terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Cronovisor, os fatos e a lenda (6 de novembro de 2025 )


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 A “desconstrução da lenda” do “Cronovisor” é impulsionada pela ausência de evidências

 É um bocado excitante imaginar que se possa, em algum momento, buscar nas “nuvens” cenas e sons do passado (Antonio Luiz da Costa, Professor)

Como relatado, na segunda metade do século XX, quando o desenvolvimento tecnológico ganhou ritmo mais acelerado, um monge beneditino Pellegrino Ernetti, musicólogo que se dizia “cientista de vanguarda”, causou alvoroço nos círculos científicos ao anunciar a prodigiosa descoberta de uma “máquina do tempo” com capacidade de captar imagens e sons do remoto passado. Segundo ele, o dispositivo surgiu nos anos 50 em pesquisa envolvendo outros cientistas famosos, tendo sido confiscado pelo Vaticano por ordem do Papa Pio XII.

Baseados em coleta, propiciada pela IA, de amplo documentário recolhido a respeito do instigante assunto, procederemos, neste artigo, a uma verificação factual, confrontando os fatos narrados por padre Pellegrini com o rigor da ciência e a amostra arquivística. A “desconstrução da lenda” do “Cronovisor” é impulsionada pela ausência de evidências. Um aparelho com tamanha potencialidade deveria ter deixado algum vestígio. Tais como: patentes, diagramas, testemunhas independentes ou, ao menos, algum registro de pesquisa nos vastos Arquivos do Vaticano.

Historiadores qualificados alegam não haver nada disso. A explicação de que o aparato foi desmontado vale mais como elemento narrativo de teoria da conspiratória, do que como fato comprovado. O lance negativo mais consistente quanto à credibilidade do caso adveio da avaliação das provas visuais trazidas pelo sacerdote. A famosa fotografia do rosto de Jesus, supostamente captada pelo Cronovisor, é apontada por muitos pesquisadores como estampa devocional amplamente difundida em atos religiosos. Isso serviu para erodir a argumentação esposada pelo padre Pellegrini. Além disso, a descrição da “tecnologia” do “Cronovisor” – antenas ajustáveis para captar frequências do passado – é cientificamente insustentável no ver de abonados estudiosos das leis da física.   Segundo eles, a física atual, mesmo em suas fronteiras teóricas como a física quântica e a cosmologia, não oferece mecanismo plausível para que resíduos eletromagnéticos de eventos milenares sejam sintonizados e convertidos em imagens e sons coesos. A tese do padre Pellegrino Maria Ernetti de que “no Universo nada se perde”, a se levar em conta o ponto de vista dos pesquisadores que classificam de “absurda, inverossímil e fantasiosa” a revelação sobre o Cronovisor, é apenas uma metáfora poética, não um princípio de engenharia funcional.

O fato de a lenda do Cronovisor persistir, apesar de contradições e falta evidências físicas, mostra a força que as narrativas de “segredos” e “conspirações” têm sobre a imaginação popular, especialmente quando envolvem pessoas e instituições poderosas, aqui e alhures. Voltaremos ao tema.


Os gols de placa do cinema brasileiro (17 de janeiro de 2026 )

 



17 de janeiro de 2026 


*Cesar Vanucci

 

“O Everest está chegando!” (Fernanda Torres, regozijando-se com o sucesso de

“O agente secreto”)

 

