sexta-feira, 29 de junho de 2012

Energia liberada pelas mãos

Cesar Vanucci *

“Energia liberada pelas mãos consegue curar malefícios.”
(Conclusão de pesquisa do cientista Ricardo Monezi)

Volta e meia acontece. Lançando-se com toda gana de alpinistas resolutos na escalada das pesquisas feitas com o propósito de obtenção de novos entendimentos sobre o sentido das coisas, os cientistas se deparam, deslumbrados, ao atingirem o topo da montanha, com os vestígios intrigantes da passagem por ali, precedendo-os, de pensadores comprometidos com a divulgação da sabedoria mística.

As descobertas cientificas, acabam, nesses casos, confirmando o que já vinha sendo propagado há muito, em círculos restritos. E que, costumeiramente, vem de ser recebido com descrença e, até mesmo, zombaria, pra dizer pouco, em setores amplos da sociedade. A história humana é carregada de registros dessas precedências místicas às comprovações cientificas. Projetando posições vanguardeiras, algumas dessas revelações antecipatórias revolveram conceitos, causaram ebulição, arrostaram incompreensões, desnudaram reis, desmontaram paradigmas bolorentos. Mas todo esse colossal esforço de sensibilização intelectual pela releitura dos acontecimentos cobra, via de regra, pesado tributo dos que cometem a ousadia de questionar as “verdades” estratificadas do “conhecimento consolidado”, erigidas como dogmas de fé. As labaredas inquisitoriais, de modo prático e em sentido figurado, representaram para muita gente, desde sempre, a única “recompensa” auferida pela reinterpretação de lances marcantes da aventura humana, dados pelo “saber dominante” como definitivamente solucionados. Acontece que este nosso mundo velho de guerra, regido por formulações assimétricas, comporta variáveis sem conta, não percebidas aos primeiros olhares investigativos. Nascem aí interrogações para as quais não se encontram respostas prontas. E, quando encontradas, as respostas tendem a provocar incredulidade.

Estas singelas considerações entram aqui a propósito das conclusões de uma pesquisa recente da USP (Universidade de São Paulo) e Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Não sei ao certo mas, com toda certeza, as duas respeitáveis instituições não terão sido as primeiras a chegarem aos resultados anunciados. Estudo desenvolvido nos últimos anos comprovou que a energia liberada pelas mãos encerra o poder de curar qualquer tipo de mal estar. O trabalho foi elaborado com base em técnicas manuais conhecidas: os célebres “passe” e “imposição de mãos”, assimilados nos rituais de algumas vertentes religiosas; o “johrei”, empregado pela Igreja Messiânica. As avaliações de tais processos de emissão energética começaram há 12 anos, tema de mestrado de um pesquisador da Faculdade de Medicina da USP, o cientista Ricardo Monezi. Coube a ele a iniciativa de investigar os possíveis efeitos da prática da imposição das mãos. “Meu interesse pelo assunto veio de vivência própria, já que a técnica do “Reiki” havia me ajudado a sair de uma crise de depressão”, assinala o pesquisador. Examinando a fundo os efeitos das aplicações de energia manual em camundongos, foi possível observar um notável ganho de potencial das células de defesa do animal contra a progressão de tumores.

Além dos efeitos fisiológicos, foram observados também efeitos psicológicos. De tudo isso adveio a constatação de que a imposição de mãos é capaz de liberar energia que proporcione bem-estar. O pesquisador argumenta que “a ciência chama tais energias de “energias sutis” e considera que o espaço onde estas se acham inseridas esteja próximo às freqüências eletromagnéticas de baixo nível”. Na noticia divulgada a respeito desses estudos de mestrado e doutorado, que abrangeram também avaliações com pessoas idosas portadoras de estresse, assinala-se que as praticas redundaram em redução de tensões e de sintomas de ansiedade e depressão, além de revigorante relaxamento mental e corporal. Outras investigações dentro dessa linha vêm sendo procedidas pelos pesquisadores.

Não resisto à tentação, por derradeiro, de registrar, como fruto de observações pessoais de algumas décadas, na mera condição de investigador solitário dos chamados “fenômenos transcendentes”, que os interessantes resultados dessa inspirada pesquisa das duas universidades paulistas não me trazem surpresa alguma. O que consegui acumular, nesses anos todos, em informações a respeito do fascinante assunto dá pra compor uma sequência bastante extensa de artigos.


