quinta-feira, 27 de outubro de 2011


Seguem-se, para conhecimento do leitor, o prefácio (Olavo Machado Junior, presidente da Fiemg) e a introdução do livro (Cesar Vanucci).


Prefácio

Zé Alencar, um grande brasileiro

Olavo Machado
Presidente da Federação das Indústrias
do Estado de Minas Gerais - FIEMG

Um dia, alguém perguntou ao Zé Alencar: – De onde o senhor é, onde é a sua terra? Com o seu jeitão despachado e bem humorado, ele respondeu: – Tenho muitas. Nasci em uma cidade, trabalhei em várias, casei em outra... Minhas terras são muitas.
É verdade, e tudo começou em um pequeno povoado de nome Itamuri, no município de Muriaé, na Zona da Mata Mineira, onde o nosso Zé nasceu. Aos sete anos, já ajudava o pai, na loja. Aos 15, deixou a casa
dos pais para trabalhar como balconista em Muriaé. Aos 17 ainda era balconista, mas noutra cidade, Caratinga. Aos 18, com 15 contos de réis emprestados pelo irmão mais velho, Geraldo – história que ele nunca se cansava de contar - e emancipado pelo pai, já era dono de loja - A Queimadeira -, uma campeã de preços baixos, em Caratinga.
De lá para cá, Zé Alencar não parou de fazer o que mais sabia – empreender, empreender e empreender sempre, como cidadão, empresário e líder político.
Como empresário, depois de começar como pequeno lojista criou e fez crescer a Coteminas, transformando-a, em poucos anos, em líder de um dos maiores grupos têxteis do Brasil e do mundo. Na política, sem nenhuma experiência e militância anteriores, chegou ao Senado e, em seguida, à Presidência da República – Zé Alencar foi o vice que por mais vezes e por mais tempo presidiu o País.
Nos últimos anos de sua vida, atacado por um câncer insidioso, lutou bravamente, com a altivez que sempre o caracterizou, doando-se como exemplo aos brasileiros, como fez, por exemplo, ao recomendar cuidados preventivos com a saúde e ao recomendar ao então ministro da Saúde, José Carlos Temporão, a instalação de equipamentos apropriados na rede do SUS. É a história deste homem corajoso, múltiplo e singular a um só tempo, que se conta em “José Alencar – Missão Cumprida”, de Cesar Vanucci.
Tive o privilégio de conviver e aprender muito com o “doutor Alencar”, especialmente na FIEMG, onde nos encontramos no começo dos anos 80. Como o leitor verá nas páginas de Missão Cumprida, na Casa da Indústria ele construiu uma grande obra, levando o SESI e o SENAI para as diversas regiões de Minas. Na vida política, foi, sempre, uma voz elevada na defesa da indústria nacional. Discreto, desempenhou missão de reconhecido protagonismo na última década do século 20 e na primeira do século 21.
Como os grandes homens, Zé Alencar era movido por sonhos e, do maior deles, tomei conhecimento em uma história contada por ele mesmo, entremeada por deliciosas gargalhadas: “Ainda vou ver o Brasil ter uma moeda estável. Irei a Paris, pedirei um Borgonha de boa safra e pagarei com o nosso Real. Terei o prazer de ouvir o garçom pedir desculpa, lamentar não ter uma moeda tão forte quanto a nossa e perguntar se poderia me dar o troco em dólar ou em franco”. Este sonho, Zé Alencar ajudou a tornar realidade.
Zé Alencar foi, sim, um homem de muitas terras e de muitas atividades. No entanto, umas e outras sempre convergiram para traduzir o que, de fato, ele foi: um grande brasileiro, dedicado e apaixonado pelo seu País. É assim que me lembro do Zé Alencar. É assim que reverencio sua memória.







Introdução


Missão cumprida

Cesar Vanucci

“Até a morte, tudo é vida.”
(Cervantes, “Dom Quixote”)

A vida humana é finita. Um tremeluzir de relâmpago na vastidão da eternidade. A gente principia a morrer quando nasce. Começa a arrumar a mochila da partida na própria hora da chegada. Richard Bach explica magistralmente o indesvendável e excitante mistério da aventura humana quando registra existir um jeito muito simples de saber se está cumprida a missão de alguém: se está vivo, não está.
No caso de José Alencar Gomes da Silva – o Vice-Presidente que nos conquistou com copiosos exemplos de apreço à causa pública e que nos emocionou com a bravura indômita demonstrada em atos inequívocos de seu dia a dia, mostrando-nos que a vida é um dom precioso a ser desfrutado e preservado – a missão foi cumprida. Esplendidamente cumprida.
É disso que se procura dar notícia no material de leitura da sequência.
Estão aqui enfeixados comentários que lancei, logo após a partida do grande brasileiro, em jornais e blogs, com os quais colaboro, com destaque especial para o “Diário do Comércio”, de Belo Horizonte, e artigos, também de minha autoria, divulgados em momentos anteriores à sua morte.
O livro abre espaço para manifestações de outros amigos e olaboradores do querido personagem. Rememora, ainda, momentos em que Lula e Alencar se enxergaram parceiros de épica empreitada. A empreitada
Que conduziu, numa proeza sem precedentes, dois representantes
da imensa legião dos Silvas brasileiros, ambos de origem humilde, desprovidos do verniz doutoral universitário, mas laureados nas ásperas refregas da escola da vida, por dois mandatos consecutivos, ao supremo comando da República. Mandatos esses transcorridos num período de
realizações incomparáveis que atraíram as atenções e a admiração do mundo inteiro para o esforço irrefreável de nosso povo na conquista do futuro.
A leitura destas páginas concorrerá, de algum modo, para que o leitor, inteirando-se de mais informações a respeito da obra de Alencar em sua peregrinação pela pátria terrena, conclua como ele certamente o fez, louvado em Cervantes (por sinal, autor de sua especial predileção), que “até a morte, tudo é vida.”

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