Festejado no encantamento das ruas, nosso cinema vem marcando lindamente os gols de placa que a seleção brasileira de futebol desaprendeu de fazer nas Copas. Os vibrantes aplausos contemplaram, desta feita, o excelente filme “O agente secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho com o ator Wagner Moura à testa do elenco. Depois conquistar 33 significativos prêmios em festivais europeus, o de “melhor diretor” e o de “melhor ator” em Cannes, a película ambientada em Recife, tendo como pano de fundo os acontecimentos políticos dos “anos de chumbo”, arrebatou o Globo de Ouro em grande estilo. Os troféus de “melhor filme” e “melhor ator” abrem alvissareiras perspectivas no sentido de que o cinema brasileiro possa repetir, em 2026, o que ocorreu em 2025, com o “Ainda estou Aqui”, na disputa do cobiçado Oscar. A triunfante performance dos artistas brasileiros neste, fora e dentro do país, vale como compensação para certos momentos trevosos, não tão distantes assim, em que a arte e a cultura foram espezinhadas pelo obscurantismo oficial então reinante. Em seu discurso de agradecimento pela premiação, o cineasta Kleber Mendonça Filho falou de sua crença no cinema: “Acredito de verdade que o cinema pode ser uma forma de expressar os lutos, as dificuldades e as tristezas que enfrentamos como sociedade”. Dirigindo-se aos jovens, em especial aos americanos que atuam no setor audiovisual aduziu: Este é o momento de se manifestar. “Os jovens americanos têm muito a dizer sobre o que está acontecendo na sociedade em que vivem, e é isso que eu quero ver no cinema feito por eles”.

O que está por vir agora na trajetória de “O agente secreto”? Bem provavelmente é aquilo que Fernanda Torres, “Globo de Ouro” e “Oscar” ano passado, anteviu nas calorosas felicitações a Kleber, Wagner e companheiros: “O Everest está chegando”!

2) A opinião pública deu-se  conta de repente não mais que de repente, como diz o poeta, de estarem ocorrendo, nos bastidores, algumas manobras suspeitas com sibilino propósito de “embaralhar o meio de campo”, no caso do Banco Master, de maneira a garantir que tudo “acabasse em pizza”. A trama chegou até mesmo ao infame procedimento de se recrutar “os préstimos profissionais” de milicianos digitais para que projetassem nas redes falsidades contra o Banco Central pela decisão tomada de liquidação, por infrações graves, da organização bancária.  A reação que se seguiu parece haver contido, pelo menos por hora, os impulsos do grupo comprometido com as maracutaias investigadas pela PF. A vigilância da mídia, dos setores jurídicos e dos meios políticos bem intencionados é fundamental para que o processo em questão chegue às ultimas consequências, doar a quem doer.

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

Megalomania Imperial (15 de janeiro de 2026)

15 de janeiro de 2026



 “A Groenlândia é nossa” (Donald Trump)

As peças do tabuleiro de xadrez geopolítico estão sendo espalhafatosamente movimentadas, numa situação bastante atípica. O protagonismo, incômodo e absorvente, nos perturbadores acontecimentos em curso fica por conta de… adivinhem quem? Dele mesmo, o próprio, Donald Trump, candidato ao Nobel da Paz, “nosso novo xerife”, pra usar exclamação embevecida do vice-presidente dos EUA, JD Vance.

Reportemo-nos aos fatos da Venezuela. Às pessoas de boa fé parecia que, depois da “captura”, ou seja, da remoção no tabuleiro do caudilho, os caminhos iriam ficar desembaraçados para a almejada transição democrática. Ledo engano! As sinalizações abundantes são no sentido de que, vaga a cadeira do ditador, cuidemos de promover composição com a ditadura. Aquela velha história, tão do agrado da matreirice política universal: “Faça-se alguma reforma, para não se fazer reforma alguma”.

Recorrendo a papo de enxadrista, a reviravolta no tabuleiro, em que a peça capturada não limpa o campo, mas revela acordo de bastidores com as demais peças do jogo, pode ser enxergada como típico traço de despudorado pragmatismo. Este inesperado arranjo facilita a consecução dos objetivos desejados por Trump: apossar-se das riquezas minerais do país detentor das maiores reservas petrolíferas do globo. Não é por outra razão que o ocupante da Casa Branca anunciou eufórico que os “novos aliados”, quer dizer os chavistas, aquiesceram a “ceder” 50 milhões de barris de petróleo, com o compromisso de aplicarem os recursos na compra, exclusivamente, de produtos manufaturados estadunidenses. Em nenhum momento das copiosas declarações de Trump e outros porta-vozes de seu governo foi feita a mais leve menção a eleições, eventual participação dos opositores do regime bolivariano em tratativas políticas, em prazos para a Venezuela retomar a estabilidade. Observadores qualificados consideram, a esta altura, que houve efetivamente conluio de Trump com figuras graduadas do poder autoritário de Caracas na fulminante ação que resultou na saída de cena do déspota Nicolas Maduro.

