sexta-feira, 19 de agosto de 2016



O momento brasileiro em breves frases

Cesar Vanucci

“A corrupção é apartidária.”
(Procurador Deltan Dallagnol)

“A corrupção é apartidária. Não é problema do governo A ou B. A mudança do governo não é um meio caminho andado contra a corrupção. Não basta tirar as maçãs podres do cesto, precisamos mudar as condições que fazem elas apodrecer.” (Procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força tarefa da operação Lava Jato).

“A revelação de que em 2010 a Odebrecht botou R$ 23 milhões (sem nota fiscal) na caixa da campanha presidencial de José Serra levou a Lava Jato para a porta do PSDB. Há pelo menos dois meses sabia-se que isso aconteceria, assim como se sabe que a OAS repetirá a dose.” (Elio Gaspari, jornalista).

“Dilma que, dizem, nunca teve muito gosto pelo jogo político, faz agora os movimentos que lhe parecem mais convenientes, quando menos para defender sua biografia. Peca, no entanto, ao continuar deixando de lado a questão central, como se não fosse de sua alçada pelo menos tentar esclarecer como e porque não percebeu – e assim deixou de atuar – todos os malfeitos que ocorriam à sua volta e que vieram a lume nos últimos tempos. Se tudo não passou de uma campanha de opositores ferozes, como ainda procura fazer crer, o primeiro objetivo de sua mensagem deveria ser rebater, ponto por ponto, cada uma das acusações. Dizer que não sabia ou transferir responsabilidades a terceiros, aí incluído seu próprio partido, é pouco e não a isenta.” (Trecho de editorial, 10 de agosto, do “Diário do Comércio”).

“Voto ‘sim’ pelo fim do aparelhamento, pela quebra da Petrobras e pela falta de vigor renovador. O impeachment que estamos para votar não vai aplacar a raiva do povo. Caminharemos para eleições gerais, provavelmente.” (Cristovam Buarque, senador).

“Estamos diante de um processo que é político, não é jurídico. E, se é político, não é normal, legal, como tentam dizer. Digo ‘não’ ao golpe porque isso é um golpe.” (Vanessa Grazziotin, senadora).

“Os elementos de prova são acachapantes contra a presidente Dilma. Os fatos estão comprovados e não são isolados. Houve ocultação deliberada, consciente das finanças públicas para levar a essa debacle econômica.” (Miguel Reale Júnior, jurista).

“Qual a diferença entre Fernando Henrique e Dilma? É que ele não tinha no seu encalço o Eduardo Cunha, que lutava pelo impeachment da presidenta Dilma.” (Katia Abreu, senadora).

“Afastar uma presidente honesta, eleita democraticamente, é um golpe na democracia.” (José Pimentel, senador)

“Os problemas do Brasil, embora possam parecer grandes, estão longe de serem os piores do mundo ou insuperáveis.” (Kenneth Maxwell, historiador).

“O inacreditável espetáculo de abertura dos Jogos Olímpicos no Brasil enviou várias mensagens a público diverso. O público mais importante, atingido em cheio pela beleza do evento, foi a população brasileira, que vive um longo momento de perda de autoestima. O que foi mostrado representa a incrível capacidade dos brasileiros de fazer melhor do que outros países (...), superou em muito o que foi exibido em Olimpíadas anteriores. (...) Oferecemos um panorama planetário universal do caráter transformador das manifestações culturais de qualidade produzidas no país. (Murillo de Aragão, sociólogo e cientista político).

“Será que o ciclo de derrotas importantes, que começou em 2006 ainda não chegou ao fim? (...) Será que existe uma tragédia técnica anunciada, um castigo, uma maldição, uma culpa que tem que ser paga, por causa da corrupção e da incompetência? Tudo começou com as derrotas da Copa de 2006 (o Brasil era o grande favorito), de 2010, seguiu com o vexame do 7 a 1 em 2014,  com as eliminações para Paraguai e Peru nas duas últimas Copas América, continuaria com a desclassificação  na primeira fase das Olimpíadas e terminaria com o Brasil fora do Mundial de 2018. Não é o mais provável de acontecer, mas é possível. Estou com medo.” (Tostão, grande craque do passado, cronista esportivo na atualidade).


“É preciso dar impeachment no modelo social, politico econômico que rege o país nos dias de hoje.” (Cristovam Buarque, senador).



