sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013


VIII ENCONTRO CULTURAL DA ACADEMIA

Na quarta-feira, dia 30 de janeiro, aconteceu no Centro de Cultura Nansen Araujo, do "Sesiminas", numa promoção da Academia Mineira de Leonismo, com o apoio do Lions Clube BH Inconfidência, o VIII Encontro Cultural da Academia. Público numeroso e participativo compareceu à exposição que fiz, subordinada ao tema "Ovnis, na visão de um repórter".
As fotos, colhidas pelo Acadêmico Augusto Cesar Soares dos Santos, retratam o acontecimento.


Por quem os sinos dobram

Cesar Vanucci *

“Incêndio na Kiss. Socorro.”
(Mensagem postada no Facebook por Michele Froehlich
Cardoso, uma das vítimas fatais da tragédia em Santa Maria)

Os sinos de Santa Maria dobram não apenas pelas inocentes vítimas, seus desolados familiares, mas por todos nós. Ao entrar para o rol das descomunais tragédias que poderiam ter sido evitadas, palco de incêndio que contabilizou o maior número de mortes nos últimos 50 anos no Brasil, causando comoção nacional e internacional, a cidade conhecida como “coração do rio Grande” colocou-nos a todos nós em estado de choque, parceiros na dor infinita da comunidade. De certa maneira, fez-nos sentir um tanto quanto cúmplices do estado de coisas que permitiu o desencadeamento do apavorante incidente. Sim, os sinos dobram também por nós, enquanto membros da coletividade, por revelarmo-nos omissos, desatentos, indiferentes a regras elementares de prevenção e segurança ambientais.

Quando se toma conhecimento de que as vítimas morreram asfixiadas, carbonizadas, pisoteadas, numa casa noturna sem autorização legal para operar, funcionando em espaço inadequado para grandes aglomerações, não dispondo de funcionários treinados para atender emergências, despojados, todos eles, de qualquer orientação preventiva acerca dos riscos do emprego de apetrechos suscetíveis de provocarem combustão espontânea em ambientes fechados; quando se está ciente também de que o cenário desse dantesco drama revelava-se desprovido de saídas de emergência, de placas de sinalização, de portas ou janelas que pudessem favorecer a evacuação rápida do público aos primeiros sinais de alerta; todos nós, pais de família, educadores, autoridades, damo-nos conta, aturdidos, de que isso pôde ocorrer e pode voltar a ocorrer mais adiante por força de conivência deplorável, da parte de muitos inconsciente, mas nem por esse motivo destituída de suma gravidade. Essa conivência, complacência, tolerância descabida, ou que outro nome tenha, têm permitido o funcionamento, à mingua de fiscalização rígida, por este país-continente afora, de centenas (talvez milhares) de estabelecimentos frequentados por nossos jovens que exibem instalações com pontos em comum com as dependências da boate”Kiss”.

O indiciamento no inquérito policial dos proprietários da boate, do músico que acionou o sinalizador, seus companheiros de banda, provavelmente dos seguranças que, ao invés de ajudarem, teriam criado obstáculos à saída da multidão espavorida, não fecha, a rigor, a cadeia das responsabilidades diretas ou indiretas que vêm à tona a uma avaliação mais aprofundada dos fatos. Se a casa noturna não dispunha de um mínimo de requisitos para desenvolver suas atividades, por que permanecia, então, de portas abertas acolhendo constantemente festejos com grande participação popular? Quem ou qual órgão avalizou irresponsavelmente e por tempo dilargado essa infringência constante de regras essenciais?

A dor imensa que se abateu sobre a Nação, a onda de solidariedade que se ergueu à volta do incidente em terras gaúchas convocam-nos a reflexões nesta hora. Deriva daí, de pronto, o reconhecimento da necessidade de adoção de providências urgentes para se evitar que tragédias assim se repitam. Somos sabedores de que, em outras partes do mundo, em consequência de negligências, omissões, falhas na fiscalização, ganância, e outros fatores, tal como se vê por aqui, episódios semelhantes, ou até de proporção mais avantajada, ocorreram recentemente. Nos Estados Unidos (dois), na Rússia, na China, na Argentina, para mencionar alguns deles. Mas isso não traz consolo algum, quando choramos os mortos de Santa Maria. Serve unicamente para robustecer a certeza de que a imprevidência e a irresponsabilidade não são defeitos detectados apenas entre nós no trato da coisa pública.

O que toca agora promover, como fruto da reflexão, é ação. Muita e fecunda ação. Ação em ampla escala em prol de uma legislação com regras nacionais, calcadas em estudos da ABNT, para o tema da segurança contra incêndios. Ação que implante sistemas de prevenção e fiscalização mais rígidos, de maneira a impedirem possa uma festa de congraçamento fraterno mudar de feição, de repente, não mais do que de repente, transformando-se numa balada de horrores.