Saindo, por hora, da Venezuela, transformada em protetorado estadunidense, chegamos a outras plagas ameaçadas pela megalomania imperial de Trump. A Groenlândia, território dinamarquês, rica em minerais estratégicos é alvo de cobiça pantagruélica. Será parte dos EUA, por bem ou por mal, garante o “xerife”, debaixo do espanto e da indignação mundial, a partir dos países da Comunidade Europeia.

Enquanto isso, elevando a grau máximo as preocupações e temores globais, Washington intensifica sua política xenófoba contra imigrantes, com registros de vítimas fatais provocadas pelos agentes da repressão, ao mesmo tempo em que rompe relações com 67 importantes organizações internacionais, 31 delas vinculadas à ONU. Onde já se viu…


A partida de nosso profeta

 Ninguém morre, parte primeiro” (Camões)




Quase no apagar das luzes de 2025, Daniel Antunes Junior, carinhosamente chamado pelos amigos de “nosso profeta”, partiu primeiro. Deixou belo legado. Inteiriço de corpo e alma conservava, aos 104 anos bem vividos, invejável lucidez de espírito, de onde jorravam ideias, orientações e conselhos distribuídos generosamente para todos quantos dele se acercavam.Na peregrinação pela pátria terrena, atribuída por desígnios superiores, a todos nós seres humanos, Daniel acumulou esplêndido acervo pessoal de realizações e feitos, fruto de fecundo labor e de extraordinária criatividade intelectual. Escritor, com um punhado de livros editados, todos merecedores de louvores por parte do público e da crítica literária, assinalou presença como historiador, poeta e cronista. Fez parte, com participação fulgurante, de respeitáveis instituições culturais. Além de membro da Academia Mineira de Leonismo, foi associado da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e da Arcádia. Dedicava-se, até bem recentemente, a atividades agropastoris. Possuidor de dinamismo incomum. Dizia-se, em tom sempre bem-humorado “decano” de tudo. Com efeito, era o decano do quadro social do Leonismo em Minas e no Brasil. Foi decano entre os governadores de Lions. Em sua operosa gestão à frente do movimento leonístico em Minas Gerais foi responsável pela implantação do maior número de clubes de serviços num único período administrativo. Irradiando simpatia e demonstrando vasta erudição, apreciava como ninguém uma boa roda de papo. Reportava-se a fatos históricos e a casos do cotidiano de rico sabor. Prevalecia-se do conhecimento e da experiência bem-sucedida de vida para engajar-se com ardor e disposição, em causas de construção humana.

Aqui está uma amostra rica em conteúdo humano de seu jeito de ser. Foi extraída de um registro que ele apontava como sendo sua “autobiografia”. O “profeta” com a palavra: “Comprazo-me de ser um homem normal, limpo, enxuto, de hábitos saudáveis. Não babo, não fungo, não tenho o bafo de onça dos pinguços, já que bebo com moderação. Também não exalo o ranço sarrento da nicotina, pois não fumo”; “Tenho uma barriguinha de veludo”. (…); “Não sou acanhado, nem assanhado, nem enxerido. Já usei bigode, mas não uso mais.” (…)

“Gosto de ver as estrelas, dos perfumes discretos, das flores, das frutas, da chuva, da música, das mulheres, dos cães, da amizade e da sinceridade, da cor verde” (…) “Creio que a minha família é a melhor do mundo. Tenho a mente aberta, mas não tenho o corpo fechado e sou alheio a superstições.” (…) “Não sou tão jovem como fui, nem tão velho como espero vir a ser”. “Enfim, gosto da vida e, quando partir desta para outra, sentirei saudade dela. Creio que este mundo é o melhor de todos os que conheço…”
Querem saber? Este nosso profeta foi um humanista na melhor acepção do termo!

Poema de Beleza Nazarena!

 


 

Cesar Vanucci *

 

“Natal é vitalidade (...) é inovação.”

(Juvenal Arduini, filósofo)

 

Natal é a festa do amor total.

