segunda-feira, 8 de agosto de 2022

 Defesa da Democracia


Cesar Vanucci *

“A democracia tem dado provas seguidas de robustez”


(Manifesto da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, subscrito por mais de uma centena de entidades dos setores produtivos nacionais)


A FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo-, entidade patronal mais poderosa do País, primando-se hoje por atuação politicamente isenta, diferente do que ocorria em tempos passados, acaba de divulgar um manifesto em defesa da Democracia que traduz com fidelidade, insofismavelmente, o verdadeiro sentimento nacional. O documento guarda perfeita sintonia com o pronunciamento tornado público, dias atrás, pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

O mencionado documento da escola de direito, como amplamente noticiado, seria assinado a princípio por trezentas personalidades, mas, na verdade, devido à repercussão suscitada pelo anúncio da iniciativa, aglutinou mais de 750 mil signatários, número que será fatalmente nos próximos dias superado. Será oficialmente lançado, junto com o manifesto da FIESP, no próximo dia 11 de agosto, em São Paulo, no Largo São Francisco, palco de memoráveis arregimentações populares, nas tradicionais comemorações alusivas à implantação dos cursos jurídicos no Brasil.

Expressando esplendidamente como já foi dito, o pensamento cívico da Nação a Carta pela Democracia e em defesa da ação reconhecidamente eficiente da Justiça Eleitoral elaborada pela instituição representativa da indústria paulista soma adesões importantíssimas. É subscrito por mais de uma centena de organizações de variados setores produtivos da sociedade: entidades patronais, centrais sindicais operárias, associações profissionais, instituições classistas e liderança de realce no cenário cultural. Figuram entre elas a Federação dos Bancos do Brasil, Ordem dos Advogados do Brasil, Associação Brasileira de Imprensa, Câmara Americana de Comércio, além de órgãos de presença exponencial na luta pela preservação do meio ambiente. Idênticas na essência, as proclamações - FIESP e USP - sustentam ser a democracia o único regime capaz de conferir dignidade ao ser humano. Rechaçam com veemência, os desabridos ataques, volta e meia desferidos, na atualidade brasileira, de origem palaciana, ao processo eleitoral vigorante no país, que trazem em seu bojo críticas sem fundamento à Justiça Eleitoral e seus componentes. As duas cartas pedem a estabilidade política e o desenvolvimento democrático como o “sentido maior” do 7 de setembro deste ano. Reiteram, ainda, a necessidade de se estabelecer um compromisso formal com “a soberania do povo brasileiro representada pelo voto”, a independência dos Poderes e a relevância do Supremo Tribunal Federal.

São textos indicativos de que a opinião pública brasileira se mantem serena e altiva na firme disposição de defender os postulados democráticos e republicanos e o Estado de Direito, por serem conquistas inalienáveis no itinerário do país rumo ao seu destino de grandeza.

Dá pra perceber nestas saudáveis manifestações, categóricas e ordeiras com ampla e saudável visibilidade, que segmentos representativos da coletividade brasileira experimentam neste instante, euforia cívica bastante semelhante àquela que prevaleceu por ocasião das “Diretas-já”, movimento que nos permitiu, depois de trevoso período, a reconquista das liberdades públicas de que hoje tanto nos ufanamos. Nossa gente sabe muito bem o que quer com relação ao pleito eleitoral que se avizinha. Sua expectativa e esperança voltam-se para um processo de escolha de seus governantes liso e transparente, que garanta à ascensão ao poder dos candidatos que a soberana vontade popular venha a apontar nas urnas eletrônicas, como os de sua preferência dentre os nomes credenciados pelos partidos e referendados pela Corte Eleitoral, na forma regimental consagrada pelos ritos democráticos.


*Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)

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