sexta-feira, 14 de setembro de 2012

IV ENCONTRO CULTURAL DA AML

Companheiros Acadêmicos, Companheiros Leões e Domadoras, Amigos da Academia Mineira de Leonismo,

A Academia Mineira de Leonismo tem o prazer de convidar para seu IV Encontro Cultural a se realizar no dia 25 (vinte e cinco) de setembro, terça feira, às 20 (vinte) horas, no Auditório do 4º andar da sede da FIEMG - Avenida do Contorno, 4.456, Funcionários, Belo Horizonte.
Expositor: Acadêmico Sóter Baracho
Tema: Ari Barroso – Gênio da Raça.
Contamos com sua valiosa presença.
CL Cesar Vanucci - Presidente / Cal Graça Amaral - Secretária
 

Parcialidades políticas suburbanas

Cesar Vanucci *

“A informação jornalística não pode omitir dados
que facilitem a compreensão do leitor ou do ouvinte.”
(Antônio Luiz da Costa)


A campanha eletiva presidencial na Venezuela está polarizada em torno das candidaturas do controvertido Hugo Chaves, que concorre a um novo mandato debaixo de cerrado bombardeio midiático internacional, e Henrique Capriles, governador de uma das unidades federativas daquele país.

Os dois presidenciáveis apresentam propostas governamentais bem antagônicas. Deixam à mostra divergências profundas em questões fundamentais. Num ponto, porém, demonstram perfeita convergência de opiniões. Ambos os dois, dizendo-se confessos admiradores de um mesmo líder político brasileiro, anunciam o propósito de seguir, no exercício do poder, caso as urnas se lhes mostrem favoráveis, a linha de atuação político-administrativa do dito cujo. O brasileiro em referência é o ex-Presidente Luiz Ignácio Lula da Silva.

Uma perguntinha, agora, sem intenção de melindrar ninguém: por que será que os grandes órgãos e colunistas destacados do jornalismo brasileiro, que volta e meia insistem em atrelar as imagens de Hugo Chaves e Lula, teimam pirracentamente em sonegar tão sugestiva informação ao respeitável público leitor e ouvinte?

Uma outra manifestação recente dessa proverbial má vontade da mídia quanto a certas figuras de relevo na cena nacional que não deve, igualmente, permanecer desapercebida, diz respeito à sucessora de Lula, Presidenta Dilma Rousseff.

Em tempos ainda próximos, lamentava-se bastante, aqui por estas bandas, a desatenção extrema que envolvia lá fora as realizações brasileiras e os personagens de maior realce engajados no esforço de construção nacional em prol de um País moderno e pujante política, econômica e socialmente. De 2002 para cá muita coisa mudou no tocante à visão estrangeira da gente e coisas brasileiras.

Alguns veículos de comunicação de irradiação nacional parecem não se dar conta, todavia, em não poucas ocasiões, dessa significativa mudança. São movidos por preconceitos descabidos, ou parcialidades políticas suburbanas. Prova eloquente desse comportamento despropositado pode ser extraída de fato recente que colocou em foco, de maneira reluzente, a Presidenta Dilma Rousseff. Pelo segundo ano consecutivo, ela foi apontada como terceira mulher mais poderosa e influente do planeta, pela conceituada revista “Forbes”. Na classificação geral, posicionou-se atrás apenas da chanceler Ângela Merkel, da Alemanha, e da Secretária de Estado estadunidense, Hillary Clinton. A publicação, enfatizando ainda mais a missão da Presidenta, optou por estampar sua imagem na capa da edição que enfeixa a reportagem dedicada ao assunto. O trabalho jornalístico ressalta a influência política, econômica e social exercida pelas três líderes, “pessoas que impactaram fortemente a comunidade global”. Merkel é lembrada pela atuação na crise na zona do euro. Hillary, pela forma de gerir crises nos relacionamentos diplomáticos mundo afora. Dilma, pelos programas de cunho vanguardeiro na economia e na inclusão social.

E não é que, aí também, a grande mídia nativa, birrentamente, registrou o fato, aqui e ali, com avareza de detalhes, coisa só explicável diante de maroto intento de deixá-lo passar desapercebido!