 

Num despretensioso poemeto defini assim a mágica celebração: um poema de nazarena suavidade, um instante predestinado com timbre de eternidade, um cântico de amor pela humanidade, uma exortação solene à fraternidade, festa do amor total!

 

Das leituras que faço de diferentes autores andei recolhendo algumas anotações muito interessantes sobre o fascinante tema natalino. Retiro-as, do baú, para oferecê-las de presente, com sinceros votos de Boas Festas, aos prezados leitores.

 

Do escritor Pedro Nava: “Natal! Entram em recesso os ódios, os aborrecimentos, mal-querenças e os que não se gostam fingem que esqueceram os agravos e os que se gostam servem-se do período para amabilidades – desde o presente caro à simples palavra de amizade e aos votos de paz na Terra.”

 

De Vinicius de Moraes: “A grande ocorrência / Que nos conta o sino / É que, na indigência / Nasceu um menino. (...) Muito tempo faz... / Mas ninguém olvida / Que é um dia de paz... / Porque fez-se a vida!”

 

De Yeda Prates Bernis: “Uma estrela guia / de laser / Na manjedoura / - mãos ao alto - / um menino. / Os animais / a vegetação / onde estão? / Três reis / e suas oferendas / de nêutrons.”

 

De Assis Valente: “Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel...”

 

De Fernando Moreira Salles: “Hoje / calo o verso / com que engano / o poeta que me habita / e lembro / um menino / filho de carpinteiro / a quem busco / no rastro dos mísseis / na dor das calçadas / na noite indiferente. / É Natal / em toda parte / em parte alguma / catedrais do instante / que erguemos / sôfregos / nas valas comuns / da intolerância / e no rancor / que arde / em nossa fé. / É Natal / Dá-nos, menino, / ao menos esta noite / a tua mão.”

 

De Newton Vieira: “Feliz Natal, com certeza, / tu só verás, meu irmão, / se o pão que sobra em tua mesa / chegar às mesas sem pão.”

 

De Adélia Prado: “À meia noite o Menino vem, à meia-noite em ponto. Forro o cocho de palha. Ele vem, as coisas sabem, pois, estão pulsando, os carneiros de gesso, a estrela de purpurina, a lagoa feita de espelhos (...)”

 

De Waldemar Lopes: “A vinda do Menino a todos faz meninos.”

 

De Nelson Rodrigues: “O Natal já foi festa, já foi um profundo gesto de amor. Hoje, o Natal é um orçamento.”

 

De Ubirajara Franco: “Bem-vindo, Papai Noel! Traduzem tuas barbas brancas a pureza das crianças. / Passos leves... leves... de mistério, colocando no portal meu presente de Natal. / Embora não sendo santo, és uma mentira linda, / que entre verdades amargas / sobrevive ainda (...)”

 

De Carlos Drummond de Andrade: “Menino, peço-te a graça / de não fazer mais poema / de Natal. / Uns dois ou três, inda passa... / Industrializar o tema, / eis o mal.”

 De Eva Reis: “ Apaga-se as luz e acende-se a esperança.

 


Falando de tensão e de distensão


 

*Cesar Vanucci

 

O Brasil sempre estará disposto a atuar como um elemento de promoção da paz” (Mauro Vieira, Ministro do Exterior)

 

1) A concentração no Caribe do mais poderoso contingente militar já visto nas referidas paragens, ocasionada pela crescente tensão entre EUA e Venezuela, gera fundados temores em toda America quanto à eclosão de um conflito armado. Entre outras aterrorizantes consequências, o fato pode produzir um êxodo incontrolável dos venezuelanos, afetando seriamente todas as nações do continente. A diplomacia brasileira vem defendendo  saída negociada para a contenda, posição compartilhada pelos demais países da região. Tem-se como certo que a questão aflorou no diálogo recente entre Lula e Trump. Os anseios expressos em favor da paz, não traduzem, definitivamente, o mais leve vislumbre de apoio ao caudilho de Caracas, Nicolas Maduro, reconhecidamente um inimigo da democracia. Cabe registrar, a propósito, que os EUA e Venezuela mantêm ligações próximas no tocante à exploração de petróleo. O país sul americano é  detentor da maior reserva mundial do produto.