Preconceito é que nem tiririca

“Época difícil, essa nossa, em que é mais
 difícil quebrar um preconceito do que um átomo.”
(Albert Einstein)

Vamos lá. O que poderá haver em comum entre Taro Aso, Ministro de Finanças do Japão e também vice-primeiro ministro do gabinete governamental do país, o coronel Ubiratan de Carvalho Góes Beneducci, da Polícia Militar de São Paulo, e o delegado Pedro Paulo Pontes Pinho, da Polícia Civil do Rio de Janeiro?

O noticiário dos últimos dias dá conta de que todos eles, tão distanciados no que fazem um do outro, foram pilhados em flagrante delito na prática de execráveis preconceitos, desafortunadamente para o gênero humano, enraizados que nem grama tiririca na convivência social.

O japonês, figurinha manjada pelos seus patrícios em decorrência do destempero verbal num sem número de embaraçosas situações, aprontou contra sua própria e respeitável categoria: a gente idosa. Do alto de seus setenta e lá vai pedrada de vida, esmerando-se na função de defensor intrépido da “lógica de mercado” nas intervenções sociais, considerou razoável a hipótese de se apressar a passagem de pessoas mais velhas, atacadas de enfermidades sem cura, de modo a desonerar os cofres públicos e o sistema de saúde de gastos com cuidados médicos especiais. Noutras palavras, é preciso “chegar-se a uma solução final”, como se dizia nos tempos do nazismo, nessa história de idosos enfermos, que se apegam “enervantemente” ao sopro de vida que lhes resta. Afinal de contas, manter ativo esse esquema assistencial custa um dinheirão e, por conseguinte, traz consideráveis prejuízos ou deixa de trazer justos lucros monetários a quem, tão benevolentemente, banca no interesse público os chamados planos de saúde. Ufa!

Diante da onda de indignação erguida pela boçal manifestação, feita num lugar do mundo em que o envelhecimento é assunto sensível (um quarto da população de 128 milhões é composta de pessoas com idade acima de 60 anos), o Ministro andou ensaiando o que se poderia chamar de recuo. Recolocou a cara de pau diante das câmeras, esboçando pedido esfarrapado de desculpa. Mas o recado desalmado já havia sido certeiramente transmitido ao vivo e a cores, deixando rastro inapagável de desassossego na alma das ruas.

Enquanto isso, aqui deste outro lado do equador, brotavam outras aprontações preconceituosas, a primeira delas com iniludível conotação racista. O acima citado Paulo Ubiratam de Carvalho Góes Beneducci, capitão de polícia, noutro gesto de singular estupidez, expediu uma ordem de serviço aos comandados para ações de policiamento ostensivo numa região de classe média alta de Campinas. Da “ordem de serviço” baixada consta recomendação para que a abordagem em prol da tranquilidade pública, a ser feita com máximo rigor, contemple pessoas “em atitude suspeita, especialmente indivíduos de cor parda e negra.”
Ordem dada, ordem exemplarmente cumprida. As diligências militares passaram a ser direcionadas a grupos de jovens entre 18 e 25 anos na periferia, em que fosse anotada a presença “ameaçadora” de cidadãos de epiderme escura... A PM de São Paulo apressou-se em negar o teor racista do documento. Informou, sem convencer, ter havido desatenção na redação do texto, concluindo a “explicação” com dado que adiciona ao episódio toque surreal, tragicômico mesmo: “O próprio capitão Beneducci é pardo e quis apenas expor as características físicas dos suspeitos.” Órgãos de direitos humanos reagiram com veemência, solicitando entre outros esclarecimentos do governo dados estatísticos contendo o perfil étnico das pessoas abordadas em diligências, sobretudo naquelas que registram casos de “resistência seguida de morte”, tão frequentes na crônica policial naquele Estado.

Já a participação do delegado da Polícia Civil carioca, Pedro Paulo Pontes Pinho, nessa sequência desastrada de manifestações desrespeitosas à dignidade humana, consistiu na postagem feita, em redes sociais, de críticas acerbas, de cunho machista, à participação de mulheres nas atividades policiais. Por causa das declarações, ele foi exonerado do cargo. Chamado à responsabilidade, valeu-se novamente da rede social para desculpar-se e dizer-se mal compreendido e injustiçado.

Esses posicionamentos, despojados de bom senso e de respeito humano, são amostras da permanência no relacionamento comunitário de uma espécie de erva daninha. Algo danado de difícil de ser erradicado. São posturas preconceituosas, nos casos citados envolvendo raça, sexo e idade, que costumam medrar insidiosamente no relacionamento social. São que nem grama tiririca. Aquela graminha incômoda que, no versejar roceiro, de um autor talentoso, cujo nome neste momento se me escapa, “a gente pode arrancá, virá de raiz pro ar, mas quá!, um fiapo escondido no torrão faiz a peste vicejá...”
 * Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)



Um comentário:

Anônimo disse...

A gente procura pelo blog assim que chega:suave como a brisa,belo como o amanhecer,reflexivo como o por do sol,Arahilda

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