O telefone vermelho

O compadre é homem de palavra. Nunca faria uma ursada comigo.”
(Coronel do interior procurando tranquilizar os correligionários)

Interessado no preenchimento de uma vaga em órgão público, indicação do genro no bolso do colete, aquele chefe político do interior, amigão do Secretário, correligionário leal, procurou-o em seu gabinete. A recepção foi entusiástica. “Só faltou banda de música”, o chefe político registraria, ao relatar o “causo” uns quinze anos mais tarde.
- Dona Candinha, como vai passando? Ainda faz daquelas gostosas broas? E o Euzebinho, que notícias me dá daquele malandrão? E os outros companheiros: o Jeremias, o Antônio Adão, o Laurito? E, afinal, o que traz o compadre até a gente?
O visitante, deslumbrado com o tratamento a pão de ló que lhe estava sendo dispensado, explicou as razões da viagem. O lugar estava vago. Os adversários de olho na “boca”. Os companheiros haviam se reunido e resolvido indicar o Candinho, moço preparado, de muito boa estirpe, companheiro firme da última campanha, puxador de voto certo nas eleições vindouras.
“- Mas só isso? É pra já. Avisa ao Candinho que ele já pode se considerar nomeado. Os companheiros podem até cuidar da festa comemorativa. E contem comigo, ouviu? Levo a patroa. Aproveito e passo um fim de semana na fazenda do compadre...”  E sem permitir que o outro largasse o agradecimento já engatilhado, pegou o telefone vermelho sobre a mesa de jacarandá, discou alguns números e transmitiu a ordem:
- Prepara logo o ato de nomeação. Quero assiná-lo amanhã, sem falta. Sem falta, está ouvindo?
O outro, ao que parece, estava ouvindo, já que, do lado de cá, o Secretário, num gesto com a cabeça, demonstrou a sua satisfeita concordância. O chefe político retornou radiante aos seus pagos. O semanário local estampou entrevista de primeira página, edição de domingo, informando que “o ilustre coronel, sempre atento aos superiores interesses da comunidade, da qual se tornara, pelos inúmeros serviços prestados, um líder inconteste, resolvera com rapidez e eficiência, contando com os préstimos do Secretário, seu grande amigo e compadre, os graves problemas que haviam determinado a sua ida à Capital”.
Dois meses transcorridos e nada da nomeação sair. O Coronel, meio desconcertado, valia-se sempre de uma mesma frase para afastar a desconfiança que lavrava no meio da companheirada: “O compadre é homem de palavra. Nunca faria uma ursada comigo...” Mas acabou, pelo sim, pelo não, por programar nova viagem à Capital. Tratamento de rei o que lhe foi dispensado. O Secretário veio ao seu encontro, “mal, mal anunciada a minha presença. Teve até garçom de luvas brancas, a me servir chá com bolacha...” Quando explicou, escolhendo bem as palavras, em cúmplice surdina, a razão de sua viagem, o Secretário “quase teve um troço”, explodindo em atitude contrafeita que representou o oposto da maneira discreta com que abordara o delicado assunto:
- Mas, como?! A nomeação do Candinho ainda não saiu? Isso não fica assim mesmo!...
Tomou, novamente, o telefone de mesa vermelho, tornou a discar alguns números e despejou, nos ouvidos de seu colaborador, a maior espinafração da história: - Definitivamente, não aceito explicações. O senhor agiu de forma negligente. Exijo já a elaboração do ato. Não tem mais, nem menos. Quero o ato preparado para assinatura, amanhã cedo. Volto a repetir: amanhã cedo, sem falta.
O Coronel ficou impressionadíssimo com a cena. Nunca vira seu companheiro, em tantos anos de convivência, agitado daquela maneira. Voltou pra sua terra inteiramente desarmado, sem alimentar no espírito qualquer suspeição quanto à disposição do Secretário em resolver o problema. Só alguns meses mais tarde, nomeada para o cargo outra pessoa, e com o Candinho já definitivamente engajado no partido adversário, ficou sabendo, devido a uma indiscrição do oficial de gabinete do Secretário, que naquela Secretaria, o telefone vermelho era uma peça decorativa, noutras palavras, um mero enfeite de mesa. Nada mais do que isso.

*Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

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