Segundo o New York Times, negociações secretas estariam em curso entre Trump e Maduro.  A pauta das conversações envolveria a participação mais ampla de empresas estadunidenses na exploração petrolífera. Outra informação de bastidor, também estampada na impressa, afirma que Maduro poderia deixar o poder, refugiando-se em Belarus, próximo à Rússia. Seja como for, o desfecho da indesejável crise pode acontecer a qualquer momento.

2) Afinal, um lampejo de bom senso. Como fruto do proveitoso dialogo que vem sendo conduzido entre o Planalto e a Casa Branca, o dirigente norte-americano retirou as absurdas sanções impostas ao Ilustre Ministro Alexandre de Moraes e esposa no auge da crise produzida pelas “tricas e futricas” por maus brasileiros foragidos da lei. Muito bem recebida pela opinião pública brasileira, a decisão teve o mérito de desanuviar consideravelmente o clima de desassossego gerado a partir do anuncio das sobretaxas. Pouco antes os entendimentos em curso já haviam proporcionado reduções na carga fiscal dos produtos exportados. No ver de qualificados observadores e de experimentados negociadores do Itamaraty, a eliminação de todas as outras descabidas restrições está para acontecer em breve.

3)Pressionado pelos Estados Unidos de Trump, o México tomou a decisão de sobretaxar os produtos estrangeiros que entram no país. A deliberação projeta amarga sina, assim definida por Porfírio Dias, ex-presidente mexicano: “pobre México! Tão longe de Deus, tão perto dos Estados Unidos!”.

4) Já que Tramp foi novamente mencionado, anotemos mais ditos recentes de sua lavra. Sobre os governantes europeus: “Uns frouxos”. Sobre a Somália, ao anunciar que vai expulsar todos os somalis que residem nos Estados unidos: “O país é um lixo, fede.” Isso aí...

jornalista cantonius1@yahoo.com.br

 

Essencial a conjugação de vontades

 

 

*Cesar Vanucci

“A integração das forças de segurança é fundamental no combate ao crime”.

 (Domingos Justino Pinto, Educador)

 

Faz sentido admitir que os diálogos entre Lula e Trump rodeados de “química positiva”, possam desembocar adiante no reestabelecimento das boas relações que sempre marcaram a historia do Brasil e EUA. Em recente contato telefônico, a proposta de um acordo de cooperação para o combate ao crime encontrou encorajadora receptividade por parte do diligente americano. O que se cogita desenvolver é um programa permanente que “atinja em cheio” o centro nevrálgico das operações financeiras da bandidagem de “colarinho branco”. Como apurado pelos órgãos de Segurança, a cúpula das facções promove em paraísos fiscais localizados no país irmão vasta lavagem de dinheiro. Investe ali recursos subtraídos ao patrimônio nacional. As maquinações mafiosas compreendem também contrabando de armas a partir do território estadunidense.

Como se pode deduzir, as tarefas a serem executadas no Acordo serão  complexas e intensas. Essa pactuação será parte significativa de um conjunto de medidas a serem executadas, com o concurso integrado de todos os escalões policiais visando o desmonte das engrenagens criminosas. Enquanto esses promissores entendimentos com a Casa Branca se processam, as forças brasileiras de segurança incrementam ações preventivas e repressivas de maior abrangência colhendo alguns resultados, à primeira vista mais positivos. Isso não significa, falar verdade, já tenha sido atingido nível satisfatório no enfrentamento da atordoante questão. Muito antes, pelo contrário. As facções, as milícias, ou que outra qualquer  denominação tenham esses núcleos engajados em atividades que lesionam o tecido social, apoderaram-se nalgumas regiões, de fatias territoriais expressivas. Infiltraram-se em não poucas áreas da política, da administração e até mesmo das corporações policiais. Muito pior ainda: indícios surgem de infiltração na própria vida parlamentar. O noticiário nosso de cada dia não se cansa de divulgar tais absurdos.