Vivendo e aprendendo

Cesar Vanucci


“A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização e a distribuição de numerosos lotes de extrato e molho de tomate de marcas tradicionais, por haver detectado nos produtos matéria estranha indicativa de risco à saúde.”
(Notícia de jornal)

Vivendo e aprendendo, como era de costume dizer-se em tempos de antanho. Como fruto de experiências acumuladas ao longo de numerosos agostos, experiências abastecidas de leituras assíduas e razoável atividade cultural, estou convencidíssimo da silva júnior que nesta nossa peregrinação pela pátria terrena, por maior que seja o empenho despendido, a gente não consegue ficar conhecendo senão muito poucas coisas. Um bocado de situações à nossa volta guarda segredos a serem num dado momento desvendados. Brotam daí as muitas surpresas, quando não os muitos espantos, que de quando em quando pintam no pedaço por onde desfilam fatos aparentemente corriqueiros de nosso trepidante dia a dia.

Estou tomando ciência, neste preciso momento, de uma informação que me deixou pode-se dizer estatelado. Jamais me passou pelo bestunto que algo assim pudesse estar rolando diante de nosso olhar. Melhor expressando, longe dos nossos olhos.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu laudo proibindo a comercialização e a distribuição de lotes de extrato de tomate de um sem número de marcas tradicionais. A decisão punitiva deu-se com base em perícias técnicas que detectaram matéria estranha indicativa de risco à saúde humana acima do limite máximo de tolerância fixado pelas normas. A matéria nociva apontada – pasmo dos pasmos! – é pelo de roedor. Isso mesmo, distinto leitor, que você acaba de ler, tomado obviamente de santa estupefação: pelo de roedor. O parecer do órgão de fiscalização sanitária coloca-nos a par ainda de que os derivados de tomate podem conter “até um fragmento de pelo de roedor para cada 100 gramas do produto”. Quer dizer, mais de um fragmento de pelo de roedor no alimento industrializado que chega à sua mesa de refeição pode representar ameaça à sua saúde. Um, apenas 1, vale. Mais do que 1 já não pode, tá bom?

Enquanto as empresas intimadas a recolher os lotes dos produtos contaminados asseguravam ser zelosas quanto ao controle de qualidade, “presente em todas as etapas, desde o cultivo da lavoura até a saída da mercadoria”, ou que nunca, jamais, em tempo algum, abriram mão de seu compromisso “com o cumprimento rigoroso de todas as normas de segurança dos alimentos e padrões de higiene”, a Anvisa tratava de por os indefesos consumidores a corrente dos limites de “porcarias aceitáveis” na elaboração dos produtos. A “tabela” apresentada provavelmente nocauteará pessoas de estômagos sensíveis.

Queiram, por gentileza, anotar alguns exemplos liberados de “limites toleráveis (exceto ácaros)” aplicáveis a alimentos: frutas desidratadas (exceto uva passa) – 25 fragmentos de inseto em 225 gramas; uva passa – 25 fragmentos de insetos em 225 gramas e 1 pelo de roedor também em 225 gramas; doce em pasta e geleia de frutas – 25 fragmentos de insetos em 100 gramas; farinha de trigo – 75 em 50 gramas; farinha de milho e fubá – 50 em 50 gramas; massas alimentícias, biscoitos, produtos de panificação e de confeitaria – 225 em 225 gramas; café torrado e moído – 60 em 25 gramas; canela em pó – 100 fragmentos de insetos em 50 gramas e 1 fragmento de pelo de roedor em 50 gramas; orégano – 20 fragmentos de insetos em 10 gramas, 1 fragmento de pelo de roedor em 10 gramas e 20 insetos inteiros em 10 gramas; pimenta do reino moída – 60 fragmentos de insetos em 50 gramas e 1 fragmento de pelo de roedor em 50 gramas; chocolates e produtos achocolatados – 10 fragmentos de insetos em 100 gramas e 1 de pelo de roedor em 100 gramas; molhos, purê, polpa, extrato, tomate seco, tomate inteiro enlatado, catchup e outros derivados do tomate, 10 fragmentos de insetos em 100 gramas e 1 de pelo de roedor em 100 gramas.

Tá danado. Dá procês? Cotas de insetos e roedores por alimentos, soda cáustica em leite, anabolizante na carne, partículas de estrôncio na atmosfera...

Valha-nos Nossa Senhora da Abadia da Água Suja!


2 comentários:

claudio vanucci disse...

"Credo quia absurdum est" Creio porque absurdo é.

claudio vanucci disse...

"Credo quia absurdum est" Creio porque absurdo é.

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