Corporativismo da midia

“Em questão, a dimensão ética do que se
acostumou a chamar de jornalismo investigativo...”
(Marcelo Semer, magistrado)

Encaminhado por leitores, chega-nos via Internet um comentário, divulgado no blog do jornalista Luiz Nassif, de autoria de Marcelo Semer. O autor é Juiz de Direito em São Paulo, já tendo presidido uma entidade de classe representativa da categoria dos magistrados. O trabalho fala do corporativismo bastante acentuado da grande mídia à volta do chamado “Caso Cachoeira”. As revelações e conceitos expendidos convidam a uma séria reflexão. Depois de lê-lo atentamente, achamos por bem reproduzi-lo, como contribuição para uma avaliação serena dos relevantes pontos focalizados, que dizem respeito à liberdade de expressão, apanágio democrático e valor inalienável no processo de construção humana, e aos limites éticos intransponíveis que precisam reger a ação do jornalismo investigativo.

“Se 2011 foi o ano em que se expuseram as vísceras do corporativismo no Judiciário, 2012 pode ser o ano da imprensa. Liminares que obstruíram apurações, limitação das competências do CNJ, verbas recebidas de forma irregular por desembargadores. Poucos assuntos renderam tanto nas manchetes dos jornais e revistas como os desvios da Justiça no ano que passou.
2012 começou, no entanto, com a destruição de um dos mitos mais cultuados pela própria imprensa em defesa da moralidade, o senador Demóstenes Torres. Demóstenes foi flagrado em um sem-número de conversas telefônicas prestando serviços e recebendo presentes de um expoente da contravenção. Mas as conversas gravadas, além de insinuar conluio de políticos e empresários, o que infelizmente não é nenhuma novidade, dessa vez também descortinaram uma outra particularidade: a aproximação do crime organizado com jornalistas para influir e auxiliar na produção de reportagens contra políticos, autoridades e seus concorrentes em geral.
A profusão de indícios das malversações de Carlinhos Cachoeira já provocou a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, que parece ser desejada e ao mesmo tempo temida por governo e oposição.
Mas a pergunta principal é saber como a grande imprensa vai se portar em relação à exposição de suas próprias mazelas. Em questão, a dimensão ética do que se acostumou a chamar de jornalismo investigativo e os percalços que envolvem os interesses que geraram algumas destas “reportagens-bombas”.
Pelo que já se divulgou, um jornalista teria sido, inclusive, um dos interlocutores mais frequentes do Poderoso Chefão goiano. E várias conversas entre Cachoeira e seus assessores versavam justamente sobre elaboração de matérias que alavancavam seus interesses, ao prejudicar desafetos. O assunto já é um dos “trending topics” das redes sociais, mas praticamente não é tratado pela grande mídia.
O momento é precoce para qualquer julgamento. Conversas telefônicas, fruto de interceptações judicialmente autorizadas, jamais deveriam se tornar públicas, pois estão sempre abrangidas pelo sigilo de justiça. O propalado “interesse público” faz tempo tem servido de álibi para a imprensa, que estimula o vazamento por servidores que permanecerão ocultos em razão da garantia de sigilo da fonte. Mas e quando estas conversas que não deveríamos estar ouvindo trouxerem revelações sobre o modus operandi de alguns órgãos da imprensa?
Serão eles mesmos os juízes da divulgação de seus erros? Estarão aptos para o ritual de cortar na própria carne ou esse “interesse público” também servirá de justificativa para todo e qualquer desvio de conduta?
Que Elianas Calmons da imprensa se apresentarão para impedir que o corporativismo oculte os interesses privados que existem por detrás de grandes denúncias ou a forma ilícita com que foram obtidas?
Poucos atributos são tão indispensáveis à democracia quanto a liberdade de expressão. Mas o recente episódio dos jornais de Rudolph Murdoch na Inglaterra mostrou que sem limites éticos, o vale-tudo da imprensa para obter informações ou destruir reputações, pode ser tão violador quanto os direitos que se propõe a defender.”

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

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