A reação oficial a esse inaceitável estado de coisas tem procurado incorporar métodos mais eficientes, com emprego de recursos tecnológico e de Inteligência, levando as investigações ao epicentro das operações financeiras das quadrilhas.  O que se faz mister observar, no atual estágio do combate encetado, é uma conjugação sincera de vontades e esforços, entorno da causa comum. A luta contra o crime organizado é tarefa coletiva. Clama por união por entrosamento impecável de todas as forças de Segurança.

As PECs em fase de debate e votação no Congresso, representando fruto de alongadas confabulações fornecerão instrumentos adequados nesse conflito vital da sociedade amante da paz contra a criminalidade.

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

 

Maturidade Democrática


 

*Cesar Vanucci

 

“O Brasil deu lição Democracia ao mundo (Educador Antonio Luis da Costa )

 

1)  A Justiça deu a última palavra sobre a aventura golpista. Os dispositivos legais criados pela Democracia para defender-se das maquinações autoritárias funcionaram a pleno contento. As malsinadas tentativas no sentido de erodir os alicerces do arcabouço jurídico Republicano  esboroaram-se ao contato com os nossos foros de cidadania.

O sentimento nacional está visto, pois repele com rigor os ataques antidemocráticos. O veredito do STF proclama, auto e bom som, que não existe mais no Brasil espaço para regimes de força. A elevada graduação dos sentenciados, submetidos a julgamento irrepreensível em termos processuais, coloca em realce nossa maturidade democrática.

 A forma altiva com que as instituições brasileiras reagiram aos atentados contra nossa soberania, articulados no exterior, entrelaçando insolentemente descabidas exigências políticas com tradicionais atividades mercantis, documenta outra vez mais a saudável opção feita pelo Brasil pela prevalência dos ideais republicanos e democráticos.

Toda essa historia vai render, fatalmente, diversos desdobramentos políticos. A campanha eleitoral do ano vindouro será pontuada por manifestações compreensivelmente acaloradas a respeito da trama golpista transitada em julgado. Tudo faz crer que as exaltações dos palanques serão bem absorvidas  no seio da opinião publica.

 Parece inevitável ainda que o Poder Legislativo e o Poder Judiciário se vejam às voltas, em breve, com interrogações atinentes à dosimetria  das penas aplicadas aos réus.  Dá pra perceber que a revisão encontra  receptividade em ponderáveis as fatias da população.

Tudo quanto exposto fornece-nos lisonjeira imagem da atualidade brasileira.  Envaidece-nos, aos brasileiros, saber lidar com ameaças capazes de lesar as nossas estruturas republicanas. Sua solidez haverá de favorecer em muito as lutas da sociedade em favor da superação de problemas perturbadores que nos espreitam em matéria de desenvolvimento  econômico e social.

 

2) Os Chefes do Executivo e Legislativo “ficaram de mal”, como se costumava dizer em tempos de antigamente. A “química” entre eles evaporou como se diz agora em tempos de Trump. Os egos inflados – é exatamente disso que se trata – podem ocasionar situações inconvenientes em tratativas de interesse público.  Exceção feita aos “desordeiros políticos de plantão”, para os quais “quanto pior, melhor”, o que todo mundo almeja é que as rusgas sejam logo desfeitas, de modo a não afetar o andamento normal das agendas importantes que transitam no Congresso, debaixo da vigilante expectativa popular. Caso, por exemplo, das PECs voltadas para a tormentosa questão da segurança pública.

Jornalista cantonios1@yahoo.com.br

 

 

Falar muito, fazer mais.

 

*Cesar Vanucci

“Estamos na direção certa, mas na velocidade errada” (Presidente Lula)

 

A ideia criativa e bem intencionada antecede a palavra firme, vigorosa e persuasiva; esta, por sua vez, antecede a ação fecunda de construção humana que conduz ao progresso.

A crucial questão das mudanças climáticas está, realmente, assimilada na consciência de parcelas ponderáveis da coletividade. Nada obstante, vários setores representativos de diferentes correntes de opinião se revelam, ainda ,bastante refratários a aceitar suas prescrições no sentido da proteção da vida. As palavras de conclamação a que todos se apercebam da suprema gravidade que o assunto carrega em seu bojo, conjugando esforços e vontades para enfrentar as ameaças ambientais que nos espreitam, as palavras - repita-se – são intensas e convincentes. Já as ações... bem, as ações, deixam um bocado a desejar. Lula sintetiza razoavelmente o que vem rolando no pedaço: “estamos na direção certa, mas na velocidade errada”. A fala de Antonio Guterrez, Sec. Geral da ONU, vai na mesma toada: “é preciso sair da retórica para a ação”.

