as coisas, os salários em atraso não foram quitados. Sem perspectiva de trabalho no confuso cenário ucraniano/russo recorreu à FIFA pedindo desvinculação do clube ucraniano, na esperança de poder fechar contrato com alguma agremiação europeia. A janela de transferências para atletas no futebol europeu havia sido fechada um pouco antes dos acontecimentos narrados.

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