A COP30 de Belém, no coração da maior floresta tropical do mundo, de elogiável feitura, exalta o protagonismo brasileiro em escala global com relação ao candente tema da ampla, necessária e urgente transição energética. Deixa evidenciado, novamente, o tradicional descompasso entre o que se almeja ardentemente realizar e o que por circunstancias as mais complexas, pode-se, na verdade fazer. O balanço dos resultados colhidos ao longo do itinerário percorrido na conquista das metas consensualmente instituídas em COPs anteriores chega a ser frustrante sob vários aspectos. Os países mais desenvolvidos, principais responsáveis pela emissão de gases poluentes na atmosfera, parecem não se terem dado conta, até agora, da obrigação que se lhes é imposta de contribuírem com maior volume de recursos que os demais, no enfrentamento adequado do tormentoso problema das bruscas elevações da temperatura.

O fato da retórica a respeito mostrar-se abundante e das ações não serem incrementadas em ritmo compatível não quer dizer que se “deva falar menos e fazer mais”. O certo mesmo é “falar muito e fazer muito mais”. Acontece deploravelmente que a pregação negacionista é manipulada de forma intensa por forças poderosas de obtusa compreensão da vida real. Em sua vociferante “teoria conspiratória” ousam dizer e que a ameaça climática é uma farsa montada por cientistas aloprados com “conluio malévolo” de bilionários desejosos de inverter a ordem mundial, com o apoio do Vaticano e do comunismo chinês, ora, veja, pois! Nada a espantar, pois, quanto ao dado de que os investimentos anuais em armas para guerras que não acabam, sejam superiores, ao PIB do Brasil, enquanto se estima possível com 1/3 dessa soma conter-se o desastre ecológico que se abeira.

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Beto “desapareceu” na Casa da Morte


 

 

*Cesar Vanucci

“Seu amigo esteve aqui”

(Frase ouvida por Inês Ettiénne, na “Casa da Morte”)

 

 

Damos continuidade hoje ao relato da trágica odisseia vivida na era trevosa da ditadura, por uma pacata família de classe média mineira.

Inteirados da prisão do caçula Beto, seus pais, Jayme e Alice, ajudados pelos demais filhos, concentraram sues angustiantes esforços na procura do local em que ele poderia estar detido. Na sofrida empreitada endereçaram apelos a personagens graduados do regime, implorando lhes fosse dada a oportunidade de se avistarem com Carlos Alberto Soares de Freitas, de maneira a prestar-lhe alguma assistência. Foram surpreendidos, em certo momento, com manifestação do gabinete militar da Presidência da República. Recebidos por autos oficiais do gabinete, obtiveram ali a informação, reafirmada dias após em telefonema da mesma fonte, que o filho, com toda certeza, não se achava recolhido a nenhuma dependência prisional.

 Acerca da atuação de Beto, como opositor do regime, existem várias versões fragmentadas, desencontradas e controversas. Não padecem dúvidas de que ele, juntamente com Dilma Rousseff e outros fizeram parte de organização que operava na clandestinidade incrementando ações de desestabilização do governo. Companheiros seus da época, em depoimentos dados com a chegada da democracia, sustentam que ele abriu cisão no movimento  por opor-se à luta armada.

 A presa política, Inês Etiêne Romeu, companheira de jornada, única sobrevivente da apavorante “Casa da Morte” de Petrópolis, selvagemente estuprada, torturada e mutilada, forneceu informação, certamente conclusiva sobre o destino de Carlos Alberto. De um de seus algozes colheu a seguinte frase: “seu amigo esteve aqui”.

De tudo quanto posto, restou a impactante e dorida certeza de que Carlos Aberto foi assassinado com extrema brutalidade, provavelmente entre fevereiro e maio de 71, na horrenda casa da morte, onde as vítimas, segundo se apurou mais tarde, costumavam ser esquartejadas , Santo Deus!

Entrementes, no lar da família Soares Freitas, zelosamente cuidado pela mãe, o quarto de Beto, com seus livros, roupas e demais pertences  permanecia imaculadamente preservado, à espera (que nunca se deu) do ocupante.

Retornando às denuncias de Ettiénne sobre atrocidades cometidas na Casa da Morte, denominada pelos desalmados torturadores de “casa da convivência” e “Codão”, numa alusão ao CODI, seja anotado que o Deputado Rubens Paiva também passou por lá.

A pungente história do sociólogo Carlos Alberto Soares de Freitas e o drama que se abateu sobre sua família deram origem a livro intitulado “seu amigo esteve aqui” escrito pela jornalista carioca Cristina Chacel já falecida, e a filme-documentário com o mesmo título, pronto para lançamento nas telas de cinema.

Por ultimo, não se sabe até hoje, onde foram lançados os restos mortais de Beto.

Jornalista (cantonius1@yahoo.com,br)

 

 

Meio século depois



*Cesar Vanucci

“Lembro-me com saudade do tio Beto, tocando violão e cantando nas festas da família.”

( Maria Claudia, sobrinha de Beto)

 Conforme já relatado, em fevereiro de 1971, o sociólogo e jornalista mineiro Carlos Aberto Soares de Freitas, o Beto, 31 anos, líder universitário com forte carisma, engajado em movimentos culturais, políticos e sociais, “desapareceu” sem deixar vestígios. Mais de meio século depois, agora em agosto, em concorrida solenidade, realizada na ALMG, o Estado brasileiro, com pedido de perdão incluso, entregou aos seus familiares e de outros “desaparecidos políticos”, certificado reconhecendo que sua morte foi provocada por agentes públicos, de forma cruel, durante o trevoso período do autoritarismo. Sobrinhos de Beto receberam o documento. Seus pais e seus 7 irmãos que, por anos a fio se empenharam em extenuantes, doloridas e frustrantes buscas  pelo seu paradeiro, não estiveram presentes ao histórico ato por já terem - para valermo-nos de magistral conceito camoniano  – “partido primeiro”.

Filho caçula do casal Jayme Martins de Freitas e Alice soares de Freitas, morava com familiares a Rua Espírito Santo, no Centro de Belo Horizonte, próximo à Imprensa Oficial. A ruptura democrática em 64 desencadeou  detenções em massa, em todo o país. Cassou mandatos, destituiu governantes, suspendeu direitos políticos, implantou clima de medo e sobressalto, incentivando a desonrosa prática do “dedodurismo”. O meio universitário foi inclementemente alvejado na ocasião. Por fazer públicas suas críticas ao regime recém-instaurado, Beto foi preso nos instantes prefaciais do movimento, sendo libertado por força de habeas corpos, retornando às suas atividades sociais e profissionais, até o fatídico dia de seu “desaparecimento”. A circunstância de haver integrado grupo de estudantes que visitou Cuba, tempos antes concorreu, ao que se imagina, para coloca-lo na lista dos suspeitos, ou então, como se costumava dizer “subversivos”.

Quando se deram conta de que alguma coisa mais grave havia ocorrido com filho mais novo, os pais, irmãos, primos e amigos  lançaram-se numa frenética peregrinação por locais utilizados para o encarceramento dos chamados presos políticos. Determinado dia, irmão de Beto, deparou-se numa delegacia de polícia,  Rio de janeiro, com um cartaz de “procurados”. Entre outras fotos estampadas, chamava a atenção a de Beto assinalada com enigmático X em tinta vermelha.  Paralelamente a isso, o chefe da família Freitas, recebeu uma carta assinada pelo próprio Carlos Alberto. Da carta constava a revelação de que o autor a escrevera com antecedência, para remessa, na hipótese de vir a ser preso.

 

Outros lances da história ficam para par próximo artigo.

 

Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

A SAGA LANDELL MOURA

Javier Milei, o trapalhão

  Presidente argentino resolveu agredir intempestivamente o presidente da República e o STF em solo brasileiro 1 de agosto de 2026 • Google ...